«

»

jun 23

O Pinguim de Magalhães.

Compartilhe...Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someoneShare on TumblrShare on LinkedIn

Muitas vezes, vemos na televisão, uma notícia sobre algum pinguim perdido que aparece na costa sul do Brasil. Cansados de tanto nadar, chegam fracos e com fome, praticamente sem esperanças. Estes pinguins (que nunca chegarão ao Alto Paranaíba, porque não vivem em nossa região) veem de lugares longínquos, de paisagens de gelo e neve. Veem da Argentina e Chile, bem ao sul do continente.

Dentro da escala zoológica são classificados como “Aves”. No entanto, não se trata de qualquer ave, são aves que não sabem voar, mas sabem nadar e muito bem… e apresentam uma série de adaptações, como, por exemplo: uma alta capacidade pulmonar e cardíaca, especiais para respirarem no caso de submergirem a profundidades relativas; uma capa grossa de gordura chamada “panículo adiposo” que os protege do frio; e possuem asas na forma de remos e as patas com membranas interdigitais para melhor nadarem e para facilitar a locomoção na água.

Características gerais:

Podemos considerar o pinguim de Magalhães como um pinguim pequeno, não passa dos 6 kg e dos 70 cm de altura. Sua coloração não é muito chamativa, tem na cabeça uma lista branca que passa por cima das sobrancelhas, rodeia as orelhas e se une no pescoço. E uma lista negra e fina no peito e barrigana forma de ferradura. Seus olhos, bico e patas são negros.

Os pinguins possuem as patas curtas e o corpo volumoso, o que faz com que o caminhar seja lento e cerimonioso.

As plumas que cobrem o corpo e as asas são pequenas e curtas e estão distribuídas sobre a pele de modo uniforme.

Alimentam­-se no mar. Comem peixes, crustáceos (entre eles, krill) e lulas. O pinguim é um exímio caçador. Nada abaixo d’água, a uns 30 cm da superfície, com o corpo quase horizontal, em busca de comida. A cada três minutos, aproximadamente, voltam à superfície para renovar a provisão de ar. Os predadores naturais destas aves são os leões marinhos, leopardos marinhos e orcas.

Reprodução:

Todos os anos, os pinguins de Magalhães formam as pinguineiras, lugares de reprodução nas costas patagônicas, Ilhas Falkland e Ilhas dos Estados. Fazem seus ninhos no solo. Macho e fêmea juntos empreendem a escavação e alternam nesta árdua tarefa. Pouco a pouco, constroem um buraco raso e de base ampla que se prolonga para dentro de um túnel de um pouco mais de um metro e meio de profundidade que será a verdadeira câmara de incubação dos ovos. Terminado o ninho, o casal encarrega­-se de recorrer a praia em busca de despojos, e pouco a pouco irá acumulando na entrada, ossos, gravetos, pedregulhos, ervas secas e plumas que proporcionarão abrigo e também resguardo.

Estes pinguins formam colônias numerosas. Os casais são monogâmicos e costumam estar unidos ao longo de toda a vida. A construção de um ninho exige um esforço notável, mas um bom ninho poderá alojar o casal durante vários anos. Machos e fêmeas o reconhecem perfeitamente entre as centenas de ninhos da pinguineira, e a cada ano se ocupam de restaurá-­lo, ou de reconstruí­-lo, caso tenha desmoronado.

Incubação e nascimento dos filhotes:

Ao final de setembro, as fêmeas põem um ovo de cor branca, fracamente tingido de um verde azulado, e quatro dias depois, um segundo ovo. Durante o período de incubação, machos e fêmeas devem proteger incessantemente o ninho da invasão das gaivotas e petréis, e da cobiça de outros pinguins. Uma vez mais, machos e fêmeas compartilham o trabalho. Ambos possuem uma zona do ventre desprovida de plumas, uma placa de incubação que resulta num estupendo radiador pelo qual, os corpos destas aves, especialmente adaptadas para conservar o calor, podem liberá­-lo e transmiti-lo aos ovos. Os pais viram os ovos de tempos em tempos durante a noite para que recebam de forma uniforme o calor que emana da placa. Durante o dia, os ovos são arejados, caso a temperatura seja elevada.

Em novembro, depois de cerca de quarenta dias, nascem os filhotes. Os ninhos se povoam de pequenos pinguins cinza, de penugem fina, que grunhem pedindo alimento. Os filhotes não sobrevivem sozinhos: nem sequer são capazes de digerir sua própria comida. Durante três meses são os país que comem no mar e, de volta ao ninho, abrem o bico para que sua prole meta a cabeça e remova o produto da pesca que já sofreu a ação dos sucos digesti­vos e se converteu em uma pasta morna e macia. Os pinguins de Magalhães são aves marinhas. Vivem em colônias nas costas do do continente sul-americano, no oceano Atlântico Sul. No entanto, esta estadia nas colônias ocorre somente durante o período de reprodução e muda dos filhotes (troca de penas) – que ocorre de setembro a abril ­, e passam o resto do ano no mar. São aves, portanto migratórias, capazes de se deslocarem a grandes distâncias. Comumente, ao longo da costa sul da Argentina, Uruguai e sul do Brasil. Há registro destas aves na região sudeste do Brasil, chegando ao Rio de Janeiro. E ainda, mais raramente, registros de ocorrência até mesmo, para a costa nordestina.

O futuro dos pinguins de Magalhães?

Como aves marinhas que vivem em colônias na costa do continente e também, que vivem no mar, os pinguins de Magalhães sofrem ameaças das ações humanas. Embora, no geral, os números de indivíduos e as tendências populacionais sejam incertas, temos o conhecimento do declínio de algumas das colônias destes pinguins. Esta diminuição das populações das colônias está provavelmente relacionada a atividades antrópicas como a exploração e transporte do petróleo oriundo de plataformas oceânicas, a pesca comercial, e talvez com mudanças climáticas. Derramamento e manchas de petróleo no oceano podem causar a morte destas aves. Não é incomum encontrar estes pinguins cobertos e ou manchados de óleo. Muitos são capturados acidentalmente por artefatos de pesca como redes-­de­-arrasto utilizadas na pesca de camarão. Além de que, a pesca comercial de peixes e crustáceos concorre pelos estoques de comida dos quais se valem os pinguins para sua alimentação e a dos seus filhotes. Outro fator de ameaça aos pinguins de Magalhães, mencionado pelos pesquisadores, é o turismo e visitas sem controle às pinguineiras. Como resultado destas ameaças,a espécie é classificada como ”quase ameaçada’’ na Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature and Natural Resources ­ IUCN (veja em http://www.iucnredlist.org/). Aves migratórias estão sujeitas a diferentes áreas e ambientes conforme o período do ano, o que dificulta a ado­ção de medidas para sua preservação. Para a preservação dos pinguins de Magalhães é fundamental que sejam adotadas medidas que garantam a proteção das áreas de procriação, evitem o derramamento de petróleo e adotem medidas eficientes para a contenção das manchas de óleo no caso de acidentes, e controlem a pesca comercial. A adoção de tais medidas depende de fatores econômicos, políticos e de logística de vários países.

É possível que a ocorrência das carcaças destes animais na costa brasileira ocorra por causas naturais, pois na natureza, nem todos os indivíduos sobrevivem. Mas já existem indícios que tais ocorrências também estão relacionadas aos problemas expostos acima. Uma carcaça de pinguim coberta de óleo encontrada na praia é um fato inegável da responsabilidade da ação humana.

Mónica S. Rodriguez – Professora das disciplinas Zoologia de Vertebrados do
curso de Ciências Biológicas – Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

Flávio Popazoglo – Professor de Metodologia e Prática de Ensino em Ciências e Biologia­ – Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Biologia.

Deixe uma resposta