Armas biológicas

As descobertas científicas desencadearam avanços em diversas áreas, sendo um exemplo o desenvolvimento e a potencialização de armas. Observações históricas mostram que o progresso da ciência está associado à evolução das armas biológicas.

A utilização de organismos patogênicos ou toxinas produzidas por microrganismos e plantas para causar enfermidades ou a morte proposital de animais, vegetais e humanos já é relatada a milhares de anos. Um dos registros mais antigos da utilização de microrganismos em conflitos datam do início do século VI a.C., quando os assírios contaminavam os poços de seus inimigos com animais mortos.

Um dos mais conhecidos e desastrosos usos de armas biológicas foi o lançamento de cadáveres vítimas da peste negra sobre a cidade de Kaffa, pelos tártaros em 1346, alastrando a doença pela cidade e levando os exércitos inimigos à rendição. Acredita-se que esse episódio possa ter agravado a situação da peste negra, que se espalhou por todo o continente.

No século XV, Pizarro presenteou nativos com roupas contaminadas com varíola, levando a dizimação de tribos inteiras. Em 1754-1767, tropas inglesas também distribuíram cobertores contaminados com varíola durante a guerra Franco-Indiana e durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos.

De 1932 até o final da Segunda Guerra Mundial, o Japão conduziu pesquisas com armas biológicas que utilizava os agentes biológicos da peste, antraz, cólera, entre outros, com a finalidade de obter conhecimento e desenvolver técnicas que permitissem um uso mais eficiente desse tipo de armas. Na segunda metade do século XX, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos e a então União Soviética, implantaram programas para o desenvolvimento de armas biológicas também, assim como o Canadá e o Reino Unido.

O uso de ataques bioterroristas se tornaram causa de medo e discussão por parte da população em geral após o ataque bioterrorista nos EUA, com a disseminação de antraz pelo correio postal, que seguiram os acontecimentos dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

A primeira geração de armas biológicas foi usada durante a I Guerra Mundial, que consistia na manipulação rudimentar de microrganismos nesse período. A eficiência delas ainda era precária devido à falta de conhecimento quanto à dispersão do agente biológico, período de incubação, entre outros, tornando assim difícil seu uso generalizado. Por isso, as principais armas utilizadas na I Guerra Mundial eram as armas químicas.

Nos anos 40, durante a II Grande Guerra, os estudos relativos ao desenvolvimento, dispersão e efeitos de diferentes agentes biológicos deram um grande salto, o que possibilitou a criação da segunda geração de armas biológicas, e, antes mesmo de a guerra começar, os alemães realizaram inúmeros testes de dispersão atmosférica com bactérias não patogênicas. Não só o desenvolvimento do conhecimento na área da microbiologia, mas também na área da biologia molecular com a descoberta do DNA e sua estrutura, despertou o interesse da utilização de conhecimentos biológicos para cada vez mais potencializar o poder destrutivo das armas biológicas.

Organismos vivos sempre foram usados como armas biológicas, mas foi a partir de 1970 com a revolução da biotecnologia e invenção da técnica do DNA recombinante, que muitos militares observaram grande potencial para novas armas. Com a manipulação genética se desenvolveu então a terceira geração de armas biológicas, a partir desse momento a munição passou a ser os microrganismos patogênicos geneticamente modificados.

A quarta geração de armas biológicas foi desenvolvida no século XXI em consequência de uma fusão das duas principais ciências desenvolvidas na II Guerra Mundial, a física quântica e a biologia molecular. Foi essa fusão que proporcionou o nascimento da nanobiotecnologia. O potencial dessa ciência unifica aminoácidos e proteínas, criando novos processos celulares, novos vírus e novas bactérias. Esta, desponta então como a grande ameaça, pois a manipulação do material genético de agentes patogênicos com finalidade bélica, a nível nanotecnológico, afasta cada vez mais a possibilidade de utilização de técnicas para a defesa dos estados.

No Brasil há poucos casos confirmados de ataques com agentes biológicos e as ameaças quanto a utilização deste tipo de armas no pais estão relacionados com o setor da agroindústria, onde o pais se destaca e desperta maior atenção na esfera internacional. Há suspeita de que, na década de 80, o inseto-bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis) tenha sido introduzido de forma maliciosa, visando destruir a cotonicultura nacional. Acredita-se também que a introdução da praga conhecida como vassoura de bruxa nas plantações de cacau no estado da Bahia também tenha sido resultado de um ataque com agentes biológicos.

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