Abelhas: Manejo, importâncias econômicas e ecológicas

Na natureza, todos os seres vivos possuem seu papel e importância para o ecossistema. Isso não é diferente quando se trata das abelhas. Esses organismos pertencem a ordem Hymenoptera, a qual inclui formigas, vespas e abelhas, extremamente abundantes em diversos ambientes.

Estes insetos são caracterizados por formarem colônias e apresentarem complexas estruturas sociais, nas quais as abelhas são divididas em castas. A dieta no estágio larval, o tamanho das células e o óvulo não fecundado são fatores determinantes da casta que a abelha irá pertencer: operária, zangão ou rainha.

Os zangões são abelhas-macho que nascem de ovos não fecundados a partir da partenogênese, enquanto as operárias são fêmeas oriundas de ovos fecundados, elas são responsáveis pela manutenção da colônia. As rainhas por sua vez, produzem novos indivíduos e, normalmente são as maiores da colônia, por conta do sistema reprodutor mais desenvolvido. Geralmente, há apenas uma rainha por colmeia, onde produz cerca de dois mil ovos por dia.

Os principais órgãos sensitivos das abelhas são as sensilas (projeções de neurônios presentes nas antenas), peças bucais e pernas. Tais órgãos permitem que ocorra comunicação entre as parceiras de ninho, localização de alimentos e identificação de intrusos na colmeia.

Ecologicamente as abelhas são fundamentais na manutenção de diversas espécies, uma vez que são essenciais para a reprodução sexuada das plantas. Elas se destacam pela função de polinizadoras, sendo consideradas os insetos mais importantes a executar esse papel no ecossistema.

As abelhas também são importantes economicamente devido à produção de diversos artigos que são comercializados: geleia real, geleia comum, cera, própolis, pólen apícula e apitoxina (veneno de abelha). A polinização em si é extremamente importante economicamente e ecologicamente, fato visualizado quando há apicultura em conjunto com agricultura e/ou pomares, onde durante o ato de se alimentar, as abelhas acabam trocando pólens entre as plantas e assim as plantas são fecundadas e produzem frutas e sementes.

Não é aconselhável a coleta das abelhas indiscriminadamente, pois pode resultar na extinção de espécies. Também é importante que não ocorra cultivo de espécies raras ou em risco de extinção. É necessário que o apicultor tenha pelo menos 40 caixas de abelhas ou que faça o cultivo próximo de áreas que tenham colônias naturais, pois as abelhas são altamente sensíveis à endogamia. Apesar de todas essas necessidades, segundo o IBAMA, o cultivo de qualquer espécie de abelha da família Apidae é permitido em todas as regiões do país, exceto para aquelas espécies que estejam na lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção.

Caio Campos, Maiara Leite, Marcela Monteiro e Pablo Silva.

Batcavernas Neotropicais

Como todos nós sabemos muito bem, a batcaverna é o lugar preferido do Batman, assim como a Fortaleza da Solidão é para o Super-Homem. Na batcaverna, o homem-morcego pode bolar tranquilamente seus diversos planos sobre como salvar Gotham do mal, sem que o Alfred venha lhe incomodar, mandando-lhe arrumar a cama. Mas já imaginou se existissem um bocado de batcavernas, quentinhas e aconchegantes, onde morcegos de regiões neotropicais pudessem habitar?

O termo “cavernas quentes” se refere à algumas câmaras subterrâneas localizadas em regiões neotropicais. Essas câmaras servem de moradia para um bocado de morcegos. Mas a vida nas cavernas não é nada fácil,os morcegos que o digam, pois o calor que faz lá é imenso, entre 28 e 40ºC. Isso acontece por causa do calor corporal emanado pela grande quantidade de espécies de morcegos desses locais. Daí vem o nome “cavernas quentes”, que funcionam como “batcavernas coletivas”.

Em um artigo do ano de 2012 publicado pela revista científica Conservation Biology, alguns pesquisadores destacam a importância da fauna das espécies de morcegos para a estabilidade do microclima dessas regiões. Eles dizem que o que diferencia essas cavernas quentes das cavernas tradicionais é a densidade de morcegos, pois, enquanto as cavernas tradicionais possuem um número que é relativamente pequeno de indivíduos, as cavernas quentes podem chegar a ter centenas de milhares de morcegos. Logo, quanto mais morcego, maior será o calor do ambiente.

Além dos morcegos, os autores desse trabalho mencionam que essas cavernas também abrigam outros organismos, como, por exemplo algumas espécies de artrópodes. Acontece que o prato predileto dos artrópodes das cavernas quentes são as fezes (eca!) de nossos morceguinhos. Embora para nós esse cardápio seja um tanto esquisito, outros trabalhos revelam que ele é muito apreciado por vários besouros, e que, tanto o cocô dos morcegos, como o microclima dessas cavernas propiciam o lar adequado para esses artrópodes. Contudo, diferente dos morcegos, a fauna desses artrópodes ainda é muito pouco conhecida, devido à baixa quantidade de estudos sobre eles.

O artigo aproveita também para falar sobre algumas adaptações biofísicas dos morcegos desenvolvidas ao longo do tempo evolutivo, que adequam a vida deles aos ambientes das cavernas quentes. Eles conseguem reduzir sua taxa metabólica, além de possuírem morfologia adequada para a conservação de água: as membranas naturalmente ressecadas de suas asas são essenciais para reduzirem a perda de água quando estão enchendo o papo fora do microclima úmido da floresta.

Agora chegamos ao lado trágico história. Infelizmente, os ambientes das cavernas quentes vêm sendo ameaçado pelas atividades dos seres humanos, principalmente no que diz respeito à extração do guano (nome chique para o cocô do morcego), que é utilizado frequentemente como fertilizante. Além disso, o trabalho também menciona o quanto a urbanização, a agricultura, o turismo e outras ações antrópicas afetam a vida dos organismos que vivem nessas cavernas. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, mais de 8 milhões de toneladas de cimento são produzidos por ano nas ilhas do Caribe, e isso é possível devido à extração de calcário das cavernas quentes existentes na região.

Mas esse não é o fim da história: no artigo os autores também, apresentam oportunidades para a conservação desses ambientes. Mesmo existindo um bom conhecimento a respeito das cavernas quentes, ainda há muito que se descobrir, e estudar as variáveis ambientais, a ecologia e a distribuição geográfica dos organismos que vivem nesses lugares é um passo decisivo para conhecermos mais sobre seu nicho ecológico. E conhecer o nicho ecológico de um determinado grupo possibilita aos cientistas tomar as medidas adequadas para preservar os seres vivos.

Arthur Filipe da Silva – Graduando em Ciências Biológicas – Universidade Federal de Alagoas.

Referência:
Ladle, R.J. et al. (2012). Unexplored Diversity and Conservation Potential of Neotropical Hot Caves. Conservation Biology. DOI: 10.1111/j.1523­1739.2012.01936.x

Originalmente publicado no blog Causos da Ciência: http://causosdaciencia.blogspot.com.br

Jacaretinga ­- seriam realmente importantes?

O Caiman crocodilus da família Alligatoridae, conhecido popularmente por jacaretinga ou jacaré-­de-­óculos, é encontrado desde o sul do México até o noroeste da América do Sul. É o mais comum dentre os crocodilianos brasileiros, sendo estimado mais de um milhão de animais, apesar de algumas populações terem sido reduzidas. O jacaretinga é um réptil carnívoro que recebe este nome devido ao seu dorso branco, em tupi a palavra tinga significa branco, os indivíduos jovens são mais amarelados com manchas e faixas escuras no corpo e no rabo, porém quando crescem, perdem sua coloração amarelada e as marcas ficam menos distintas, os adultos são verde-­oliva. São também conhecidos como jacaré­-de-­óculos, graças a uma estrutura óssea próxima aos olhos, como um par de óculos. É uma espécie extremamente adaptável encontrada em praticamente todos os habitats fluviais e lacustres, dentro de sua área de distribuição geográfica, e é facilmente encontrado ao longo da bacia amazônica e da bacia Tocantins.

Os machos podem atingir cerca de 2,5 metros e as fêmeas por volta de 1,6 metros, atingem uma média de 40 quilos. As fêmeas atingem a maturidade sexual entre 4 e 7 anos de idade, em geral quando medem 1,2 metros.O cruzamento ocorre na estação chuvosa. A fêmea faz um ninho aglomerando pequenas quantidades de vegetação seca e terra e põe ali entre 14 e 40 ovos, que demoram em média sessenta dias para eclodir; ao nascerem os filhotes possuem cerca de apenas 20 centímetros. Sua alimentação varia com seu crescimento, quando jovens predam uma grande variedade de invertebrados aquáticos como insetos, crustáceos e moluscos, quando adultos grande parte da sua dieta é formada por peixes, anfíbios, répteis, aves aquáticas e pequenos mamíferos.

A criação de animais silvestres em cativeiro para fins comerciais ou econômicos é regulada pelo IBAMA que fornece uma lista com as espécies silvestre onde esse manejo é permitido. O Jacaretinga tem o seu manejo para fins comerciais permitido, visando à venda da carne e do couro do animal. Se bem tratado o abate do animal ocorre aos 2 anos de idade, nesta fase a largura abdominal é de aproximadamente 27 cm, aumentando o valor do animal no mercado. A carne rende 1,7 quilos por animal, sendo vendido para restaurantes especializados, o couro necessita de um cuidado especial tanto para o abate do animal quanto para a retirada do mesmo, para que não ocorra dano ao couro, visando um melhor aproveitamento. A criação de jacaré pode ser lucrativa já que apenas 5% dos animais nascidos na natureza atingem a idade adulta, em cativeiro são 90%.O couro do animal caçado só tem 25% de aproveitamento, em cativeiro é de 100%, levando em consideração que a caça é ilegal.

O Jacaretinga foi categorizado como Menos Preocupante (LC) na lista de animais ameaçados da fauna brasileira, porém ainda assim, a caça e a destruição de habitats são grandes ameaça para algumas subpopulações. Os jacarés são ecologicamente importantes, uma vez que fazem o controle populacional de outras espécies, ao se alimentar dos indivíduos mais fracos e velhos e doentes, que não conseguem fugir realizam um controle biológico.

Planos de conservação e manejo lucrativo, como atrativo turístico local ou para a comercialização da carne e produtos derivados são uma forma de tentar viabilizar a manutenção das populações, e poderiam ser implementados em regiões de ocorrência da espécie dentro de unidades de conservação de uso sustentável,também a aplicação de leis ambientais em áreas de ocorrência da espécie fora de unidade de conservação deve ser urgente, com motivação de proteção dos ambientes aquáticos, dos quais depende diretamente a fauna aquática.

João Rafael Mena Romeiro, Samira Barcelos de Carvalho, Otávio Rodrigues Lopes e Israel Moreno Ferreira Silva – Graduandos do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

Ema, a maior ave brasileira – biologia e conservação

Rhea americana americana (Linnaeus, 1758), pertence à classe das Aves, Reino Animalia, e é também conhecida como “ema congo”; “nhandu”, “ñandú“ (que significa “a corredora” em guarani). Esta espécie é considerada a maior ave do Brasil. Em terra é a ave mais veloz das Américas perdendo apenas para o avestruz africano. No livro vermelho são classificadas como quase ameaçadas. Os adultos desta espécie podem medir de 1,27 até 1,40 metros. Estão distribuídas em regiões campestres, cerrados e áreas de uso agropecuário (tais como pastos e plantios de soja), mas apenas em locais onde não é alvo de perseguição. Estas aves são ratitas e utilizam as asas apenas para o equilíbrio. Bebem pouca água e em épocas de muito calor dormem durante o dia e as noites saem em busca do seu alimento. É uma ave onívora, com dieta baseada em insetos, roedores, répteis, capim e sementes.

Esta espécie pode viver em grupos de até 30 indivíduos. A época do acasalamento começa em outubro, e é dada pela dança do acasalamento (que consiste em saltos, abrir das asas, sacudir pescoço e alguns roncos) que é feita pelo macho, desta forma ele tende a reunir de 5 ou 6 fêmeas, e assim escolher um local para fazer o ninho.Cada fêmea põe de 10 a 30 ovos. Estes ficam fora do ninho e o macho se encarrega de arrumá­-los para a choca, rolando-os para dentro do ninho, quando este está cheio. O macho afasta as fêmeas e se responsabiliza por chocar os ovos, e as fêmeas retardatárias têm de botar os ovos apenas do lado do ninho. Os machos chegam a ficar oito semanas sem comer ou beber água ­ vivendo apenas de gordura corporal armazenada ­ para cuidar do ninho. Durante a choca o macho fica extremamente agressivo. Enquanto isso, as fêmeas vão acasalar com outros parceiros, podendo formar até três ninhos diferentes em uma mesma temporada.

Os ovos que não eclodem são colocados para fora do ninho ou são deixados para trás, servindo de alimento para predadores (lagartos, lobo-guará, felinos e gaviões) ou serão adotados por outro grupo de emas. Assim que os filhotes nascem, o cheiro liberado pelo que servirão de alimento dos filhotes. Suas crias ficam aos cuidados dos pais até atingirem a idade adulta. A maturidade sexual chega em torno de um ano e meio de idade ou dois anos.

Registros desta espécie onde a população humana é mais densa são escassos. Quando algo as assusta as emas abaixam o pescoço e se afastam de repente em um zigue-­zague ligeiro abrindo as asas e inflando a plumagem.

A criação desses animais silvestres tem sido uma das alternativas inovadoras econômica-conservacionistas que mais crescem no Brasil e no mundo.

A criação pode ser do tipo 1.intensivo, 2.semi-intensivo e 3.extensivo.

1.Sistema intensivo: os ovos são chocados em chocadeira e depois os filhotes são levados a piquetes onde irão receber alimentação abundante até atingir a época do abate.

2.Sistema semi-­intensivo: utiliza áreas naturais de campo ou cerrado onde pode ser criadas de 50 a 70 emas por hectare.

3. Sistema extensivo: pode ser feito o consórcio com bovinos, caprinas, capivaras e pacas recomendam-­se 10 emas por hectare.

Para deixar o ambiente de criação mais parecido com o natural, afim de evitar estresse e mau condicionamento é preciso algumas atividades que estimulem a busca, o conhecimento, a descoberta e o entretenimento do animal, isto pode ser feito através de certas medidas como:

•  Espalhar alimentos no chão para encorajar os animais a forragearem no solo, ou colocar bandejas em um ponto alto;

•  Introduzir lagos e grandes caixas com areia solta, o que despertará nos animais, o comportamento natural de se limpar;

•  Pendurar galhos com folhas frescas no alto e latas amassadas, tampas de garrafas e bolas coloridas;

•  Os recintos devem ter espaços grandes, com alguns troncos espalhados verticalmente pelo chão, possibilitando aos animais correr a toda velocidade, e afastar-se dos outros quando desejado;

Para iniciar uma criação de emas é preciso de muito planejamento e conhecimento sobre o mercado consumidor dos produtos e também sobre a espécie.

Ana Cláudia Alves, Caroliny Fernandes, Paloma Silva e Nathan Amorim ­- Graduandos do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa ­- Campus Rio Paranaíba.

Cutia, um roedor lucrativo!

A cutia, pertencente ao gênero Dasyprocta, é um mamífero de pequeno porte, medindo entre 50 a 60cm, e pesando entre 1 a 3 kg, contendo uma cauda rudimentar. Sua coloração geralmente é marrom-avermelhada, sendo o lado ventral mais claro. Apresenta membros dianteiros curtos, de modo que auxiliam na alimentação; cinco dedos onde os posteriores são longos, auxiliando nos saltos e, três dedos, ambos membros possuindo unhas fortes. Possuem hábito de lamber o seu corpo, como forma de se limpar. São animais herbívoros, alimentam-­se de: hortaliças, tubérculos, sementes e frutas. Sua dieta pode ser complementada através de rações, a mesma dada a coelhos. O período reprodutivo inicia-­se a partir dos 10 meses de idade, período no qual o mamífero atinge a maturidade sexual. A gestação dura cerca de 104 dias; tendo em média duas crias por parto, que pode ocorrer em qualquer época do ano. Aos três meses de idade, o filhote é desmamado e transferido para outra baia (piquete), iniciando a nova reprodução. Este gênero encontra-se distribuído nos biomas do Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia. São características de regiões com clima tropical a temperado, não ocorrendo em regiões mais frias.

Mas, porque criar cutias? A resposta é bem simples! É um animal simples e de fácil adaptação. Sua carne é bem nutritiva e de alto valor comercial. Possui baixo custo de produção e necessita de pouco espaço para sua criação. O abate destes animais pode ser dado a partir dos 12 meses, com 3 a 4 quilos. E podem ser comercializados como matrizes para outros criadouros após 6 meses.

Em seu manuseio é importante ter cuidado ao aplicar vacinas e medicamentos, já que podem gerar momentos de estresse, deixando o animal agressivo. As fêmeas, quando prontas para parir, devem ser isoladas a fim de evitar que os filhotes sejam comidos por outras cutias de um mesmo grupo. As instalações devem ser bem localizadas e com estrutura adequada ao clima de cada região. Em locais frios, opte por instalações fechadas e temperaturas elevadas, sendo melhor ambientes arejados com janelas grandes e teladas.

Para cada cutia é necessário construir uma caixaninho, costume característico do animal de forrar o ninho com palha seca, que ajuda a manter o interior do ninho sem umidade, deixando-­o criadouro mais semelhantes ao seu hábitat natural. Os animais também precisam de um espaço aberto no confinamento, onde devem ser construídas piscinas para banhos. O piso acimentado facilita a limpeza e a desinfecção do local, e ajuda a evitar que elas façam escavações para escada. Para evitar doenças, é recomendado fazer a limpeza do local semanalmente e exames parasitológicos a cada 3 meses, já que enfermidades causadas por endoparasitas, exoparasitas e pneumonias são bem comuns nos indivíduos jovens, prejudicando seu crescimento e desenvolvimento.

A criação das cutias é uma forma de preservar a espécie, e de evitar o seu tráfico e caça ilegal, além das qualidades nutricionais e da atividade comercial, a qual é bastante rentável ao criador. Portanto, ressalta­-se a importância do conhecimento da biologia e ecologia destes animais, uma vez que as técnicas de manejo dependem do conhecimento prévio para efetividade na conservação e criação para fins comerciais.

Cíntya Lisboa, Júlia G.O Gomes, Larissa Alves de Lima e Lohany Idargo de Souza – Graduandos do curso de Ciências Biológicas na Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

Biodiversidade: … o que é mesmo?!

Muitos já ouviram falar, mas poucos sabem realmente o que é biodiversidade. É o que confirma um estudo feito pela União para o BioComércio Ético (UEBT), a qual ouviu pessoas de 16 países, inclusive o Brasil. Os resultados demonstraram que, pelo menos em nosso país, menos da metade dos entrevistados sabem explicar o que significa o termo, uma média relativamente alta quando comparada à dos demais países participantes da pesquisa. Mas vamos lá: o que significa Biodiversidade?! Ao pé da letra seria “Diversidade da vida”, ou seja, todas as formas de vida existentes estariam incluídas no termo Biodiversidade. Diversos significados são encontrados, mas todos eles envolvem a diversidade da natureza viva. Em 1992, a Convenção da Diversidade Biológica definiu biodiversidade como a variedade de organismos vivos existentes no planeta ou em uma determinada região do globo, incluindo ecossistemas terrestres, marinhos e outros. Além disso, o termo leva em conta a variedade genética dentro das populações e espécies, tanto quanto a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos bem como seus hábitats e ecossistemas. Esclarecer o real significado da palavra, além de contribuir para o conhecimento da população, também é importante para demonstrar a importância da frase: “Devemos todos conservar a Biodiversidade”. Diante disso, cientistas trabalham constantemente na divulgação científica acerca do tema, destacando a importância de preservar a biodiversidade mundial e as maneiras como isso pode ser feito. Compreensão e dedicação são pontos fundamentais nessa luta de preservação.

Fonte:
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2015/07/biodiversidadeconheco­de­algum­lugar..

Por: Rosana Mesquita

Por que a soneca do despertador é de 9 minutos?

Por que o período de “soneca” (Snooze) do meu telefone é de 9 minutos. Por que não 10 minutos? Ou 5? Ou 7? O mais engraçado é que o período de 9 minutos é muito comum entre os alarmes. Será que isso tem uma causa fisiológica? Ou psicológica? Ou cultural? Será que os alarmes têm 9 minutos de soneca no Japão? Na Índia? Quantas vezes uma pessoa em média aperta o botão de soneca? Bom, essas perguntas passam em ciclos de 9 minutos pela minha cabeça umas 5 ou 6 vezes toda manhã. Hoje, em um momento de pura procrastinação produtiva, tentei buscar a resposta. Aparentemente a função de “snooze” foi adicionada aos relógios na época, isso quer dizer que os engenheiros deveriam encaixar uma engrenagem extra entre as engrenagens já existentes nos relógios. Duas opções existiam: um pouco menos que 10 minutos e um pouco mais de 10 minutos. A engrenagem de 9 minutos foi escolhida porque os engenheiros acreditavam que um tempo maior faria pessoas cair em um sono profundo demais para acordarem de novo. A engrenagem de 9 minutos acabou virando o padrão entre os relógios, padrão que foi mantido mesmo após a transição para o mundo digital.

Texto escrito e publicado por: Carlos Hotta em seu blog “Brontossauros em meu jardim”.
Link:: http://www.carloshotta.com.br/brontossaurol.

Dormir para Lembrar!

Estudos de neurociência afirmam: tirar uma soneca após a aula pode ajudar a fixar na memória o conteúdo aprendido! Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) fizeram a pesquisa com cerca de 580 alunos de sete escolas de Natal, RN, cujo o objetivo era avaliar o que era registrado na mente dos alunos durante uma soneca após a aula. A metodologia se baseava em testes aplicados aos alunos sobre o que havia sido ministrado em aula, isso se dava logo após sonecas que tinham 50 minutos a duas horas de duração.

Os resultados encontrados eram comparados à outro grupo de alunos, aqueles que não dormiam depois da aula. Após duas etapas de testes, os cientistas concluíram que aqueles alunos que tiraram a soneca tiveram 10% a mais de retenção de memória quando comparados aos que não haviam dormido, confirmando os benefícios do sono.

Então não se sinta culpado por tirar um cochilo durante maravilhosos minutos após a aula, vai fazer bem à você e à sua memória!

Fonte:
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2015/07/dormir-­para-lembrar

Por: Rosana Mesquita

O Pinguim de Magalhães.

Muitas vezes, vemos na televisão, uma notícia sobre algum pinguim perdido que aparece na costa sul do Brasil. Cansados de tanto nadar, chegam fracos e com fome, praticamente sem esperanças. Estes pinguins (que nunca chegarão ao Alto Paranaíba, porque não vivem em nossa região) veem de lugares longínquos, de paisagens de gelo e neve. Veem da Argentina e Chile, bem ao sul do continente.

Dentro da escala zoológica são classificados como “Aves”. No entanto, não se trata de qualquer ave, são aves que não sabem voar, mas sabem nadar e muito bem… e apresentam uma série de adaptações, como, por exemplo: uma alta capacidade pulmonar e cardíaca, especiais para respirarem no caso de submergirem a profundidades relativas; uma capa grossa de gordura chamada “panículo adiposo” que os protege do frio; e possuem asas na forma de remos e as patas com membranas interdigitais para melhor nadarem e para facilitar a locomoção na água.

Características gerais:

Podemos considerar o pinguim de Magalhães como um pinguim pequeno, não passa dos 6 kg e dos 70 cm de altura. Sua coloração não é muito chamativa, tem na cabeça uma lista branca que passa por cima das sobrancelhas, rodeia as orelhas e se une no pescoço. E uma lista negra e fina no peito e barrigana forma de ferradura. Seus olhos, bico e patas são negros.

Os pinguins possuem as patas curtas e o corpo volumoso, o que faz com que o caminhar seja lento e cerimonioso.

As plumas que cobrem o corpo e as asas são pequenas e curtas e estão distribuídas sobre a pele de modo uniforme.

Alimentam­-se no mar. Comem peixes, crustáceos (entre eles, krill) e lulas. O pinguim é um exímio caçador. Nada abaixo d’água, a uns 30 cm da superfície, com o corpo quase horizontal, em busca de comida. A cada três minutos, aproximadamente, voltam à superfície para renovar a provisão de ar. Os predadores naturais destas aves são os leões marinhos, leopardos marinhos e orcas.

Reprodução:

Todos os anos, os pinguins de Magalhães formam as pinguineiras, lugares de reprodução nas costas patagônicas, Ilhas Falkland e Ilhas dos Estados. Fazem seus ninhos no solo. Macho e fêmea juntos empreendem a escavação e alternam nesta árdua tarefa. Pouco a pouco, constroem um buraco raso e de base ampla que se prolonga para dentro de um túnel de um pouco mais de um metro e meio de profundidade que será a verdadeira câmara de incubação dos ovos. Terminado o ninho, o casal encarrega­-se de recorrer a praia em busca de despojos, e pouco a pouco irá acumulando na entrada, ossos, gravetos, pedregulhos, ervas secas e plumas que proporcionarão abrigo e também resguardo.

Estes pinguins formam colônias numerosas. Os casais são monogâmicos e costumam estar unidos ao longo de toda a vida. A construção de um ninho exige um esforço notável, mas um bom ninho poderá alojar o casal durante vários anos. Machos e fêmeas o reconhecem perfeitamente entre as centenas de ninhos da pinguineira, e a cada ano se ocupam de restaurá-­lo, ou de reconstruí­-lo, caso tenha desmoronado.

Incubação e nascimento dos filhotes:

Ao final de setembro, as fêmeas põem um ovo de cor branca, fracamente tingido de um verde azulado, e quatro dias depois, um segundo ovo. Durante o período de incubação, machos e fêmeas devem proteger incessantemente o ninho da invasão das gaivotas e petréis, e da cobiça de outros pinguins. Uma vez mais, machos e fêmeas compartilham o trabalho. Ambos possuem uma zona do ventre desprovida de plumas, uma placa de incubação que resulta num estupendo radiador pelo qual, os corpos destas aves, especialmente adaptadas para conservar o calor, podem liberá­-lo e transmiti-lo aos ovos. Os pais viram os ovos de tempos em tempos durante a noite para que recebam de forma uniforme o calor que emana da placa. Durante o dia, os ovos são arejados, caso a temperatura seja elevada.

Em novembro, depois de cerca de quarenta dias, nascem os filhotes. Os ninhos se povoam de pequenos pinguins cinza, de penugem fina, que grunhem pedindo alimento. Os filhotes não sobrevivem sozinhos: nem sequer são capazes de digerir sua própria comida. Durante três meses são os país que comem no mar e, de volta ao ninho, abrem o bico para que sua prole meta a cabeça e remova o produto da pesca que já sofreu a ação dos sucos digesti­vos e se converteu em uma pasta morna e macia. Os pinguins de Magalhães são aves marinhas. Vivem em colônias nas costas do do continente sul-americano, no oceano Atlântico Sul. No entanto, esta estadia nas colônias ocorre somente durante o período de reprodução e muda dos filhotes (troca de penas) – que ocorre de setembro a abril ­, e passam o resto do ano no mar. São aves, portanto migratórias, capazes de se deslocarem a grandes distâncias. Comumente, ao longo da costa sul da Argentina, Uruguai e sul do Brasil. Há registro destas aves na região sudeste do Brasil, chegando ao Rio de Janeiro. E ainda, mais raramente, registros de ocorrência até mesmo, para a costa nordestina.

O futuro dos pinguins de Magalhães?

Como aves marinhas que vivem em colônias na costa do continente e também, que vivem no mar, os pinguins de Magalhães sofrem ameaças das ações humanas. Embora, no geral, os números de indivíduos e as tendências populacionais sejam incertas, temos o conhecimento do declínio de algumas das colônias destes pinguins. Esta diminuição das populações das colônias está provavelmente relacionada a atividades antrópicas como a exploração e transporte do petróleo oriundo de plataformas oceânicas, a pesca comercial, e talvez com mudanças climáticas. Derramamento e manchas de petróleo no oceano podem causar a morte destas aves. Não é incomum encontrar estes pinguins cobertos e ou manchados de óleo. Muitos são capturados acidentalmente por artefatos de pesca como redes-­de­-arrasto utilizadas na pesca de camarão. Além de que, a pesca comercial de peixes e crustáceos concorre pelos estoques de comida dos quais se valem os pinguins para sua alimentação e a dos seus filhotes. Outro fator de ameaça aos pinguins de Magalhães, mencionado pelos pesquisadores, é o turismo e visitas sem controle às pinguineiras. Como resultado destas ameaças,a espécie é classificada como ”quase ameaçada’’ na Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature and Natural Resources ­ IUCN (veja em http://www.iucnredlist.org/). Aves migratórias estão sujeitas a diferentes áreas e ambientes conforme o período do ano, o que dificulta a ado­ção de medidas para sua preservação. Para a preservação dos pinguins de Magalhães é fundamental que sejam adotadas medidas que garantam a proteção das áreas de procriação, evitem o derramamento de petróleo e adotem medidas eficientes para a contenção das manchas de óleo no caso de acidentes, e controlem a pesca comercial. A adoção de tais medidas depende de fatores econômicos, políticos e de logística de vários países.

É possível que a ocorrência das carcaças destes animais na costa brasileira ocorra por causas naturais, pois na natureza, nem todos os indivíduos sobrevivem. Mas já existem indícios que tais ocorrências também estão relacionadas aos problemas expostos acima. Uma carcaça de pinguim coberta de óleo encontrada na praia é um fato inegável da responsabilidade da ação humana.

Mónica S. Rodriguez – Professora das disciplinas Zoologia de Vertebrados do
curso de Ciências Biológicas – Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

Flávio Popazoglo – Professor de Metodologia e Prática de Ensino em Ciências e Biologia­ – Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Biologia.

Etnobotânica: o resgate do conhecimento popular sobre as plantas?

Com o avanço da ciência e da tecnologia e um mundo cada vez mais globalizado, as relações e o convívio entre os jovens e os mais velhos têm se estreitado. Além disso, todo conhecimento considerado popular e que não tenha caráter científico, muitas das vezes é tido como antiquado e depreciativo. Desta forma, se faz necessário o resgate do conhecimento popular que vêm se perdendo devido a esses fatores.

Uma das grandes áreas de conhecimento em que o ser humano atua, diz respeito ao uso das plantas, seja para fins medicinais, artesanais, plantas como tecnologia, dentre outros. Os vegetais são explorados pelo homem desde que este se estabeleceu na terra, sendo que o conhecimento sobre as plantas, veio da necessidade que o homem tinha de entender sua relação com os vegetais e como estes poderiam beneficiá­-lo de alguma forma atendendo necessidades básicas como alimentação, proteção, tratamen­to para doenças, etc. São diversos os usos aos quais se destinam as plantas em nossa sociedade. Essas utilidades variam de acordo com a cultura de cada povo. Tais conhecimentos contribuem muito para o avanço da ciência, principalmente em se tratando das plantas medicinais, algumas das quais têm efeito medicinal comprovado cientificamente. Quem nunca tomou um “cházinho” calmante ou para amenizar a dor de cabeça? Nesse sentido e, entendendo a importância de não permitir que o conhecimento popular se perca, é que surgiu a etnobotânica como ciência, no final do século XIX. O objetivo principal dessa ciência é estudar a relação entre o ser humano e as plantas. No início o foco era estudar as populações indígenas, no entanto, com o passar dos anos, a investigação se expandiu para as sociedades mais tradicionais.

Nas investigações etnobotânicas, o pesquisador, se envolve no contexto das pessoas pesquisadas, que são conhecidas como informantes, observando sua realidade e abstraindo toda informação possível sobre a relação do pesquisado com as plantas e como essas são importantes em seu dia­-a-­dia.

A pesquisa etnobotânica não serve apenas para resgatar os conhecimentos tradicionais sobre o uso das plantas, mas também traz ao homem o conhecimento sobre a diversidade cultural existente nos diferentes contextos sociais e é uma importante fonte de dados para conscientização e preservação ambiental. Para isso, um dos compromissos dessa ciência é compartilhar o conhecimento com quem o gerou, devolvendo aquele saber a comunidade investigada, com o objetivo de que isso contribua para a melhoria da qualidade de vida das populações estudadas.

Um bom observador do mundo natural, percebe o quão diversas são as plantas. Elas variam em formas, cores e tamanhos. Toda essa diversidade compreende uma riqueza inestimável de fonte de renda e sustento para a espécie humana. Muito do que consumimos, seja na alimentação, na medicina ou em outras áreas provém desse recurso natural que são os vegetais. Assim, conhecendo mais sobre a importância
dessa fonte de recursos e sobre como são utilizados pelo homem, é possível não apenas evitar que todo esse conhecimento tradicional se perca, mas também criar mecanismos para conservação das plantas.

Mardem Michael Ferreira da Silva – Graduando em Ciências Biológicas, Bolsista do Programa PET Educação – Universidade Federal de Viçosa – Campus UFV Florestal.