Dinossauros entre nós

Você sabia que nem todos os dinossauros foram extintos? Sim, parece engraçado pensar que aqueles gigantescos animais que vemos em vários filmes, como a franquia Jurassic Park, não foram completamente dizimados com a queda do meteoro no México há aproximadamente 65 milhões de anos. Para todos efeitos teóricos e práticos, as aves modernas são dinossauros. Elas são tão dinossauros quanto nós, humanos, somos mamíferos. Ao longo desse texto discutirei um pouco das características que constatam essa afirmação.

Herança Genética

Análises genéticas mostram que as aves teriam se originado de um grupo de Terópodes, que eram um grupo de dinossauros. Primeiramente, vamos entender o grupo dos dinossauros, que é basicamente separado em Terópodes, que compreende os dinossauros bípedes e o grupo dos Saurópodes, que engloba todos os dinossauros quadrupedes. Existiam alguns Terópodes não-aviários, como os Tiranossauros-Rex e os aviários, como o Microraptor. As aves seriam uma continuação da linhagem de Terópodes aviários.

Penas

Por incrível que pareça, os dinossauros tinham penas. Sim, inclusive os Tiranossauros, que eram conhecidos como os grandes predadores (mas isso é discussão para outro texto). Essa característica permaneceu nas aves e foi importantíssima para manutenção da temperatura e, em algumas linhagens, para a característica do voo. No entanto, é difícil saber qual seria a coloração delas.

Ossos pneumáticos

As aves modernas apresentam ossos ocos, que permitem uma grande redução de peso e consequentemente uma habilidade de voo. Acontece que essa característica também era observada nos Terópodes e nos Saurópodes.

Bipedalismo

Como já dito anteriormente, essa característica era observada em todos os Terópodes, linhagem que deu origem às aves. Repare bem, não existem aves quadrúpedes! Mais uma evidência dessa ligação entre estes grupos.

Assim, observamos que várias características ligam estes grupos e reforçam cada vez mais que as aves são grandes (ou pequenos?) dinossauros. Isso nos mostra que estes gigantes não abandonaram a Terra completamente e que talvez num futuro longínquo possam voltar a dominar completamente o nosso planeta.

Francisco de M. C. Sassi é graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba e estagiário do Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva.

A evolução do voo e a origem das aves

O Planeta Terra como conhecemos hoje, passou por diversas mudanças ao longo dos milhares de anos para se tornar habitável. Como exemplo disso, temos as eras de gelo e as extinções em massa. Além disso, foram necessários alguns milhares de anos, e a ação de seres vivos como as bactérias, para que o oxigênio se tornasse presente na Terra, permitindo o início da expansão da diversidade no planeta. Isso foi um ponto positivo para que plantas terrestres se estabilizassem no ambiente, aumentando o oxigênio disponível, e permitindo que a “vida” saísse da água para colonizar o ambiente terrestre.

Dentre os animais que conseguiram se adaptar em um determinado momento da história na Terra, antes de serem extintos, podemos citar os dinossauros. Como sabemos, existiram várias espécies destes, algumas delas carnívoras, herbívoras, com um tamanho corporal maior ou com tamanho reduzido, e, em especial, as que utilizavam as quatro pernas (tetrápodes) e aquelas que só utilizavam duas (terópodes).

Um exemplo terópode é a espécie Microraptor zhaoianus, que apresentava penas por todo o corpo. Era uma espécie carnívora, sendo um dos menores dinossauros que já viveram na Terra, e que demonstram uma estreita relação evolutiva entre as aves e dinossauros, já que possuía longas penas em suas patas e cauda.

A origem das aves ainda é algo muito debatido no mundo acadêmico, e a teoria mais aceita é a de que as essas teriam evoluído a partir de pequenos e ágeis dinossauros terópodes, que com os milhões de anos adquiriram as penas e só depois aprenderam a voar. Em relação ao surgimento das penas, nos dinossauros terópodes, acredita-se que, em um primeiro momento, não surgiram para o voo propriamente dito, e sim com uma função metabólica, como a regulação da temperatura corporal para manter o corpo aquecido. Uma curiosidade sobre as penas, é que elas são distribuídas assimetricamente no corpo dos animais, o que é muito importante nas asas que possuem a função de voo, pois permite uma maior estabilidade do mesmo.

Quanto à origem do voo nos ancestrais das aves, duas teorias tentam buscar explicações. A primeira é a teoria arborícola, ou top-down (de cima pra baixo), que considera que os ancestrais das aves viviam no topo das árvores, e dessa forma pulavam de galho em galho entre elas. Além disso, aqueles que conseguissem se descolocar mais teriam uma vantagem na hora de fugir de predadores ou mesmo na busca por alimento, e, os que possuíssem uma maior força e habilidade na hora de planar teriam um sucesso relativamente maior. Um exemplo é o próprio Microraptor, onde a partir de experimentos em laboratório, tentando reproduzir como era o voo nessa espécie, viram que, por ser um animal escalador, saltava em busca de suas presas. Outra inferência com o estudo foi o fato de que esses indivíduos conseguiam alcançar distâncias maiores caso pulassem de perna fechada em relação à perna aberta.

A segunda é a teoria terrícola, ou bottom-up (de baixo pra cima), onde afirma que os ancestrais das aves eram na verdade corredores bípedes, e começaram a voar correndo ou se impulsionando do solo. Isso pode ter sido tanto para que conseguissem dar pequenos e rápidos saltos para escapar de predadores, ou mesmo para dar saltos sobre suas presas, utilizando suas asas primitivas para capturá-las contra o solo ou apenas derrubá-las no chão.

Portanto, embora ainda existam lacunas quanto à origem e evolução das aves, principalmente devido ao registro fóssil desse grupo não ser completo, a partir dessas informações, é possível obter uma compreensão razoável sobre o assunto. Espera-se que através de mais descobertas fósseis seja possível o esclarecimento sobre a origem desse grupo que tanto é debatido.

Elisa Gabriella Martins, Bacharela em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Viçosa, Campus Rio Paranaíba.

O Pinguim de Magalhães.

Muitas vezes, vemos na televisão, uma notícia sobre algum pinguim perdido que aparece na costa sul do Brasil. Cansados de tanto nadar, chegam fracos e com fome, praticamente sem esperanças. Estes pinguins (que nunca chegarão ao Alto Paranaíba, porque não vivem em nossa região) veem de lugares longínquos, de paisagens de gelo e neve. Veem da Argentina e Chile, bem ao sul do continente.

Dentro da escala zoológica são classificados como “Aves”. No entanto, não se trata de qualquer ave, são aves que não sabem voar, mas sabem nadar e muito bem… e apresentam uma série de adaptações, como, por exemplo: uma alta capacidade pulmonar e cardíaca, especiais para respirarem no caso de submergirem a profundidades relativas; uma capa grossa de gordura chamada “panículo adiposo” que os protege do frio; e possuem asas na forma de remos e as patas com membranas interdigitais para melhor nadarem e para facilitar a locomoção na água.

Características gerais:

Podemos considerar o pinguim de Magalhães como um pinguim pequeno, não passa dos 6 kg e dos 70 cm de altura. Sua coloração não é muito chamativa, tem na cabeça uma lista branca que passa por cima das sobrancelhas, rodeia as orelhas e se une no pescoço. E uma lista negra e fina no peito e barrigana forma de ferradura. Seus olhos, bico e patas são negros.

Os pinguins possuem as patas curtas e o corpo volumoso, o que faz com que o caminhar seja lento e cerimonioso.

As plumas que cobrem o corpo e as asas são pequenas e curtas e estão distribuídas sobre a pele de modo uniforme.

Alimentam­-se no mar. Comem peixes, crustáceos (entre eles, krill) e lulas. O pinguim é um exímio caçador. Nada abaixo d’água, a uns 30 cm da superfície, com o corpo quase horizontal, em busca de comida. A cada três minutos, aproximadamente, voltam à superfície para renovar a provisão de ar. Os predadores naturais destas aves são os leões marinhos, leopardos marinhos e orcas.

Reprodução:

Todos os anos, os pinguins de Magalhães formam as pinguineiras, lugares de reprodução nas costas patagônicas, Ilhas Falkland e Ilhas dos Estados. Fazem seus ninhos no solo. Macho e fêmea juntos empreendem a escavação e alternam nesta árdua tarefa. Pouco a pouco, constroem um buraco raso e de base ampla que se prolonga para dentro de um túnel de um pouco mais de um metro e meio de profundidade que será a verdadeira câmara de incubação dos ovos. Terminado o ninho, o casal encarrega­-se de recorrer a praia em busca de despojos, e pouco a pouco irá acumulando na entrada, ossos, gravetos, pedregulhos, ervas secas e plumas que proporcionarão abrigo e também resguardo.

Estes pinguins formam colônias numerosas. Os casais são monogâmicos e costumam estar unidos ao longo de toda a vida. A construção de um ninho exige um esforço notável, mas um bom ninho poderá alojar o casal durante vários anos. Machos e fêmeas o reconhecem perfeitamente entre as centenas de ninhos da pinguineira, e a cada ano se ocupam de restaurá-­lo, ou de reconstruí­-lo, caso tenha desmoronado.

Incubação e nascimento dos filhotes:

Ao final de setembro, as fêmeas põem um ovo de cor branca, fracamente tingido de um verde azulado, e quatro dias depois, um segundo ovo. Durante o período de incubação, machos e fêmeas devem proteger incessantemente o ninho da invasão das gaivotas e petréis, e da cobiça de outros pinguins. Uma vez mais, machos e fêmeas compartilham o trabalho. Ambos possuem uma zona do ventre desprovida de plumas, uma placa de incubação que resulta num estupendo radiador pelo qual, os corpos destas aves, especialmente adaptadas para conservar o calor, podem liberá­-lo e transmiti-lo aos ovos. Os pais viram os ovos de tempos em tempos durante a noite para que recebam de forma uniforme o calor que emana da placa. Durante o dia, os ovos são arejados, caso a temperatura seja elevada.

Em novembro, depois de cerca de quarenta dias, nascem os filhotes. Os ninhos se povoam de pequenos pinguins cinza, de penugem fina, que grunhem pedindo alimento. Os filhotes não sobrevivem sozinhos: nem sequer são capazes de digerir sua própria comida. Durante três meses são os país que comem no mar e, de volta ao ninho, abrem o bico para que sua prole meta a cabeça e remova o produto da pesca que já sofreu a ação dos sucos digesti­vos e se converteu em uma pasta morna e macia. Os pinguins de Magalhães são aves marinhas. Vivem em colônias nas costas do do continente sul-americano, no oceano Atlântico Sul. No entanto, esta estadia nas colônias ocorre somente durante o período de reprodução e muda dos filhotes (troca de penas) – que ocorre de setembro a abril ­, e passam o resto do ano no mar. São aves, portanto migratórias, capazes de se deslocarem a grandes distâncias. Comumente, ao longo da costa sul da Argentina, Uruguai e sul do Brasil. Há registro destas aves na região sudeste do Brasil, chegando ao Rio de Janeiro. E ainda, mais raramente, registros de ocorrência até mesmo, para a costa nordestina.

O futuro dos pinguins de Magalhães?

Como aves marinhas que vivem em colônias na costa do continente e também, que vivem no mar, os pinguins de Magalhães sofrem ameaças das ações humanas. Embora, no geral, os números de indivíduos e as tendências populacionais sejam incertas, temos o conhecimento do declínio de algumas das colônias destes pinguins. Esta diminuição das populações das colônias está provavelmente relacionada a atividades antrópicas como a exploração e transporte do petróleo oriundo de plataformas oceânicas, a pesca comercial, e talvez com mudanças climáticas. Derramamento e manchas de petróleo no oceano podem causar a morte destas aves. Não é incomum encontrar estes pinguins cobertos e ou manchados de óleo. Muitos são capturados acidentalmente por artefatos de pesca como redes-­de­-arrasto utilizadas na pesca de camarão. Além de que, a pesca comercial de peixes e crustáceos concorre pelos estoques de comida dos quais se valem os pinguins para sua alimentação e a dos seus filhotes. Outro fator de ameaça aos pinguins de Magalhães, mencionado pelos pesquisadores, é o turismo e visitas sem controle às pinguineiras. Como resultado destas ameaças,a espécie é classificada como ”quase ameaçada’’ na Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature and Natural Resources ­ IUCN (veja em http://www.iucnredlist.org/). Aves migratórias estão sujeitas a diferentes áreas e ambientes conforme o período do ano, o que dificulta a ado­ção de medidas para sua preservação. Para a preservação dos pinguins de Magalhães é fundamental que sejam adotadas medidas que garantam a proteção das áreas de procriação, evitem o derramamento de petróleo e adotem medidas eficientes para a contenção das manchas de óleo no caso de acidentes, e controlem a pesca comercial. A adoção de tais medidas depende de fatores econômicos, políticos e de logística de vários países.

É possível que a ocorrência das carcaças destes animais na costa brasileira ocorra por causas naturais, pois na natureza, nem todos os indivíduos sobrevivem. Mas já existem indícios que tais ocorrências também estão relacionadas aos problemas expostos acima. Uma carcaça de pinguim coberta de óleo encontrada na praia é um fato inegável da responsabilidade da ação humana.

Mónica S. Rodriguez – Professora das disciplinas Zoologia de Vertebrados do
curso de Ciências Biológicas – Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

Flávio Popazoglo – Professor de Metodologia e Prática de Ensino em Ciências e Biologia­ – Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Biologia.

Descoberto o fóssil da ave mais antiga do Brasil

foto: Ismar Carvalho

A paleontologia brasileira passa por grandes novidades, e a mais recente é a descoberta de um pequeno fóssil de ave na Bacia do Araripe, no Ceará. A espécie, descrita por pesquisadores brasileiros e argentinos, foi dada como a ave mais antiga encontrada no Brasil. O fóssil foi encontrado em 2011, em rochas de calcário, material de excelente conservação durante milhares de anos.

Ainda sem nome científico, a ave pré-histórica, faz parte do grupo dos Enantiornithes, e possibilita estudos evolutivos a respeito das aves da América do Sul, já que o fóssil se encontra extremamente conservado, com grande parte da sua plumagem original.

As características detectáveis da espécie foram: um par de asas proeminentes, plumagem espessa, olhos grandes, cauda longa (8 cm), tamanho total de cerca de 14 cm. Supõe-se que se alimentava de insetos comuns na região encontrada e, pelas análises ósseas, o indivíduo encontrado era jovem. Pesquisadores destacam a importância da alegando que favorecerá para um maior entendimento acerca da origem das aves pertencentes ao grupo e posterior a evolução das mesmas, assim como sua total distribuição de forma paleobiogeográfica.

Por: Rosana Mesquita.

Captura Predatória e Comércio Ilegal de Aves!

Todos sabem que a biodiversidade no Brasil é enorme, e com as aves não é diferente. Nosso país abrange cerca de 1700 espécies de aves, o que garante a ocupação da terceira colocação de maior riqueza de aves do planeta, perdendo apenas para a Colômbia e o Peru.

Apesar dessa riqueza, com os mais diversos tamanhos e cores, o país é um dos que mais sofrem com traficantes da fauna silvestre. Segundo inúmeros sites, o comércio ilegal de animais silvestres, em especial o de aves, é a terceira atividade clandestina que mais move dinheiro ilegal, perdendo apenas para o tráfico de armas e o de drogas.

Existem leis regulamentadas para a venda de animais silvestres, porém, isso se trata de um processo um tanto quanto burocrático, o que leva pessoas com “pouco tempo” e muito dinheiro a abusar do comércio ilegal.

A captura para comércio ilegal de aves envolve métodos totalmente invasivos ao animal e a toda a biodiversidade local, principalmente devido a precariedade dos transportes usados, o que causa danos físicos e “emocionais” às espécie (estimase 9 mortes em cada 10 animais). Os traficantes geralmente adotam práticas agressivas, como cegar o animal, ingestão de calmantes e bebidas alcoólicas, para aquietar os animais, evitando assim complicações com fiscalizações. Filhotes são retirados de seus pais dessa forma, perdendo todo o cuidado parental, processo importante no desenvolvimento do indivíduo. Esses animais são traficados para pet shops, colecionadores particulares que tem prioridade por espécies raras e ameaçadas de extinção. Ao longo do tempo, o animal que vive preso, perde a capacidade de sobreviver e se defender sozinho, dificultando seu processo de soltura na natureza, que deverá ser feito com o acompanhamento de um especialista. E o pior: muitas das espécies de aves que são traficadas, estão escassas no país, com grande risco de extinção, sendo o tráfico ilegal um fator agravante para essa situação. Dentre as espécies podemos citar a Arara Azul (Anodorhynchus hyacinthinus), o Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) a Ararajuba (Aratinga guarouba) o Pica-Pau-Rei (Camphepilus robustus) e o Sabiá-Pimenta (Carponis melanocephalus).

O QUE PODEMOS FAZER?

Não comprar animais silvestres e nem incentivar ninguém a comprar em primeiro lugar. Ter espécies nativas em cativeiro, sem comprovação da origem do animal, é crime previsto em lei, e cada indivíduo capturado faz falta ao ambiente e não deixa seus descendentes.

Ajude com a vigilância caso presencie a venda em algum local. Avise a polícia.

Faça denúncias ao IBAMA através da Linha Verde Tel. 0800 61 8080.

Guilherme Wince de Moura é graduando do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa Campus Rio Paranaíba MG, Brasil.

Fonte : glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/10/11/comerciocacapredatoria.jpg