Macroinvertebrados aquáticos

Nilcilene de F. Resende Souza

Quem são e qual a sua importância? 

Alterações antrópicas (produzidas pelo homem) podem resultar na perda da biodiversidade e consequentemente, na alteração da estrutura das comunidades biológicas, sendo estas bem notáveis nas comunidades aquáticas. A comunidade de invertebrados bentônicos está representada por uma grande variedade de organismos, com indivíduos de vários filos que vivem, pelo menos parte de sua vida, no fundo dos ecossistemas aquáticos. Dentre estes estão os insetos que tem se destacado tanto na riqueza como na abundância de espécies e vem amplamente sendo utilizados em estudos de monitoramento e avaliação da qualidade da água. Algumas vantagens da utilização dos destes organismos com bioindicadores da qualidade da água estão relacionadas com o ciclo de vida longo (quando comparado a outros organismos aquáticos), tamanho do corpo (relativamente grande), baixa mobilidade, fácil amostragem e de baixo custo, identificação taxonômica relativamente simples.

Além disso, estes organismos podem ser utilizados em experimentos de campo e laboratório, e podem acumular poluentes, dentre outras. Os macroinvertebrados bentônicos diferem entre si em relação à poluição orgânica, podendo ser sensíveis e intolerantes, tolerantes ou resistentes. Via de regra, se há organismos mais intolerantes ou sensíveis em dado ambiente, este pode ser considerado menos impactado. Ambientes em só são observados organismos tolerantes à poluição, ou apenas as formas mais resistentes costumam ser mais impactados.

Portanto, diante da importância da comunidade aquática no biomonitoramento ambiental, avaliação de impacto ambiental, identificação de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade e recuperação e manejo de áreas degradadas, torna-se necessária à preservação e conservação dos ecossistemas de água doce e consequentemente dos organismos aquáticos que neles vivem.

 

Macroinvertebrados aquáticos (nilcilene)

 

 

Nilcilene de F. Resende Souza é bióloga e mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Viçosa. Atua na área de entomologia.


 

Como citar esse documento:

Souza, N.D.R. (2012). Macroinvertebrados aquáticos. Folha biológica 3. (1): 2

 

Extinções: ciclos de vida e morte

Pierre Rafael Penteado.

 

Você com certeza já leu ou ouviu “… espécie está em risco de extinção…”, não é mesmo? 

 

Quando todos os indivíduos de uma espécie morrem, podemos dizer que ela está extinta. É um processo natural, esperado de acordo com a teoria da evolução biológica, uma vez que os organismos competem por recursos limitados na natureza. Desse modo, as populações adaptam-se ao longo de gerações, migram ou acabam se extinguindo.  E o que é extinção em massa? Também conhecido como evento de extinção, acontecem quando o ambiente em que os organismos vivem muda bruscamente, em um curto intervalo de tempo, impedindo a adaptação dos mesmos. Alguns cientistas se referem às extinções em massa como um reset da evolução biológica.  De certo modo, podemos dizer que é isso, já que as espécies extintas deixam um ambiente para ser explorado por outras espécies. Também é notável o fato de que existiram muito mais espécies (e que foram extintas) do que o total de espécies atual. Durante toda a história da vida no planeta Terra, a biodiversidade do planeta já sofreu cinco eventos de extinção!

Permiano-Triássico.

Há aproximadamente 250 milhões de anos, cerca de 60% de todos os gêneros (categoria taxonômica que pode agrupar uma ou várias espécies) viventes da foram extintos. Entre eles, estavam os trilobitas (artrópodes bastante diversificados), euriptéridos (escorpiões-marinhos) entre vários grupos que não perderam todas as espécies.  Esse evento é conhecido como a grande extinção do Permiano-Triássico. Mas o que poderia ter causado tamanho efeito na biodiversidade do período?  Após várias hipóteses e estudos, cientistas propuseram que não foi uma causa única: primeiramente, erupções vulcânicas gigantescas, com mais de 2 milhões de Km² num intervalo de milhares de anos, localizadas na Sibéria, Rússia, elevaram a temperatura média do planeta em  aproximadamente 5°C, graças ao efeito estufa causado pelo CO2 liberado. Em seguida, o calor liberou uma grande quantidade de metano armazenada no fundo dos oceanos. Assim, o metano também contribuiu no aumento do efeito estufa, elevando a temperatura média global a 10°C no total. O efeito sobre os organismos produtores nos oceanos foi devastador, e toda a teia alimentar sofreu com isso.

Fim do Cretáceo.

Depois de se recuperar, outras extinções abalaram a biodiversidade da Terra. Os dinossauros, por exemplo, dominaram o meio terrestre do planeta por mais de 130 milhões de anos, até serem extintos no final período Cretáceo, há 65 milhões de anos.  A hipótese mais aceita até o momento para explicar essa extinção é a colisão de um asteroide (10 Km de diâmetro) com a Terra, na península de Yucatán, no México. O impacto teria levantado poeira suficiente para prejudicar a absorção da luz solar pelas plantas, comprometendo parte da teia alimentar, incluindo os dinossauros.  Entretanto, vários grupos conseguiram sobreviver, incluindo os ancestrais das aves, e os nossos obviamente.

 

Extinções ciclos de vida e morte  (PIERRE)

 

Atualmente, fala-se sobre o que seria a 6ª extinção em massa do planeta, com o desaparecimento de inúmeras espécies, causada pelo homem. Mas isso é assunto para outra ocasião.

 

Pierre Rafael Penteado é biólogo e mestre em Biologia Animal pela UFV. Atualmente é professor temporário na Universidade Federal de Viçosa, campus de Rio Paranaíba. Atua na área de genética animal.


 

Como citar esse documento:

Penteado, P.R. (2012). Extinções: ciclos de vida e morte. Folha biológica 3. (1): 3

 

Zoologia, o estudo da fauna

Ana Lúcia Miranda Tourinho

A zoologia é uma área científica multidisciplinar. De um modo geral, pode ser definida como a ciência que estuda os representantes do reino animal em todos os seus aspectos.

O fascínio dos homens pelos animais atravessa a história, remontando um passado onde pinturas destes, muitos hoje extintos, eram feitas no interior de cavernas. Diversos povos de importância histórica como os egípcios e celtas possuíam tamanho deslumbramento pelos animais que estes eram representados em seus deuses, reverenciados e profundamente admirados.

Apesar desse interesse, foi com o trabalho do grego Aristóteles, “História dos animais”, que a zoologia passou a ser de fato ciência. Ele reuniu todos os fatos zoológicos conhecidos até então, e lançou um sistema de classificação para todos os animais.

Algumas obras importantes sucederam a publicação de Aristóteles, destacando-se Carl Linnaeus que criou o sistema nominal adotando dois nomes em latim (gênero e espécie) que é usado até os dias de hoje.

Entretanto, o grande marco revolucionário na zoologia aconteceu com o desenvolvimento da Teoria da Evolução das Espécies, proposta por Charles Darwin, mudando a atitude expoente do método científico utilizado na classificação dos animais.

A partir de 1950, com a proposição da Sistemática Filogenética por Willi Henning, a classificação passou então a uma teoria consistente de investigação e representação das relações de parentesco entre as espécies.

Pode-se dizer que a zoologia tem como objetivos principais descrever e explicar a diversidade faunística, identificar, avaliar e estudar os ajustes adaptativos das espécies ao meio, ou ecossistemas específicos, além de ocupar-se da história natural dos animais, sua evolução e filogenia. Diversos ramos da ciência são utilizados como base e sustentáculo para os estudos zoológicos.

 

 

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Por exemplo, a anatomia e morfologia consistem basicamente na observação e descrição das estruturas presentes no corpo dos animais, e estudo das organizações estruturais dos organismos. Não se ocupam apenas em descrever, mas também propõem comparações entre organizações estruturais. A Sistemática, Taxonomia e Filogenia estão no domínio da classificação biológica.

A sistemática pode ser definida como o estudo dos tipos e da diversidade da vida na Terra. É um campo de estudo contínuo que vai desde a rotineira atividade de nomear e descrever espécies, passando pela extensa compilação de compêndios faunísticos, até os mais sofisticados estudos dessas espécies  em classificações que descrevem suas relações de parentesco, análises biogeográficas, biologia de populações e genética, estudos evolutivos e de especiação.

A taxonomia envolve descrições de espécies e atribuições de nomes, é profundamente necessária quando um grupo de animais é recém descoberto e/ou está pobremente conhecido. A filogenia trabalha com os estudos evolutivos em si.

Outra área de trabalho para um zoólogo é a zoogeografia, que consiste na biogeografia animal. Biogeografia é uma ciência histórica, estuda os padrões de distribuição geográfica dos seres vivos, cruzando a história da Terra ao longo do tempo com a história morfológica dos seres vi- vos. Isso significa entender como as modificações morfológicas, e suas causas, são refletidas geograficamente.

Conhecer e compreender os mecanismos que governam a vida animal é de suma importância, pois o homem também está sob a regência dos mesmos mecanismos.

Todos os problemas que a humanidade vem  enfrentando ao longo da transição do século XX para o século XXI são biológicos, e estão intimamente relacionados com a zoologia. Esses problemas não poderão ser solucionados sem que conheçamos adequadamente a vida animal no planeta.

Ana Lucia Miranda Tourinho é bióloga, Mestre em Zoologia e Doutora em Ecologia. É pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA e atua na área de biologia de Aracnídeos.

 


Como citar esse documento:

Tourinho, A.L.M. (2010). Zoologia, o estudo da fauna. Folha biológica 1 (4): 1