O Pinguim de Magalhães.

Muitas vezes, vemos na televisão, uma notícia sobre algum pinguim perdido que aparece na costa sul do Brasil. Cansados de tanto nadar, chegam fracos e com fome, praticamente sem esperanças. Estes pinguins (que nunca chegarão ao Alto Paranaíba, porque não vivem em nossa região) veem de lugares longínquos, de paisagens de gelo e neve. Veem da Argentina e Chile, bem ao sul do continente.

Dentro da escala zoológica são classificados como “Aves”. No entanto, não se trata de qualquer ave, são aves que não sabem voar, mas sabem nadar e muito bem… e apresentam uma série de adaptações, como, por exemplo: uma alta capacidade pulmonar e cardíaca, especiais para respirarem no caso de submergirem a profundidades relativas; uma capa grossa de gordura chamada “panículo adiposo” que os protege do frio; e possuem asas na forma de remos e as patas com membranas interdigitais para melhor nadarem e para facilitar a locomoção na água.

Características gerais:

Podemos considerar o pinguim de Magalhães como um pinguim pequeno, não passa dos 6 kg e dos 70 cm de altura. Sua coloração não é muito chamativa, tem na cabeça uma lista branca que passa por cima das sobrancelhas, rodeia as orelhas e se une no pescoço. E uma lista negra e fina no peito e barrigana forma de ferradura. Seus olhos, bico e patas são negros.

Os pinguins possuem as patas curtas e o corpo volumoso, o que faz com que o caminhar seja lento e cerimonioso.

As plumas que cobrem o corpo e as asas são pequenas e curtas e estão distribuídas sobre a pele de modo uniforme.

Alimentam­-se no mar. Comem peixes, crustáceos (entre eles, krill) e lulas. O pinguim é um exímio caçador. Nada abaixo d’água, a uns 30 cm da superfície, com o corpo quase horizontal, em busca de comida. A cada três minutos, aproximadamente, voltam à superfície para renovar a provisão de ar. Os predadores naturais destas aves são os leões marinhos, leopardos marinhos e orcas.

Reprodução:

Todos os anos, os pinguins de Magalhães formam as pinguineiras, lugares de reprodução nas costas patagônicas, Ilhas Falkland e Ilhas dos Estados. Fazem seus ninhos no solo. Macho e fêmea juntos empreendem a escavação e alternam nesta árdua tarefa. Pouco a pouco, constroem um buraco raso e de base ampla que se prolonga para dentro de um túnel de um pouco mais de um metro e meio de profundidade que será a verdadeira câmara de incubação dos ovos. Terminado o ninho, o casal encarrega­-se de recorrer a praia em busca de despojos, e pouco a pouco irá acumulando na entrada, ossos, gravetos, pedregulhos, ervas secas e plumas que proporcionarão abrigo e também resguardo.

Estes pinguins formam colônias numerosas. Os casais são monogâmicos e costumam estar unidos ao longo de toda a vida. A construção de um ninho exige um esforço notável, mas um bom ninho poderá alojar o casal durante vários anos. Machos e fêmeas o reconhecem perfeitamente entre as centenas de ninhos da pinguineira, e a cada ano se ocupam de restaurá-­lo, ou de reconstruí­-lo, caso tenha desmoronado.

Incubação e nascimento dos filhotes:

Ao final de setembro, as fêmeas põem um ovo de cor branca, fracamente tingido de um verde azulado, e quatro dias depois, um segundo ovo. Durante o período de incubação, machos e fêmeas devem proteger incessantemente o ninho da invasão das gaivotas e petréis, e da cobiça de outros pinguins. Uma vez mais, machos e fêmeas compartilham o trabalho. Ambos possuem uma zona do ventre desprovida de plumas, uma placa de incubação que resulta num estupendo radiador pelo qual, os corpos destas aves, especialmente adaptadas para conservar o calor, podem liberá­-lo e transmiti-lo aos ovos. Os pais viram os ovos de tempos em tempos durante a noite para que recebam de forma uniforme o calor que emana da placa. Durante o dia, os ovos são arejados, caso a temperatura seja elevada.

Em novembro, depois de cerca de quarenta dias, nascem os filhotes. Os ninhos se povoam de pequenos pinguins cinza, de penugem fina, que grunhem pedindo alimento. Os filhotes não sobrevivem sozinhos: nem sequer são capazes de digerir sua própria comida. Durante três meses são os país que comem no mar e, de volta ao ninho, abrem o bico para que sua prole meta a cabeça e remova o produto da pesca que já sofreu a ação dos sucos digesti­vos e se converteu em uma pasta morna e macia. Os pinguins de Magalhães são aves marinhas. Vivem em colônias nas costas do do continente sul-americano, no oceano Atlântico Sul. No entanto, esta estadia nas colônias ocorre somente durante o período de reprodução e muda dos filhotes (troca de penas) – que ocorre de setembro a abril ­, e passam o resto do ano no mar. São aves, portanto migratórias, capazes de se deslocarem a grandes distâncias. Comumente, ao longo da costa sul da Argentina, Uruguai e sul do Brasil. Há registro destas aves na região sudeste do Brasil, chegando ao Rio de Janeiro. E ainda, mais raramente, registros de ocorrência até mesmo, para a costa nordestina.

O futuro dos pinguins de Magalhães?

Como aves marinhas que vivem em colônias na costa do continente e também, que vivem no mar, os pinguins de Magalhães sofrem ameaças das ações humanas. Embora, no geral, os números de indivíduos e as tendências populacionais sejam incertas, temos o conhecimento do declínio de algumas das colônias destes pinguins. Esta diminuição das populações das colônias está provavelmente relacionada a atividades antrópicas como a exploração e transporte do petróleo oriundo de plataformas oceânicas, a pesca comercial, e talvez com mudanças climáticas. Derramamento e manchas de petróleo no oceano podem causar a morte destas aves. Não é incomum encontrar estes pinguins cobertos e ou manchados de óleo. Muitos são capturados acidentalmente por artefatos de pesca como redes-­de­-arrasto utilizadas na pesca de camarão. Além de que, a pesca comercial de peixes e crustáceos concorre pelos estoques de comida dos quais se valem os pinguins para sua alimentação e a dos seus filhotes. Outro fator de ameaça aos pinguins de Magalhães, mencionado pelos pesquisadores, é o turismo e visitas sem controle às pinguineiras. Como resultado destas ameaças,a espécie é classificada como ”quase ameaçada’’ na Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature and Natural Resources ­ IUCN (veja em http://www.iucnredlist.org/). Aves migratórias estão sujeitas a diferentes áreas e ambientes conforme o período do ano, o que dificulta a ado­ção de medidas para sua preservação. Para a preservação dos pinguins de Magalhães é fundamental que sejam adotadas medidas que garantam a proteção das áreas de procriação, evitem o derramamento de petróleo e adotem medidas eficientes para a contenção das manchas de óleo no caso de acidentes, e controlem a pesca comercial. A adoção de tais medidas depende de fatores econômicos, políticos e de logística de vários países.

É possível que a ocorrência das carcaças destes animais na costa brasileira ocorra por causas naturais, pois na natureza, nem todos os indivíduos sobrevivem. Mas já existem indícios que tais ocorrências também estão relacionadas aos problemas expostos acima. Uma carcaça de pinguim coberta de óleo encontrada na praia é um fato inegável da responsabilidade da ação humana.

Mónica S. Rodriguez – Professora das disciplinas Zoologia de Vertebrados do
curso de Ciências Biológicas – Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

Flávio Popazoglo – Professor de Metodologia e Prática de Ensino em Ciências e Biologia­ – Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Biologia.

Etnobotânica: o resgate do conhecimento popular sobre as plantas?

Com o avanço da ciência e da tecnologia e um mundo cada vez mais globalizado, as relações e o convívio entre os jovens e os mais velhos têm se estreitado. Além disso, todo conhecimento considerado popular e que não tenha caráter científico, muitas das vezes é tido como antiquado e depreciativo. Desta forma, se faz necessário o resgate do conhecimento popular que vêm se perdendo devido a esses fatores.

Uma das grandes áreas de conhecimento em que o ser humano atua, diz respeito ao uso das plantas, seja para fins medicinais, artesanais, plantas como tecnologia, dentre outros. Os vegetais são explorados pelo homem desde que este se estabeleceu na terra, sendo que o conhecimento sobre as plantas, veio da necessidade que o homem tinha de entender sua relação com os vegetais e como estes poderiam beneficiá­-lo de alguma forma atendendo necessidades básicas como alimentação, proteção, tratamen­to para doenças, etc. São diversos os usos aos quais se destinam as plantas em nossa sociedade. Essas utilidades variam de acordo com a cultura de cada povo. Tais conhecimentos contribuem muito para o avanço da ciência, principalmente em se tratando das plantas medicinais, algumas das quais têm efeito medicinal comprovado cientificamente. Quem nunca tomou um “cházinho” calmante ou para amenizar a dor de cabeça? Nesse sentido e, entendendo a importância de não permitir que o conhecimento popular se perca, é que surgiu a etnobotânica como ciência, no final do século XIX. O objetivo principal dessa ciência é estudar a relação entre o ser humano e as plantas. No início o foco era estudar as populações indígenas, no entanto, com o passar dos anos, a investigação se expandiu para as sociedades mais tradicionais.

Nas investigações etnobotânicas, o pesquisador, se envolve no contexto das pessoas pesquisadas, que são conhecidas como informantes, observando sua realidade e abstraindo toda informação possível sobre a relação do pesquisado com as plantas e como essas são importantes em seu dia­-a-­dia.

A pesquisa etnobotânica não serve apenas para resgatar os conhecimentos tradicionais sobre o uso das plantas, mas também traz ao homem o conhecimento sobre a diversidade cultural existente nos diferentes contextos sociais e é uma importante fonte de dados para conscientização e preservação ambiental. Para isso, um dos compromissos dessa ciência é compartilhar o conhecimento com quem o gerou, devolvendo aquele saber a comunidade investigada, com o objetivo de que isso contribua para a melhoria da qualidade de vida das populações estudadas.

Um bom observador do mundo natural, percebe o quão diversas são as plantas. Elas variam em formas, cores e tamanhos. Toda essa diversidade compreende uma riqueza inestimável de fonte de renda e sustento para a espécie humana. Muito do que consumimos, seja na alimentação, na medicina ou em outras áreas provém desse recurso natural que são os vegetais. Assim, conhecendo mais sobre a importância
dessa fonte de recursos e sobre como são utilizados pelo homem, é possível não apenas evitar que todo esse conhecimento tradicional se perca, mas também criar mecanismos para conservação das plantas.

Mardem Michael Ferreira da Silva – Graduando em Ciências Biológicas, Bolsista do Programa PET Educação – Universidade Federal de Viçosa – Campus UFV Florestal.

Parque Estadual do Pau Furado: conservando “bens” naturais

Todos sabemos a grande importância da criação de Unidades de Conservação: preservação da riqueza da biodiversidade, argumento já suficiente. De acordo com o site da Secretaria do Meio Ambiente, Unidades de conservação são definidas como um espaço territorial com características naturais de relevância ecológica e limites bem definidos, e tem como principal objetivo garantir a preservação da natureza. Estas são agrupadas em duas categorias no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As primeiras visam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais; as segundas defendem a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais (Lei nº 9.985 de 18 de julho de 2000).

O Parque Estadual do Pau Furado, unidade de conservação localizada entre os municípios de Uberlândia e Araguari, se encaixa na categoria de Unidades
de Proteção Integral. Um parque visa principalmente a preservação de ecossistemas naturais que possuem relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e atividades de educação e interpretação de forma ambiental, de recreação de contato com a natureza e de turismo ecológico (Lei nº 9.985 de 18 de julho de 2000). Sua criação se deu principalmente como medida compensatória aos problemas ambientais resultantes da instalação de uma usina hidrelétrica na região, a qual alagou cerca de 2.500 hectares de extensão. Quanto ao seu nome, está diretamente relacionado com a antiga estrada que ligava os municípios de Uberlândia e Araguari, e da ponte que existia sobre o Rio Araguari. O “ponto de referência” para viajantes de onde se localizava a ponte, era uma árvore Copaíba que existia bem junto à estrada, a qual tinha o tronco oco devido ao fogo constante que colocavam em sua base, daí o nome “Pau furado”.

Tem como mascote a Águia-cinzenta (Urubitinga coronata), a qual, curiosamente, só se reproduz em um único lugar do Parque.

A região delimitada do Parque conta com uma ampla biodiversidade. Já foram identificadas inúmeras espécies, tanto de animais, quanto de plantas, sendo algumas ameaçadas de extinção, como o conhecido tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e a arara-canindé (Ara ararauna). Quanto aos recursos hídricos, são preservadas principalmente duas cachoeiras, atributos de grande beleza cênica para a área. Diante disso, pode-se dizer que o Parque visa cumprir constantemente os objetivos de conservação propostos pelo SNUC, alertando para a completa necessidade de preservação dos recursos naturais por todos nós.

Profissionais capacitados nessa área de conservação trabalham constantemente com programas de educação ambiental para a população próxima assim como de outras cidades. A presença de uma bióloga no Parque é de total valia, já que sua atuação está principalmente relacionada com a conservação da biodiversidade, incentivando a aplicação de técnicas que cumpram esse objetivo. Para preservar de maneira correta é necessário conhecer, então quem sabe uma visita ao Parque Estadual do Pau Furado?! Essas e outras informações se encontram no blog oficial do Parque estadual: http://paufurado.blogspot.com.br/.

Rosana Mesquita Alves, graduanda do curso de Ciência Biológicas da Universidade Federal de Viçosa, Campus Rio Paranaíba MG.

Um novo membro já ameaçado

Foi descoberta recentemente nas florestas da Amazônia, uma nova espécie de primata. Conhecida popularmente como zogue-zogue-rabo-de-fogo (Callicebus miltoni), foi avistada pela primeira vez em 2011 no Mato Grosso e possui como característica marcante, e originária de seu nome popular, uma cauda avermelhada. São animais de cerca de 30 cm, de hábito arborícola e diurno e se alimenta principalmente-de-frutos.

Para confirmar a hipótese de que se tratava de uma nova espécie, foram feitos estudos de comparação de cores da pelagem, tamanho do crânio e corpo com as outras espécies do gênero. Os pesquisadores explicam que a primeira característica de comparação já foi suficiente para notar-se que se tratava de uma nova espécie, assim como dados moleculares obtidos posteriormente.

Porém, apesar de recentemente descoberta, a espécie já se encontra ameaçada e extinção, tendo como principal causa o constante desmatamento da região. Devido a isso, pesquisadores alertam a necessidade de mais estudos acerca da nossa biodiversidade, e das medidas a serem implementadas para tornar mais eficiente a conservação da mesma.

Por: Rosana Mesquita.

Transformando capim em energia

Originário na África e inicialmente implantado no Brasil como fonte de alimento para o gado, o capimelefante (Pennisetum purpureum) surge como utilidade em um novo campo de pesquisa: como fonte sustentável de energia!

Mas o que é energia sustentável?! É aquela que possui um ciclo equilibrado de produção e consumo, ou seja, seu uso é mais lento, permitindo que nesse tempo a natureza seja capaz de “repor” o que foi gasto. É um tipo de energia que leva em conta fatores ambientais, diminuindo o máximo possível os riscos causados aos recursos naturais e, assim, mantendo a existência destes para as gerações futuras.

Capimelefante, um tipo de gramínea perene, pode atingir até 5m de altura, possuindo em seu topo uma inflorescência de cerca de 15cm. Seu ingresso neste novo campo se deve principalmente em possuir rápido crescimento e alta produção de biomassa vegetal, além de contribuir eficientemente para o aumento de matéria orgânica no solo. Outro ponto positivo ao seu uso, também está relacionado ao seu metabolismo fotossintético C4, o qual contribui para uma maior eficiência no acúmulo de matéria seca e uma melhor assimilação de energia solar, aumentando a quantidade de biomassa produzida durante a fotossíntese.

Todo o processo é facilitado pelo cultivo simples do capim, o que desperta ainda mais interesse das indústrias. A espécie necessita de áreas pequenas para plantio, podendo ser instaladas até mesmo nos intermédios das indústrias, diminuindo gastos com transporte; pode ser plantada em solos pobres em nutrientes; é capaz de recuperar solos degradados; e possui alta produtividade.

Porém, pesquisadores citam a importância de mais estudos na área, alertando que deve-se conhecer bem as condições do uso do capimelefante como fonte
de energia. São necessários projetos-piloto que visem o estabelecimento de todas as maneiras de manejo e práticas de colheita e pós-colheita, para evitar
perda de matéria-prima. O capimelefante demonstra grande potencial em tal finalidade, uma geração de energia sustentável e que diminui a degradação do do meio ambiente, pontos positivos que devem ser levados em conta pelas indústrias. Proteger a natureza, e garantir a existência dos recursos naturais além de nosso dever, também é nossa obrigação.

Rosana Mesquita Alves, graduanda do curso de Ciência Biológicas da Universidade Federal de Viçosa, Campus Rio Paranaíba MG.

A perda diária da biodiversidade

Fonte: google.imagens

O sistema de transporte brasileiro consiste principalmente em uma matriz rodoviária, onde ocorre mais de 60% do escoamento dos produtos devido,
principalmente, à falta de investimentos e limitação do país nos sistemas fluviais, aéreos e ferroviários.

O uso de rodovias aumenta constantemente as taxas de atropelamentos de animais silvestres. De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade Federal de Lavras em Minas Gerais, a cada um segundo, 15 animais são atropelados no Brasil, dado que pode ser ainda mais assombroso, já que segundo pesquisas, até 475 milhões de animais silvestres morrem em nossas rodovias por ano. Esses números ainda são subestimados, pois existe pouca fiscalização, além de fatores como a taxa de remoção, a qual pode ser feita por exemplo pela chuva ou vento, o que dificulta estimar com precisão os reais dados.

A grande maioria dos animais silvestres atropelados, são pequenos vertebrados, sendo aproximadamente 90% dos casos, como por exemplo: sapos, cobras e pequenas aves. Segundo o CBEE, o restante está dividido entre animais de médio porte, cerca de 9%, como por exemplo: macacos, tamanduás mirins e veados. E 1% em animais de grande porte, como por exemplo: onças pintadas, lobo-guarás e capivaras. Onde muitas dessas espécies estão nas listas vermelhas de risco de extinção, prejudicando assim a biodiversidade brasileira.

O problema é que as estradas afetam de várias formas os ecossistemas, seja fisicamente por causa da erosão, aeração, sedimentação e a hidrologia local, quanto quimicamente, por causa da poluição e contaminação de metais pesados, poeira, ozônio, que poluem o ar, água e solo do local. Mas o problema maior gira em torno dos fatores biológicos. Isso se dá principalmente pelo efeito de borda, fragmentação do ambiente, introdução de espécies exóticas, diminuição de fluxo gênico entre as espécies e alterações nos comportamentos dos animais, muito relacionada com o estresse causado pela poluição sonora dos veículos.

Porém, existem espécies mais susceptíveis ao atropelamento, como os répteis, os quais usam o asfalto como fonte de calor para seu metabolismo; animais com hábitos noturnos, arbóreos, lentos, de visão pobre; e os que “congelam” por causa da luminosidade dos faróis dos veículos. Por outro lado, alguns atropelamentos acontecem de forma intencional, principalmente em serpentes, por causa da “cultura” do brasileiro em achar que esses animais são perigosos. Mas esses acidentes sendo intencionais ou não, causam perdas econômicas e também podem provocar mortes humanas.

Mas o que podemos fazer para diminuir os índices de atropelamentos de animais silvestres em rodovias brasileiras?! A solução pode ser encontrada através dos princípios da ecologia de estradas,um ramo da ecologia aplicada que procura encontrar e implantar soluções para esse problema. Algumas maneiras de amenizar esses acontecimentos se baseiam na educação ambiental e aumento de placas de sinalização que podem ser educativas e radares nas
estradas, servindo como alerta para diminuir a velocidade. Ou também na implantação de passagem de fauna, colocando telas para direcionar os animais, método já adotado em muitos países da Europa, porém acaba selecionando apenas alguns grupos de animais, o que pode ser um problema. E, por fim, o monitoramento das taxas de atropelamentos, o que permite determinar os hot-spots de perda da fauna e, assim, criar medidas mitigatórias de preservação da nossa biodiversidade.

Sendo assim, o CBEE propôs o “Sistema Urubu”, hoje dada como a maior rede social de conservação da biodiversidade brasileira. O Sistema reuni, sistematiza e disponibiliza informações sobre a mortalidade de fauna selvagem nas rodovias e ferrovias e tem por objetivo auxiliar o governo e as concessionárias na tomada de decisões para redução destes impactos. O aplicativo é muito fácil de ser utilizado e pode ser baixado gratuitamente através do link abaixo. Desse modo, todos podemos ajudar pesquisadores e autoridades a encontrar soluções para diminuir esses índices preocupantes. Conservar a
biodiversidade, tarefa de todos!

Link à respeito do aplicativo: Http://cbee.ufla.br/portal/sistema_urubu/urubu_mobile.php

Beatriz Cranchi Pazetto, graduanda do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa, Campus Rio Paranaíba.

Você conhece o sorgo?

O sorgo, Sorghum bicolor spp bicolor (L.) Moench, é uma planta africana, ela foi introduzida no Brasil no séc. XX. É uma planta herbácea anual, com altura média de 1 m podendo atingir até 5 m, dependendo do local de cultivo. Suas raízes são profundas e possui um caule sólido dividido em colmos ricos em sacarose. Suas folhas são longas podendo alcançar até 1 m, com 10 cm de largura, com margens planas ou onduladas. A flor é agrupada num conjunto de flores, denominado inflorescência, que fica na parte mais alta da planta, essa estrutura mede de 5 a 50 cm(Figura 1).

O grão do sorgo é redondo com diâmetro que varia entre 4 a 8 mm que variam em tamanho, forma e cor de acordo com a espécie, tem um peso entre 3 e 80 mg. Na parte externa do grão encontra-se uma boa reserva proteica, variando de 9 a 12%, no embrião e na porção interna do grão está armazenada uma alta reserva de amido (carboidrato), variando de 55 a 86%.

O sorgo se adapta bem ao clima quente, apresentando estruturas hábeis de tolerância à seca, às altas temperaturas, à elevada incidência de luz, e ao déficit hídrico. Algumas espécies são adaptadas a diferentes climas, inclusive às regiões temperadas (frias), desde que nessas áreas aconteça um período sem chuva e seco para que haja o desenvolvimento da cultura. Mundialmente mais de 35% é cultivado diretamente para consumo humano e os 65% restantes são utilizados principalmente para a alimentação animal, ao bioetanol e nos produtos industriais. Os Estados Unidos é o maior produtor e exportador de sorgo, sendo responsáveis por 20% da produção mundial e quase 80% das exportações mundiais. No Brasil a produção aumentou na década de 90, sendo a região centro-oeste a de maior cultivo do grão.

Sendo o quinto cereal mais produzido do mundo com uma produção de 61 milhões de toneladas por ano, apresenta vantagens de produção em condições climáticas adversas. É amplamente utilizado na África e em alguns países da Ásia na alimentação humana, nas Américas, Europa e
Oceania ele é pouco utilizado para este fim. Assim o sorgo tem grande potencial de ser explorado nos países do Ocidente como alimento.

É um cereal indicado como ingrediente substituto ao trigo em alimentos destinados a pessoas com reações adversas ao glúten (celíacos), sendo uma excelente alternativa na alimentação. Diferente de outros cereais como trigo (Triticum aestivum), cevada (Hordeum vulgare), aveia (Avena sativa), o sorgo não contém glúten. O glúten é uma rede proteica que torna a massa “macia e fofa” (pão, macarrão, entre outros). Nos Estados Unidos vários produtos à base deste cereal já estão disponíveis no comércio, entre eles: cereais matinais, barrinhas, biscoitos, grão inteiro, farinha do grão e cerveja.

Na África e na Ásia o grão já é utilizado como base alimentar, sua farinha é utilizada em diferentes receitas, tais como: Bouillie (África e Ásia), um mingau preparado com leite e água; Cuscuz (África), uma massa de sorgo pilado (uma farinha mais grossa com partículas grandes), com tempero a gosto, cozido no vapor; Injera (Etiópia), feita a partir da farinha misturada com água, um preparo para massa de panqueca; Dolo (África), cerveja feita a partir do processo de maltagem do grão; Nasha (Sudão), papa da farinha, voltada para bebês em desmame, pois é bastante energética. Já no Brasil, praticamente nada é comercializado para a alimentação humana, as proteínas do sorgo são estudadas para desenvolver genótipos que poderão ser utilizados para fabricação de pão com textura e sabor de qualidade, além de outras receitas para enriquecer a dieta dos celíacos. O sorgo apresenta, além da ausência do glúten, outros compostos nutricionais que são aplicados contra a obesidade, a prevenção das doenças
cardiovasculares, e o diabetes. Portanto, a grande presença de amido confirma o poder energético do grão de sorgo para a alimentação humana. A reserva de proteína corrobora a importância do grão como fonte proteica, principalmente quando comparado a outros alimentos próximos como arroz (média de 12% de proteína no grão) e trigo (média de 10% de proteína no grão). Além disso, o arroz e o trigo não toleram as adversidades ambientais para o seu desenvolvimento, já o sorgo tem maior tolerância, como já referido. A ausência do glúten beneficia quem tem intolerância, aumentando as possibilidades ao consumidor, ao agricultor e ao nutricionista, de mais um potencial alimento para diferentes dietas desejadas. Economicamente é um produto de grande viabilidade, visto que é de fácil produção, e cultivo de baixo custo, podendo ter um potencial
consumo interno e grande probabilidade de exportação para o mundo, gerando riqueza para o nosso país.

Natacha Silva é Mestra em Botânica; Universidade de Brasília UnB;Brasília
Vinícius Resende Bueno é Graduando de Ciência Biológicas; Universidade Federal de Viçosa UFV, Campus-Rio-Paranaíba,MinasGerais

A luta diária das plantas para sobreviver

Sempre que pensamos em como os organismos conseguem suportar a pressão da natureza, imaginamos animais como os mamíferos, que possuem pelos para proteger a pele e manter a temperatura corporal; pensamos também nos camelos que conseguem ficar até quinze dias sem beber água, suportando assim, viver no deserto. Em contrapartida, dificilmente nos recordamos das plantas como organismos que efetivamente lidam com a forte pressão natural. O motivo? Talvez porque as plantas sejam “bichinhos bem parados” e não chamem tanta atenção. Tomemos como exemplos, então, o fato das plantas serem imóveis, será que isso não gera nenhuma complicação par elas? Bom, no caso dos animais, quando sentem sede ou muito calor, podem tentar se esconder debaixo de uma árvore, correr para dentro de uma toca ou até se manter dentro da água para que se refresquem, mas e se fosse uma planta que quisesse evitar altas temperaturas, como ela faria? É claro que uma planta não sente calor como nós animais sentimos, mas grandes taxas de iluminação e temperaturas muito altas fazem com que as plantas tenham grande perda de água, o que pode causar ressecamento, podendo levar o organismo à morte. Portanto, sob esse ponto de vista, a vida das plantas é muito complicada, uma vez que elas suportam condições muito adversas; como em ambientes com alta irradiação solar, nem sempre há grande quantidade de água a disposição da planta, e a cada troca gasosa (entrada de CO2 para a fotossíntese), ocorre muita perda de água para o meio.

Fonte: serving.com/u/f62/14/82/46/80/ceiba

Vegetais que vivem em ambientes áridos, como a Caatinga e os desertos, suportam grande quantidade de luz sendo incidida sobre eles e há pouca quantidade de água disponível, como suportam isso? Geralmente esses organismos possuem diversas estruturas externas e internas que fazem com que a perda de água seja reduzido: folhas pequenas, pois quanto menor a superfície, dessas, menos água é perdida; muitas espécies possuem também tricomas – espécie de pelos que ficam sobre as plantas e que ajudam a proteger a superfície do organismo evitando o superaquecimento; outras possuem também uma camada de cera que age de forma a evitar a perda de água, isolando as células da folha e impedindo que elas tenham contato direto com o ambiente externo. Além dessas características citadas, existem também modificações nas raízes, que são ainda mais longas para que consigam absorver água que, muitas vezes, só está disponível em profundos lençóis freáticos. O tronco de algumas espécies funciona como reservatório de água, a espécie Barriguda (Ceiba glaziovii) (FOTO) tem o tronco com esses formatos característicos devido ao acumulo de água na estação chuvosa, já que na Caatinga há pouquíssima precipitação durante a estação seca, que é a mais duradoura. Todas as características supracitadas são apenas algumas que as plantas possuem para evitar o efeito que a fonte incidência de luz solar e a falta de água geram em seus organismos. Existem, inclusive, muitas espécies de ambientes secos, como os cactos, que tem uma estratégia própria para realizar a fotossíntese: absorvem CO2 à noite, “guardam” essa molécula dentro de suas folhas e o restante da fotossíntese ocorre durante o dia, dessa maneira elas perdem pouca água, já que durante a noite as temperaturas são mais baixas e não há luz solar. Portanto, quando pensamos em organismos que precisam todo dia driblar as dificuldades impostas pelo meio onde vivem para conseguirem sobreviver, lembremos então das plantas, que além de produzir parte considerável do O2 que respiramos, também apresentam diversas modificações e estratégias interessantes que mostram que mostram que mesmo sendo “bichinhos parados”, lutam bravamente para se manterem vivos, mesmo sob condições adversas.

Vinicius Resende Bueno é graduando do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba – MG, Brasil.

Descoberto o fóssil da ave mais antiga do Brasil

foto: Ismar Carvalho

A paleontologia brasileira passa por grandes novidades, e a mais recente é a descoberta de um pequeno fóssil de ave na Bacia do Araripe, no Ceará. A espécie, descrita por pesquisadores brasileiros e argentinos, foi dada como a ave mais antiga encontrada no Brasil. O fóssil foi encontrado em 2011, em rochas de calcário, material de excelente conservação durante milhares de anos.

Ainda sem nome científico, a ave pré-histórica, faz parte do grupo dos Enantiornithes, e possibilita estudos evolutivos a respeito das aves da América do Sul, já que o fóssil se encontra extremamente conservado, com grande parte da sua plumagem original.

As características detectáveis da espécie foram: um par de asas proeminentes, plumagem espessa, olhos grandes, cauda longa (8 cm), tamanho total de cerca de 14 cm. Supõe-se que se alimentava de insetos comuns na região encontrada e, pelas análises ósseas, o indivíduo encontrado era jovem. Pesquisadores destacam a importância da alegando que favorecerá para um maior entendimento acerca da origem das aves pertencentes ao grupo e posterior a evolução das mesmas, assim como sua total distribuição de forma paleobiogeográfica.

Por: Rosana Mesquita.

Captura Predatória e Comércio Ilegal de Aves!

Todos sabem que a biodiversidade no Brasil é enorme, e com as aves não é diferente. Nosso país abrange cerca de 1700 espécies de aves, o que garante a ocupação da terceira colocação de maior riqueza de aves do planeta, perdendo apenas para a Colômbia e o Peru.

Apesar dessa riqueza, com os mais diversos tamanhos e cores, o país é um dos que mais sofrem com traficantes da fauna silvestre. Segundo inúmeros sites, o comércio ilegal de animais silvestres, em especial o de aves, é a terceira atividade clandestina que mais move dinheiro ilegal, perdendo apenas para o tráfico de armas e o de drogas.

Existem leis regulamentadas para a venda de animais silvestres, porém, isso se trata de um processo um tanto quanto burocrático, o que leva pessoas com “pouco tempo” e muito dinheiro a abusar do comércio ilegal.

A captura para comércio ilegal de aves envolve métodos totalmente invasivos ao animal e a toda a biodiversidade local, principalmente devido a precariedade dos transportes usados, o que causa danos físicos e “emocionais” às espécie (estimase 9 mortes em cada 10 animais). Os traficantes geralmente adotam práticas agressivas, como cegar o animal, ingestão de calmantes e bebidas alcoólicas, para aquietar os animais, evitando assim complicações com fiscalizações. Filhotes são retirados de seus pais dessa forma, perdendo todo o cuidado parental, processo importante no desenvolvimento do indivíduo. Esses animais são traficados para pet shops, colecionadores particulares que tem prioridade por espécies raras e ameaçadas de extinção. Ao longo do tempo, o animal que vive preso, perde a capacidade de sobreviver e se defender sozinho, dificultando seu processo de soltura na natureza, que deverá ser feito com o acompanhamento de um especialista. E o pior: muitas das espécies de aves que são traficadas, estão escassas no país, com grande risco de extinção, sendo o tráfico ilegal um fator agravante para essa situação. Dentre as espécies podemos citar a Arara Azul (Anodorhynchus hyacinthinus), o Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) a Ararajuba (Aratinga guarouba) o Pica-Pau-Rei (Camphepilus robustus) e o Sabiá-Pimenta (Carponis melanocephalus).

O QUE PODEMOS FAZER?

Não comprar animais silvestres e nem incentivar ninguém a comprar em primeiro lugar. Ter espécies nativas em cativeiro, sem comprovação da origem do animal, é crime previsto em lei, e cada indivíduo capturado faz falta ao ambiente e não deixa seus descendentes.

Ajude com a vigilância caso presencie a venda em algum local. Avise a polícia.

Faça denúncias ao IBAMA através da Linha Verde Tel. 0800 61 8080.

Guilherme Wince de Moura é graduando do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa Campus Rio Paranaíba MG, Brasil.

Fonte : glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/10/11/comerciocacapredatoria.jpg