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jun 08

Você conhece o sorgo?

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O sorgo, Sorghum bicolor spp bicolor (L.) Moench, é uma planta africana, ela foi introduzida no Brasil no séc. XX. É uma planta herbácea anual, com altura média de 1 m podendo atingir até 5 m, dependendo do local de cultivo. Suas raízes são profundas e possui um caule sólido dividido em colmos ricos em sacarose. Suas folhas são longas podendo alcançar até 1 m, com 10 cm de largura, com margens planas ou onduladas. A flor é agrupada num conjunto de flores, denominado inflorescência, que fica na parte mais alta da planta, essa estrutura mede de 5 a 50 cm(Figura 1).

O grão do sorgo é redondo com diâmetro que varia entre 4 a 8 mm que variam em tamanho, forma e cor de acordo com a espécie, tem um peso entre 3 e 80 mg. Na parte externa do grão encontra-se uma boa reserva proteica, variando de 9 a 12%, no embrião e na porção interna do grão está armazenada uma alta reserva de amido (carboidrato), variando de 55 a 86%.

O sorgo se adapta bem ao clima quente, apresentando estruturas hábeis de tolerância à seca, às altas temperaturas, à elevada incidência de luz, e ao déficit hídrico. Algumas espécies são adaptadas a diferentes climas, inclusive às regiões temperadas (frias), desde que nessas áreas aconteça um período sem chuva e seco para que haja o desenvolvimento da cultura. Mundialmente mais de 35% é cultivado diretamente para consumo humano e os 65% restantes são utilizados principalmente para a alimentação animal, ao bioetanol e nos produtos industriais. Os Estados Unidos é o maior produtor e exportador de sorgo, sendo responsáveis por 20% da produção mundial e quase 80% das exportações mundiais. No Brasil a produção aumentou na década de 90, sendo a região centro-oeste a de maior cultivo do grão.

Sendo o quinto cereal mais produzido do mundo com uma produção de 61 milhões de toneladas por ano, apresenta vantagens de produção em condições climáticas adversas. É amplamente utilizado na África e em alguns países da Ásia na alimentação humana, nas Américas, Europa e
Oceania ele é pouco utilizado para este fim. Assim o sorgo tem grande potencial de ser explorado nos países do Ocidente como alimento.

É um cereal indicado como ingrediente substituto ao trigo em alimentos destinados a pessoas com reações adversas ao glúten (celíacos), sendo uma excelente alternativa na alimentação. Diferente de outros cereais como trigo (Triticum aestivum), cevada (Hordeum vulgare), aveia (Avena sativa), o sorgo não contém glúten. O glúten é uma rede proteica que torna a massa “macia e fofa” (pão, macarrão, entre outros). Nos Estados Unidos vários produtos à base deste cereal já estão disponíveis no comércio, entre eles: cereais matinais, barrinhas, biscoitos, grão inteiro, farinha do grão e cerveja.

Na África e na Ásia o grão já é utilizado como base alimentar, sua farinha é utilizada em diferentes receitas, tais como: Bouillie (África e Ásia), um mingau preparado com leite e água; Cuscuz (África), uma massa de sorgo pilado (uma farinha mais grossa com partículas grandes), com tempero a gosto, cozido no vapor; Injera (Etiópia), feita a partir da farinha misturada com água, um preparo para massa de panqueca; Dolo (África), cerveja feita a partir do processo de maltagem do grão; Nasha (Sudão), papa da farinha, voltada para bebês em desmame, pois é bastante energética. Já no Brasil, praticamente nada é comercializado para a alimentação humana, as proteínas do sorgo são estudadas para desenvolver genótipos que poderão ser utilizados para fabricação de pão com textura e sabor de qualidade, além de outras receitas para enriquecer a dieta dos celíacos. O sorgo apresenta, além da ausência do glúten, outros compostos nutricionais que são aplicados contra a obesidade, a prevenção das doenças
cardiovasculares, e o diabetes. Portanto, a grande presença de amido confirma o poder energético do grão de sorgo para a alimentação humana. A reserva de proteína corrobora a importância do grão como fonte proteica, principalmente quando comparado a outros alimentos próximos como arroz (média de 12% de proteína no grão) e trigo (média de 10% de proteína no grão). Além disso, o arroz e o trigo não toleram as adversidades ambientais para o seu desenvolvimento, já o sorgo tem maior tolerância, como já referido. A ausência do glúten beneficia quem tem intolerância, aumentando as possibilidades ao consumidor, ao agricultor e ao nutricionista, de mais um potencial alimento para diferentes dietas desejadas. Economicamente é um produto de grande viabilidade, visto que é de fácil produção, e cultivo de baixo custo, podendo ter um potencial
consumo interno e grande probabilidade de exportação para o mundo, gerando riqueza para o nosso país.

Natacha Silva é Mestra em Botânica; Universidade de Brasília UnB;Brasília
Vinícius Resende Bueno é Graduando de Ciência Biológicas; Universidade Federal de Viçosa UFV, Campus-Rio-Paranaíba,MinasGerais

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