Zoologia, o estudo da fauna

Ana Lúcia Miranda Tourinho

A zoologia é uma área científica multidisciplinar. De um modo geral, pode ser definida como a ciência que estuda os representantes do reino animal em todos os seus aspectos.

O fascínio dos homens pelos animais atravessa a história, remontando um passado onde pinturas destes, muitos hoje extintos, eram feitas no interior de cavernas. Diversos povos de importância histórica como os egípcios e celtas possuíam tamanho deslumbramento pelos animais que estes eram representados em seus deuses, reverenciados e profundamente admirados.

Apesar desse interesse, foi com o trabalho do grego Aristóteles, “História dos animais”, que a zoologia passou a ser de fato ciência. Ele reuniu todos os fatos zoológicos conhecidos até então, e lançou um sistema de classificação para todos os animais.

Algumas obras importantes sucederam a publicação de Aristóteles, destacando-se Carl Linnaeus que criou o sistema nominal adotando dois nomes em latim (gênero e espécie) que é usado até os dias de hoje.

Entretanto, o grande marco revolucionário na zoologia aconteceu com o desenvolvimento da Teoria da Evolução das Espécies, proposta por Charles Darwin, mudando a atitude expoente do método científico utilizado na classificação dos animais.

A partir de 1950, com a proposição da Sistemática Filogenética por Willi Henning, a classificação passou então a uma teoria consistente de investigação e representação das relações de parentesco entre as espécies.

Pode-se dizer que a zoologia tem como objetivos principais descrever e explicar a diversidade faunística, identificar, avaliar e estudar os ajustes adaptativos das espécies ao meio, ou ecossistemas específicos, além de ocupar-se da história natural dos animais, sua evolução e filogenia. Diversos ramos da ciência são utilizados como base e sustentáculo para os estudos zoológicos.

 

 

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Por exemplo, a anatomia e morfologia consistem basicamente na observação e descrição das estruturas presentes no corpo dos animais, e estudo das organizações estruturais dos organismos. Não se ocupam apenas em descrever, mas também propõem comparações entre organizações estruturais. A Sistemática, Taxonomia e Filogenia estão no domínio da classificação biológica.

A sistemática pode ser definida como o estudo dos tipos e da diversidade da vida na Terra. É um campo de estudo contínuo que vai desde a rotineira atividade de nomear e descrever espécies, passando pela extensa compilação de compêndios faunísticos, até os mais sofisticados estudos dessas espécies  em classificações que descrevem suas relações de parentesco, análises biogeográficas, biologia de populações e genética, estudos evolutivos e de especiação.

A taxonomia envolve descrições de espécies e atribuições de nomes, é profundamente necessária quando um grupo de animais é recém descoberto e/ou está pobremente conhecido. A filogenia trabalha com os estudos evolutivos em si.

Outra área de trabalho para um zoólogo é a zoogeografia, que consiste na biogeografia animal. Biogeografia é uma ciência histórica, estuda os padrões de distribuição geográfica dos seres vivos, cruzando a história da Terra ao longo do tempo com a história morfológica dos seres vi- vos. Isso significa entender como as modificações morfológicas, e suas causas, são refletidas geograficamente.

Conhecer e compreender os mecanismos que governam a vida animal é de suma importância, pois o homem também está sob a regência dos mesmos mecanismos.

Todos os problemas que a humanidade vem  enfrentando ao longo da transição do século XX para o século XXI são biológicos, e estão intimamente relacionados com a zoologia. Esses problemas não poderão ser solucionados sem que conheçamos adequadamente a vida animal no planeta.

Ana Lucia Miranda Tourinho é bióloga, Mestre em Zoologia e Doutora em Ecologia. É pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA e atua na área de biologia de Aracnídeos.

 


Como citar esse documento:

Tourinho, A.L.M. (2010). Zoologia, o estudo da fauna. Folha biológica 1 (4): 1

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