O mundo no aquecimento global

Pierre Rafael Penteado

Aquecimento global é o aumento da temperatura média da superfície terrestre, que segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) é causado principalmente pelo aumento da concentração de gases estufa (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e clorofluorcarbonetos) na atmosfera, resultado de ações humanas como a queima de combustíveis fósseis e destruição de florestas.

O efeito estufa acontece quando parte da radiação solar é absorvida por gases que aprisionam o calor na atmosfera e consequentemente elevam a temperatura da superfície terrestre, de maneira análoga a uma estufa de cultivo de plantas. O que muitos não sabem, é que sem este efeito a média da temperatura global seria bem diferente, em torno de -18°C, muito abaixo da média em torno de 14°C atual, o que impossibilitaria a vida como a conhecemos.

Centros de pesquisas meteorológicos e climáticos espalhados ao longo do planeta, desde o século 1860, reportam que houve um aumento médio da temperatura em torno de 0,6°C ao longo do século XX. Medições feitas com a sonda espacial Pathfinder, da NASA, de 1981-1998, apontam que a temperatura da superfície terrestre aumentou numa taxa de 0,43°C por década. Entretanto, além de não poder medir mudanças na água e terras cobertas por gelo, fatores como nuvens e erupções vulcânicas poderiam influenciar na leitura exata realizada pelo satélite.

Mas e como os cientistas sabem como era o clima num passado distante?

Há vários indicadores usados, como anéis de troncos de árvores, corais, amostras da acumulação de gelo durante vários anos, que aprisionou pequenas bolhas de ar de vários períodos diferentes (testemunho de gelo) e além de registros históricos. Por exemplo, através de um testemunho de gelo obtido na estação russa Vostok, na Antártica, cientistas puderam inferir que nos últimos 400 mil anos o planeta passou por quatro eventos de glaciação, e essas mudanças climáticas coincidiram com a variação da concentração de CO₂ na atmosfera, além de variações orbitais pelo qual o planeta Terra periodicamente.

Desde 1995, pelas decisões tomadas com o protocolo de Kyoto, vários países procuram uma forma de reduzir as emissões de gases poluentes na atmosfera, mesmo que algumas nações desenvolvidas não aceitem por completo as resoluções desses acordos. O último encontro foi em Copenhague, no fim do ano passado, no qual os países desenvolvidos se comprometeram a reduzir suas emissões em 80% até 2050, entre outros acordos.

Debate – real ou não?

Apesar de 40 sociedades científicas em todo o mundo endossarem o aquecimento global, existe uma pequena parcela de cientistas que se mostra cética quanto os dados mostrados, sugerindo que fatores como a variação natural cíclica do clima da Terra, e outros fatores não antrópicos (como o Sol) são responsáveis pelo aquecimento observado, além de outro grupo de cientistas apontar que os registros de temperaturas do passado não necessariamente indicam aquecimento para o futuro e que o planeta caminha em uma direção contrária, a uma nova era glacial. Estes mesmos cientistas criticam a posição do IPCC e da mídia em geral, que usa o tom alarmista para conseguir maior difusão do assunto. Ainda segundo eles, o assunto ainda tem muito a ser debatido entre especialistas para ser considerado um fato.

De um jeito ou outro é unânime que a humanidade precisa aprimorar novas tecnologias para conseguir reduzir o consumo de fontes limitadas de energia, como petróleo e carvão mineral. Aliados a isso, a redução de lixo e preservação de florestas é fundamental. Real ou não, o aquecimento global não é o único problema ambiental que enfrentamos, e está na hora de revermos como nos relacionamos com a natureza. Afinal, citando uma charge que ficou famosa: “E se for tudo mentira e nós criarmos um mundo melhor sem motivo?”.

Pierre Rafael Penteado é Biólogo, mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Viçosa.


 

Como citar esse documento:

Penteado. P.R. (2010). O Mundo no Aquecimento Global. Folha biológica 1 (1): 4

 

 

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