Paca: conhecendo um pouco mais

Dentro do grupo dos roedores, que é muito amplo e diversificado, encontramos a Cuniculus paca, mais conhecida como Paca, encontrada preferencialmente em florestas tropicais.

O animal possui porte médio, podendo chegar, quando adulto, à pesar entre 5 e 10kg, ou até aos 14kg, e medir de 30 a 60 cm de comprimento, perdendo apenas para a capivara, que é o maior roedor do mundo. Seu corpo é robusto e alongado, com patas curtas e fortes e unhas grandes, que são pró- prias para a corrida e escavação de tocas, sua cauda é muito pequena e o corpo é protegido por pelos ásperos e curtos, apresentando de três a cinco listras longitudinais, de manchas claras de cada lado do corpo, com coloração variando do avermelhado até o marrom escuro. No ventre, os pelos são mais fi nos e de cor branca ou amarelada e tem dois pares de mamilos (dianteiro e traseiro). Possuem a cabeça alongada, com orelhas pequenas, dentes grandes e mandíbulas poderosas e é dotada de um olfato privilegiado.

A paca é uma espécie considerada generalista quanto à sua dieta, ou seja, é baseada em frutos, folhas, raízes, talos, casca de árvores, cana-de-açúcar e outras coisas conforme a estação, não se prendendo à um único tipo de alimento. Esses animais possuem como uma de suas características os dentes da frente grandes, pois crescem continuamente enquanto o animal os desgasta roendo madeira ou objetos duros. São considerados dispersores de sementes pequenas e predadores das grandes sementes, mas podem ser dispersores das grandes sementes também, uma vez que se afastam de um local carregando as sementes e posteriormente não conseguem consumi-las totalmente.

Na reprodução as fêmeas atingem a maturidade sexual com cerca de 9 meses de idade, enquanto os machos a atingem com um ano. O sucesso reprodutivo é baixo, porém a produção de esperma nos machos é contínua. De acordo com alguns estudos as fêmeas são mais receptivas em Dezembro e Janeiro, de modo que a maioria dos nascimentos ocorrem entre Abril e Maio. A gestação, segundo a literatura, não ultrapassaria 115 dias. Normalmente, nasce um filhote por parto ou, dificilmente, dois ou três.

A criação desses animais silvestres pode ser uma importante alternativa econômica, visto que o consumo da carne deles é uma realidade mesmo sem a existência de um mercado formal deste produto. Com a domesticação deste animal em cativeiro pode-se, portanto, influenciar na sua conservação através do aumento populacional e na diminuição da pressão que vem da caça e do tráfico. Isso também auxiliaria na conservação das matas, pois a utilização de espécies silvestres adaptadas às condições ambientais locais causaria menores danos ao meio ambiente em relação, por exemplo, a bovinocultura que modifica drasticamente um ambiente.

O valor comercial da paca é a referente à sua carne, tendo um sabor especial que agrada a todos, é muito valorizada devido a pequena oferta. É considerada de boa qualidade, rica em proteínas e minerais e encontrada em restaurantes sofisticados. O couro pode ser utilizado para confecção de pulseiras, relógio, luvas e outras peças pequenas de artesanato.

Por apresentarem algumas características, como tamanho mediano, baixo custo de manutenção e curto período de prenhes, as pacas são consideradas animais experimentais para a criação em cativeiro que, futuramente, pode ter um grande sucesso no comércio de carnes.

Liliane de A. Melo; Mitchel, I.A. Costa; Maiza, C. Camargos e Michelle Scalabrini.

Cutia, um roedor lucrativo!

A cutia, pertencente ao gênero Dasyprocta, é um mamífero de pequeno porte, medindo entre 50 a 60cm, e pesando entre 1 a 3 kg, contendo uma cauda rudimentar. Sua coloração geralmente é marrom-avermelhada, sendo o lado ventral mais claro. Apresenta membros dianteiros curtos, de modo que auxiliam na alimentação; cinco dedos onde os posteriores são longos, auxiliando nos saltos e, três dedos, ambos membros possuindo unhas fortes. Possuem hábito de lamber o seu corpo, como forma de se limpar. São animais herbívoros, alimentam-­se de: hortaliças, tubérculos, sementes e frutas. Sua dieta pode ser complementada através de rações, a mesma dada a coelhos. O período reprodutivo inicia-­se a partir dos 10 meses de idade, período no qual o mamífero atinge a maturidade sexual. A gestação dura cerca de 104 dias; tendo em média duas crias por parto, que pode ocorrer em qualquer época do ano. Aos três meses de idade, o filhote é desmamado e transferido para outra baia (piquete), iniciando a nova reprodução. Este gênero encontra-se distribuído nos biomas do Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia. São características de regiões com clima tropical a temperado, não ocorrendo em regiões mais frias.

Mas, porque criar cutias? A resposta é bem simples! É um animal simples e de fácil adaptação. Sua carne é bem nutritiva e de alto valor comercial. Possui baixo custo de produção e necessita de pouco espaço para sua criação. O abate destes animais pode ser dado a partir dos 12 meses, com 3 a 4 quilos. E podem ser comercializados como matrizes para outros criadouros após 6 meses.

Em seu manuseio é importante ter cuidado ao aplicar vacinas e medicamentos, já que podem gerar momentos de estresse, deixando o animal agressivo. As fêmeas, quando prontas para parir, devem ser isoladas a fim de evitar que os filhotes sejam comidos por outras cutias de um mesmo grupo. As instalações devem ser bem localizadas e com estrutura adequada ao clima de cada região. Em locais frios, opte por instalações fechadas e temperaturas elevadas, sendo melhor ambientes arejados com janelas grandes e teladas.

Para cada cutia é necessário construir uma caixaninho, costume característico do animal de forrar o ninho com palha seca, que ajuda a manter o interior do ninho sem umidade, deixando-­o criadouro mais semelhantes ao seu hábitat natural. Os animais também precisam de um espaço aberto no confinamento, onde devem ser construídas piscinas para banhos. O piso acimentado facilita a limpeza e a desinfecção do local, e ajuda a evitar que elas façam escavações para escada. Para evitar doenças, é recomendado fazer a limpeza do local semanalmente e exames parasitológicos a cada 3 meses, já que enfermidades causadas por endoparasitas, exoparasitas e pneumonias são bem comuns nos indivíduos jovens, prejudicando seu crescimento e desenvolvimento.

A criação das cutias é uma forma de preservar a espécie, e de evitar o seu tráfico e caça ilegal, além das qualidades nutricionais e da atividade comercial, a qual é bastante rentável ao criador. Portanto, ressalta­-se a importância do conhecimento da biologia e ecologia destes animais, uma vez que as técnicas de manejo dependem do conhecimento prévio para efetividade na conservação e criação para fins comerciais.

Cíntya Lisboa, Júlia G.O Gomes, Larissa Alves de Lima e Lohany Idargo de Souza – Graduandos do curso de Ciências Biológicas na Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.