A enigmática Fauna de Ediacara

Durante o período Pré-Cambriano, há 543 milhões de anos aproximadamente, nosso planeta era muito diferente. Nessa época a superfície dos continentes era totalmente desprovida de vida, mas os oceanos já exibiam uma diversidade de organismos rudimentares. As impressões fósseis que remetem à essa época mostram configurações e corpos curiosos, muito parecidos com pequenas folhas bem como formas de disco, que permaneciam fixos no solo do fundo dos mares ou suspensos na coluna d’água. Esse grupo de seres foi então nomeado de fauna vendiana ou ediacarana, em razão do local onde foram encontrados pela primeira vez: nas colinas de Ediacara, Austrália, e são considerados os primeiros exemplos de organismos multicelulares complexos a surgirem na Terra.

Desde então, fósseis de representantes da Fauna de Ediacara foram escavados em vários locais do planeta, Floresta de Charnwood na Grã-Bretanha, Mistaken Point no Canadá, Namíbia, Ucrânia, Irã, Rússia e até mesmo no Brasil. Os primeiros do tipo em nosso país, encontrados por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Vale do Acaraú, foram identificados em um afloramento rochoso no município de Pacajú, noroeste do Ceará.

Esse grupo de seres ainda causa discussões no meio científico por causa de sua difícil classificação: seriam realmente animais, justificando assim o uso do termo “fauna”? Seriam vegetais, já que compartilham algumas características destes, embora tenham surgido bem antes? Ou trata-se de um grupo que desafia as classificações comuns e entra em algo totalmente novo? Os paleontólogos seguem com essa pulga atrás da orelha, já que diversas espécies que compõe a Fauna de Ediacara exibiam características comuns hoje a animais e plantas: corpo mole e macio como de águas-vivas precedendo esqueleto e fixação no solo, por exemplo. Outras espécies, por outro lado, não são parecidas com nada vivo hoje ou em tempos mais recentes, como Fractofusus misrai, parecida, vejam só, com uma série de cordas formando um casulo.

Estranha e obscura, a Fauna de Ediacara oferece possibilidades infinitas de entendimento da evolução dos primeiros organismos que ultrapassaram a unicelularidade e desenvolveram as primeiras estratégias de reprodução complexas. Infelizmente até agora os indícios são de seu desaparecimento completo antes do início do período Cambriano, com nenhuma linhagem sobrevivente nos milhões de anos que se seguiram.

Jardim Ediacarano. Fonte: eartharchives.org

Marcos Silva, biólogo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Campus Rio Paranaíba. Mestrando em Biologia Animal na UFV, Campus Viçosa.

Macroinvertebrados aquáticos

Nilcilene de F. Resende Souza

Quem são e qual a sua importância? 

Alterações antrópicas (produzidas pelo homem) podem resultar na perda da biodiversidade e consequentemente, na alteração da estrutura das comunidades biológicas, sendo estas bem notáveis nas comunidades aquáticas. A comunidade de invertebrados bentônicos está representada por uma grande variedade de organismos, com indivíduos de vários filos que vivem, pelo menos parte de sua vida, no fundo dos ecossistemas aquáticos. Dentre estes estão os insetos que tem se destacado tanto na riqueza como na abundância de espécies e vem amplamente sendo utilizados em estudos de monitoramento e avaliação da qualidade da água. Algumas vantagens da utilização dos destes organismos com bioindicadores da qualidade da água estão relacionadas com o ciclo de vida longo (quando comparado a outros organismos aquáticos), tamanho do corpo (relativamente grande), baixa mobilidade, fácil amostragem e de baixo custo, identificação taxonômica relativamente simples.

Além disso, estes organismos podem ser utilizados em experimentos de campo e laboratório, e podem acumular poluentes, dentre outras. Os macroinvertebrados bentônicos diferem entre si em relação à poluição orgânica, podendo ser sensíveis e intolerantes, tolerantes ou resistentes. Via de regra, se há organismos mais intolerantes ou sensíveis em dado ambiente, este pode ser considerado menos impactado. Ambientes em só são observados organismos tolerantes à poluição, ou apenas as formas mais resistentes costumam ser mais impactados.

Portanto, diante da importância da comunidade aquática no biomonitoramento ambiental, avaliação de impacto ambiental, identificação de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade e recuperação e manejo de áreas degradadas, torna-se necessária à preservação e conservação dos ecossistemas de água doce e consequentemente dos organismos aquáticos que neles vivem.

 

Macroinvertebrados aquáticos (nilcilene)

 

 

Nilcilene de F. Resende Souza é bióloga e mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Viçosa. Atua na área de entomologia.


 

Como citar esse documento:

Souza, N.D.R. (2012). Macroinvertebrados aquáticos. Folha biológica 3. (1): 2

 

Volume 3, Número 1

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