A perda diária da biodiversidade

Fonte: google.imagens

O sistema de transporte brasileiro consiste principalmente em uma matriz rodoviária, onde ocorre mais de 60% do escoamento dos produtos devido,
principalmente, à falta de investimentos e limitação do país nos sistemas fluviais, aéreos e ferroviários.

O uso de rodovias aumenta constantemente as taxas de atropelamentos de animais silvestres. De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade Federal de Lavras em Minas Gerais, a cada um segundo, 15 animais são atropelados no Brasil, dado que pode ser ainda mais assombroso, já que segundo pesquisas, até 475 milhões de animais silvestres morrem em nossas rodovias por ano. Esses números ainda são subestimados, pois existe pouca fiscalização, além de fatores como a taxa de remoção, a qual pode ser feita por exemplo pela chuva ou vento, o que dificulta estimar com precisão os reais dados.

A grande maioria dos animais silvestres atropelados, são pequenos vertebrados, sendo aproximadamente 90% dos casos, como por exemplo: sapos, cobras e pequenas aves. Segundo o CBEE, o restante está dividido entre animais de médio porte, cerca de 9%, como por exemplo: macacos, tamanduás mirins e veados. E 1% em animais de grande porte, como por exemplo: onças pintadas, lobo-guarás e capivaras. Onde muitas dessas espécies estão nas listas vermelhas de risco de extinção, prejudicando assim a biodiversidade brasileira.

O problema é que as estradas afetam de várias formas os ecossistemas, seja fisicamente por causa da erosão, aeração, sedimentação e a hidrologia local, quanto quimicamente, por causa da poluição e contaminação de metais pesados, poeira, ozônio, que poluem o ar, água e solo do local. Mas o problema maior gira em torno dos fatores biológicos. Isso se dá principalmente pelo efeito de borda, fragmentação do ambiente, introdução de espécies exóticas, diminuição de fluxo gênico entre as espécies e alterações nos comportamentos dos animais, muito relacionada com o estresse causado pela poluição sonora dos veículos.

Porém, existem espécies mais susceptíveis ao atropelamento, como os répteis, os quais usam o asfalto como fonte de calor para seu metabolismo; animais com hábitos noturnos, arbóreos, lentos, de visão pobre; e os que “congelam” por causa da luminosidade dos faróis dos veículos. Por outro lado, alguns atropelamentos acontecem de forma intencional, principalmente em serpentes, por causa da “cultura” do brasileiro em achar que esses animais são perigosos. Mas esses acidentes sendo intencionais ou não, causam perdas econômicas e também podem provocar mortes humanas.

Mas o que podemos fazer para diminuir os índices de atropelamentos de animais silvestres em rodovias brasileiras?! A solução pode ser encontrada através dos princípios da ecologia de estradas,um ramo da ecologia aplicada que procura encontrar e implantar soluções para esse problema. Algumas maneiras de amenizar esses acontecimentos se baseiam na educação ambiental e aumento de placas de sinalização que podem ser educativas e radares nas
estradas, servindo como alerta para diminuir a velocidade. Ou também na implantação de passagem de fauna, colocando telas para direcionar os animais, método já adotado em muitos países da Europa, porém acaba selecionando apenas alguns grupos de animais, o que pode ser um problema. E, por fim, o monitoramento das taxas de atropelamentos, o que permite determinar os hot-spots de perda da fauna e, assim, criar medidas mitigatórias de preservação da nossa biodiversidade.

Sendo assim, o CBEE propôs o “Sistema Urubu”, hoje dada como a maior rede social de conservação da biodiversidade brasileira. O Sistema reuni, sistematiza e disponibiliza informações sobre a mortalidade de fauna selvagem nas rodovias e ferrovias e tem por objetivo auxiliar o governo e as concessionárias na tomada de decisões para redução destes impactos. O aplicativo é muito fácil de ser utilizado e pode ser baixado gratuitamente através do link abaixo. Desse modo, todos podemos ajudar pesquisadores e autoridades a encontrar soluções para diminuir esses índices preocupantes. Conservar a
biodiversidade, tarefa de todos!

Link à respeito do aplicativo: Http://cbee.ufla.br/portal/sistema_urubu/urubu_mobile.php

Beatriz Cranchi Pazetto, graduanda do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa, Campus Rio Paranaíba.

Você conhece o sorgo?

O sorgo, Sorghum bicolor spp bicolor (L.) Moench, é uma planta africana, ela foi introduzida no Brasil no séc. XX. É uma planta herbácea anual, com altura média de 1 m podendo atingir até 5 m, dependendo do local de cultivo. Suas raízes são profundas e possui um caule sólido dividido em colmos ricos em sacarose. Suas folhas são longas podendo alcançar até 1 m, com 10 cm de largura, com margens planas ou onduladas. A flor é agrupada num conjunto de flores, denominado inflorescência, que fica na parte mais alta da planta, essa estrutura mede de 5 a 50 cm(Figura 1).

O grão do sorgo é redondo com diâmetro que varia entre 4 a 8 mm que variam em tamanho, forma e cor de acordo com a espécie, tem um peso entre 3 e 80 mg. Na parte externa do grão encontra-se uma boa reserva proteica, variando de 9 a 12%, no embrião e na porção interna do grão está armazenada uma alta reserva de amido (carboidrato), variando de 55 a 86%.

O sorgo se adapta bem ao clima quente, apresentando estruturas hábeis de tolerância à seca, às altas temperaturas, à elevada incidência de luz, e ao déficit hídrico. Algumas espécies são adaptadas a diferentes climas, inclusive às regiões temperadas (frias), desde que nessas áreas aconteça um período sem chuva e seco para que haja o desenvolvimento da cultura. Mundialmente mais de 35% é cultivado diretamente para consumo humano e os 65% restantes são utilizados principalmente para a alimentação animal, ao bioetanol e nos produtos industriais. Os Estados Unidos é o maior produtor e exportador de sorgo, sendo responsáveis por 20% da produção mundial e quase 80% das exportações mundiais. No Brasil a produção aumentou na década de 90, sendo a região centro-oeste a de maior cultivo do grão.

Sendo o quinto cereal mais produzido do mundo com uma produção de 61 milhões de toneladas por ano, apresenta vantagens de produção em condições climáticas adversas. É amplamente utilizado na África e em alguns países da Ásia na alimentação humana, nas Américas, Europa e
Oceania ele é pouco utilizado para este fim. Assim o sorgo tem grande potencial de ser explorado nos países do Ocidente como alimento.

É um cereal indicado como ingrediente substituto ao trigo em alimentos destinados a pessoas com reações adversas ao glúten (celíacos), sendo uma excelente alternativa na alimentação. Diferente de outros cereais como trigo (Triticum aestivum), cevada (Hordeum vulgare), aveia (Avena sativa), o sorgo não contém glúten. O glúten é uma rede proteica que torna a massa “macia e fofa” (pão, macarrão, entre outros). Nos Estados Unidos vários produtos à base deste cereal já estão disponíveis no comércio, entre eles: cereais matinais, barrinhas, biscoitos, grão inteiro, farinha do grão e cerveja.

Na África e na Ásia o grão já é utilizado como base alimentar, sua farinha é utilizada em diferentes receitas, tais como: Bouillie (África e Ásia), um mingau preparado com leite e água; Cuscuz (África), uma massa de sorgo pilado (uma farinha mais grossa com partículas grandes), com tempero a gosto, cozido no vapor; Injera (Etiópia), feita a partir da farinha misturada com água, um preparo para massa de panqueca; Dolo (África), cerveja feita a partir do processo de maltagem do grão; Nasha (Sudão), papa da farinha, voltada para bebês em desmame, pois é bastante energética. Já no Brasil, praticamente nada é comercializado para a alimentação humana, as proteínas do sorgo são estudadas para desenvolver genótipos que poderão ser utilizados para fabricação de pão com textura e sabor de qualidade, além de outras receitas para enriquecer a dieta dos celíacos. O sorgo apresenta, além da ausência do glúten, outros compostos nutricionais que são aplicados contra a obesidade, a prevenção das doenças
cardiovasculares, e o diabetes. Portanto, a grande presença de amido confirma o poder energético do grão de sorgo para a alimentação humana. A reserva de proteína corrobora a importância do grão como fonte proteica, principalmente quando comparado a outros alimentos próximos como arroz (média de 12% de proteína no grão) e trigo (média de 10% de proteína no grão). Além disso, o arroz e o trigo não toleram as adversidades ambientais para o seu desenvolvimento, já o sorgo tem maior tolerância, como já referido. A ausência do glúten beneficia quem tem intolerância, aumentando as possibilidades ao consumidor, ao agricultor e ao nutricionista, de mais um potencial alimento para diferentes dietas desejadas. Economicamente é um produto de grande viabilidade, visto que é de fácil produção, e cultivo de baixo custo, podendo ter um potencial
consumo interno e grande probabilidade de exportação para o mundo, gerando riqueza para o nosso país.

Natacha Silva é Mestra em Botânica; Universidade de Brasília UnB;Brasília
Vinícius Resende Bueno é Graduando de Ciência Biológicas; Universidade Federal de Viçosa UFV, Campus-Rio-Paranaíba,MinasGerais

A luta diária das plantas para sobreviver

Sempre que pensamos em como os organismos conseguem suportar a pressão da natureza, imaginamos animais como os mamíferos, que possuem pelos para proteger a pele e manter a temperatura corporal; pensamos também nos camelos que conseguem ficar até quinze dias sem beber água, suportando assim, viver no deserto. Em contrapartida, dificilmente nos recordamos das plantas como organismos que efetivamente lidam com a forte pressão natural. O motivo? Talvez porque as plantas sejam “bichinhos bem parados” e não chamem tanta atenção. Tomemos como exemplos, então, o fato das plantas serem imóveis, será que isso não gera nenhuma complicação par elas? Bom, no caso dos animais, quando sentem sede ou muito calor, podem tentar se esconder debaixo de uma árvore, correr para dentro de uma toca ou até se manter dentro da água para que se refresquem, mas e se fosse uma planta que quisesse evitar altas temperaturas, como ela faria? É claro que uma planta não sente calor como nós animais sentimos, mas grandes taxas de iluminação e temperaturas muito altas fazem com que as plantas tenham grande perda de água, o que pode causar ressecamento, podendo levar o organismo à morte. Portanto, sob esse ponto de vista, a vida das plantas é muito complicada, uma vez que elas suportam condições muito adversas; como em ambientes com alta irradiação solar, nem sempre há grande quantidade de água a disposição da planta, e a cada troca gasosa (entrada de CO2 para a fotossíntese), ocorre muita perda de água para o meio.

Fonte: serving.com/u/f62/14/82/46/80/ceiba

Vegetais que vivem em ambientes áridos, como a Caatinga e os desertos, suportam grande quantidade de luz sendo incidida sobre eles e há pouca quantidade de água disponível, como suportam isso? Geralmente esses organismos possuem diversas estruturas externas e internas que fazem com que a perda de água seja reduzido: folhas pequenas, pois quanto menor a superfície, dessas, menos água é perdida; muitas espécies possuem também tricomas – espécie de pelos que ficam sobre as plantas e que ajudam a proteger a superfície do organismo evitando o superaquecimento; outras possuem também uma camada de cera que age de forma a evitar a perda de água, isolando as células da folha e impedindo que elas tenham contato direto com o ambiente externo. Além dessas características citadas, existem também modificações nas raízes, que são ainda mais longas para que consigam absorver água que, muitas vezes, só está disponível em profundos lençóis freáticos. O tronco de algumas espécies funciona como reservatório de água, a espécie Barriguda (Ceiba glaziovii) (FOTO) tem o tronco com esses formatos característicos devido ao acumulo de água na estação chuvosa, já que na Caatinga há pouquíssima precipitação durante a estação seca, que é a mais duradoura. Todas as características supracitadas são apenas algumas que as plantas possuem para evitar o efeito que a fonte incidência de luz solar e a falta de água geram em seus organismos. Existem, inclusive, muitas espécies de ambientes secos, como os cactos, que tem uma estratégia própria para realizar a fotossíntese: absorvem CO2 à noite, “guardam” essa molécula dentro de suas folhas e o restante da fotossíntese ocorre durante o dia, dessa maneira elas perdem pouca água, já que durante a noite as temperaturas são mais baixas e não há luz solar. Portanto, quando pensamos em organismos que precisam todo dia driblar as dificuldades impostas pelo meio onde vivem para conseguirem sobreviver, lembremos então das plantas, que além de produzir parte considerável do O2 que respiramos, também apresentam diversas modificações e estratégias interessantes que mostram que mostram que mesmo sendo “bichinhos parados”, lutam bravamente para se manterem vivos, mesmo sob condições adversas.

Vinicius Resende Bueno é graduando do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba – MG, Brasil.

Descoberto o fóssil da ave mais antiga do Brasil

foto: Ismar Carvalho

A paleontologia brasileira passa por grandes novidades, e a mais recente é a descoberta de um pequeno fóssil de ave na Bacia do Araripe, no Ceará. A espécie, descrita por pesquisadores brasileiros e argentinos, foi dada como a ave mais antiga encontrada no Brasil. O fóssil foi encontrado em 2011, em rochas de calcário, material de excelente conservação durante milhares de anos.

Ainda sem nome científico, a ave pré-histórica, faz parte do grupo dos Enantiornithes, e possibilita estudos evolutivos a respeito das aves da América do Sul, já que o fóssil se encontra extremamente conservado, com grande parte da sua plumagem original.

As características detectáveis da espécie foram: um par de asas proeminentes, plumagem espessa, olhos grandes, cauda longa (8 cm), tamanho total de cerca de 14 cm. Supõe-se que se alimentava de insetos comuns na região encontrada e, pelas análises ósseas, o indivíduo encontrado era jovem. Pesquisadores destacam a importância da alegando que favorecerá para um maior entendimento acerca da origem das aves pertencentes ao grupo e posterior a evolução das mesmas, assim como sua total distribuição de forma paleobiogeográfica.

Por: Rosana Mesquita.

Captura Predatória e Comércio Ilegal de Aves!

Todos sabem que a biodiversidade no Brasil é enorme, e com as aves não é diferente. Nosso país abrange cerca de 1700 espécies de aves, o que garante a ocupação da terceira colocação de maior riqueza de aves do planeta, perdendo apenas para a Colômbia e o Peru.

Apesar dessa riqueza, com os mais diversos tamanhos e cores, o país é um dos que mais sofrem com traficantes da fauna silvestre. Segundo inúmeros sites, o comércio ilegal de animais silvestres, em especial o de aves, é a terceira atividade clandestina que mais move dinheiro ilegal, perdendo apenas para o tráfico de armas e o de drogas.

Existem leis regulamentadas para a venda de animais silvestres, porém, isso se trata de um processo um tanto quanto burocrático, o que leva pessoas com “pouco tempo” e muito dinheiro a abusar do comércio ilegal.

A captura para comércio ilegal de aves envolve métodos totalmente invasivos ao animal e a toda a biodiversidade local, principalmente devido a precariedade dos transportes usados, o que causa danos físicos e “emocionais” às espécie (estimase 9 mortes em cada 10 animais). Os traficantes geralmente adotam práticas agressivas, como cegar o animal, ingestão de calmantes e bebidas alcoólicas, para aquietar os animais, evitando assim complicações com fiscalizações. Filhotes são retirados de seus pais dessa forma, perdendo todo o cuidado parental, processo importante no desenvolvimento do indivíduo. Esses animais são traficados para pet shops, colecionadores particulares que tem prioridade por espécies raras e ameaçadas de extinção. Ao longo do tempo, o animal que vive preso, perde a capacidade de sobreviver e se defender sozinho, dificultando seu processo de soltura na natureza, que deverá ser feito com o acompanhamento de um especialista. E o pior: muitas das espécies de aves que são traficadas, estão escassas no país, com grande risco de extinção, sendo o tráfico ilegal um fator agravante para essa situação. Dentre as espécies podemos citar a Arara Azul (Anodorhynchus hyacinthinus), o Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) a Ararajuba (Aratinga guarouba) o Pica-Pau-Rei (Camphepilus robustus) e o Sabiá-Pimenta (Carponis melanocephalus).

O QUE PODEMOS FAZER?

Não comprar animais silvestres e nem incentivar ninguém a comprar em primeiro lugar. Ter espécies nativas em cativeiro, sem comprovação da origem do animal, é crime previsto em lei, e cada indivíduo capturado faz falta ao ambiente e não deixa seus descendentes.

Ajude com a vigilância caso presencie a venda em algum local. Avise a polícia.

Faça denúncias ao IBAMA através da Linha Verde Tel. 0800 61 8080.

Guilherme Wince de Moura é graduando do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa Campus Rio Paranaíba MG, Brasil.

Fonte : glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/10/11/comerciocacapredatoria.jpg

Herbário: local de pesquisa, ensino e extensão!

Herbário é uma coleção biológica de plantas desidratadas (secas) que foram coletadas e processadas de acordo com técnicas próprias e que tem como objetivo a formação de um banco de informações sobre a flora.

A planta coletada na natureza passa por processos que vão desde a secagem, identificação científica até o armazenamento do material no acervo. O material preparado recebe uma etiqueta que contém informações sobre dados observados no momento da coleta, procedência do material, nome popular e científico da espécie, família botânica a qual pertence e por fim um número de registro que indicará que a amostra se tornou patrimônio da Instituição a qual o herbário é vinculado.

A amostra obtida recebe o nome de exsicata que é a unidade básica da coleção de um herbário. As exsicatas apresentam flores e/ou frutos que são indispensáveis para identificação da espécie.Todas as exsicatas da coleção de um herbário são armazenadas em armários de metais em salas com umidade e temperatura controladas a fim de evitar a proliferação de fungos e insetos que possam eventualmente danificar o material e trazer prejuízos para as pesquisas científicas.

Herbários são importantes instrumentos de apoio à pesquisa científica. O material depositado nesse tipo de coleção serve como fonte para diversos estudos.

Fotografia: Lívia Constâncio de Siqueira

O acervo contém uma documentação científica importante que auxilia o pesquisador identificar o nome científico de uma planta por meio de comparação com o material devidamente identificado e confirmado por especialistas botânicos. Um herbário também é utilizado por alunos de diversos cursos relacionados à biologia vegetal, como Agronomia, Ciências Biológicas, Farmácia, Fitotecnia, dentre outros. Palestras e exposições sobre educação ambiental também podem ser realizadas em um herbário com o objetivo de conscientização.

O herbário não é a única coleção científica sobre plantas. Existem também coleções de frutos e sementes, chamadas carpotecas e
as xilotecas que são as coleções de madeiras. Sendo indispensável para o ensino da botânica, essas coleções possibilitam a capacitação de diversos profissionais.

As coleções botânicas são também um poderoso instrumento didático para o aprendizado de estudantes sejam eles do ensino superior ou básico, podendo ser uma excelente opção para esta última modalidade.

Utilizar coleções biológicas para difundir a ciência no ensino básico pode ser uma excelente alternativa para a fixação de conteúdos e a incorporação do aluno ao conhecimento prático sobre o meio natural levando-o a entender e respeitar a natureza. Assim, as coleções científicas são importantes centros de conhecimento e aprendizado, no entanto, em âmbito geral, pouco exploradas pelo ensino básico. Trabalhar com coleções didáticas em escolas pode funcionar de fora a estimular e despertar curiosidades nas aulas sobre o mundo natural.

Nesse sentido, o herbário se faz um instrumento em potencial para o ensino, não somente para esta modalidade, mas também para a pesquisa, e para a extensão. Com tantas utilidades, os herbários, contribuem de maneira geral para a difusão do conhecimento sobre a diversidade de plantas, a capacitação em botânica e também para a conscientização ambiental.

Mardem Michael Ferreira da Silva, Graduando em Ciências Biológicas, Bolsista do Programa PET-Educação. Universidade Federal de Viçosa Campus Florestal.

Lívia Constâncio de Siqueira, Bióloga, doutora em Botânica pela Universidade Federal de Viçosa – Campus Viçosa.

Os microrganismos a nosso favor!

Embora sejam os culpados por estragarem nossos alimentos ou provocarem diversas doenças infecciosas ou cancerígenas – no caso dos vírus em nós humanos e em outros animais, muitos microrganismos estão também a nosso favor. Os motivos que nos levam a afirmar isso são muitos,e um exemplo simples visualizado no nosso dia-a-dia é a decomposição de matéria orgânica,que ocorre devido,não só a fatores físico-químicos,mas principalmente à ação metabólica de várias espécies de bactérias e fungos. Microrganismos são capazes de transformar o lixo orgânico em adubo, se aplicarmos técnicas de compostagem; podem ainda sintetizar substâncias essenciais para a produção de alguns medicamentos dos quais eventualmente necessitamos, como os antibióticos, ou até mesmo alguns antiparasitários; são também utilizados para o tratamento de esgotos e outros poluentes – biorremediação.
Mas o principal objetivo aqui é relatar o poder dos microrganismos na fabricação de alguns de nossos alimentos. Isso mesmo! Fungos e bactérias são amplamente utilizados em processos biotecnológicos de fermentação industrial, transformando matérias primas em produtos deliciosos, e consumidos com frequência por nós. Queijos, iogurtes, pães, vinhos, cachaças, cervejas, e outras bebidas alcoólicas destiladas, são exemplos clássicos de resultados da ação dos microrganismos. Como isso acontece? Para entender, precisamos saber do que se trata a fermentação industrial, que é crucial na produção desses alimentos: ou sem a utilização de oxigênio, respectivamente para a transformação de um substrato em um produto de interesse.

Vamos então aos exemplos: para transformar o leite em queijo, é necessário que ele seja coalhado, e essa reação só é possível se for inserido um coalho ao leite. Mas o que é o coalho? O coalho é um derivado metabólico de algumas espécies de bactérias ou fungos que produzem a renina ou quimosina – através de fermentação, enzima capaz de coagular o leite, preparando-o para a produção de iogurtes e queijos. Outro exemplo é a produção de pães, que para crescerem recebem um fermento biológico: as leveduras. As leveduras são fungos responsáveis por fermentarem os açúcares da massa do pão (farinha de trigo, açúcar), produzindo CO2, proporcionando leveza e textura macia a esse alimento. Essas leveduras também produzem etanol nesse processo fermentativo, que é volatilizado quando o pão é assado. Mais um exemplo clássico da fermentação também resultante da ação das leveduras sintetizadoras de etanol é a produção de vinho, cuja matéria prima é a uva,e o produto final é um suco de uva com teor alcoólico. A fermentação também é utilizada na produção de alimentos como o chucrute, produzido a partir de repolho; picles, que são conservas vegetais em ácido acético derivado de fermentações; e até mesmo cacau e café cujos grãos são submetidos a uma etapa de fermentação de modo a prepará-los para a moagem: o cacau perderá seu sabor amargo,e passará a ter o típico sabor de chocolate,e o café terá sua polpa e película de pectina degradada,podendo então ser torrado.

Para concluirmos, fica a ressalva de que microrganismos não devem ser vistos apenas como organismos danosos e patogênicos. Assim como nós, eles só querem boas condições de sobrevivência: um meio líquido ou sólido para crescerem e se reproduzirem, e uma fonte de alimento, temperatura, umidade e pH ideais. E diferente de nós, eles não são seres racionais, portanto não sabem que o meio sólido em que eventualmente se encontram, rico em nutrientes e umidade, com uma temperatura perfeita para seu desenvolvimento é no nosso pacote de pão que está em cima do armário há duas semanas!

Naiani Tartarine é graduanda do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências Integradas do Pontal/Universidade Federal de Uberlândia-Ituiutaba,MG,Brasil.

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Esse site conta com a colaboração de alunos voluntários do Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva e de colabores externos para sua confecção, edição, envio e publicação on line.

A ciência na Roma antiga

 

Flávia Fróes de Motta Budant

Quando o assunto é ciência na Antiguidade, é normal que sejamos expostos atextos e dados  enciclopédicos, mais ilustrativosdo que explicativos. Pouco comum é que nos falem de que forma os antigos encaravam o fazer científico, que era o estudo dos mecanismos da Natureza, e de que maneira isso estava inserido no cotidiano e como se relacionava com a cultura local. É claro, podemos falar só  sobre as descobertas de cada povo – quem mediu a Terra primeiro, qual foi o primeiro homem a falar  em átomo –, mas entender como chegaram a elas nos ajuda a compreender como era de verdade a  ciência naquele tempo. Temos a mania de achar que a nossa época é a mais avançada – temos computadores hipervelozes, enviamos sondas espaciais para explorar a vizinhança galáctica e, acima de  tudo, não atribuímos acontecimentos da natureza a entidades sobrenaturais enfurecidas. Somos  evoluídos. No entanto, devemos admitir que os antigos também tinham um raciocínio tão complexo  quanto o nosso, por mais que não dispusessem da mesma tecnologia.

Para fugir do óbvio, vamos falar  de um povo pouco lembrado quando o assunto é ciência: os romanos. É preciso saber que os estudos,  em Roma, não eram conduzidos por qualquer um, e nem mesmo divulgados a todos. O desenvolvimento  cultural se restringia a uma elite, que mandava os filhos estudar com professores  gregos ou na própria Grécia. Como dizia o poeta Horácio, apesar de os romanos terem conquistado os  gregos, eram os helênicos que os mantinham cativos através da influência cultural.

Adiante, saibamos que, na antiguidade, investigar a Natureza era papel dos filósofos. Muitos textos que  hoje conhecemos por científicos são, na realidade, obras que pertencem a estoicos, epicuristas etc.      Vamos abordar a relação da Natureza com três grandes áreas do conhecimento romano: o Direito, a  retórica e a ética.

Cícero, um dos maiores escritores latinos, nos informa que os estudos naturais estavam bastante ligados ao modo como Roma era administrada através das leis. Lex est ratio summa  insita in natura quae iubet ea quae facienda sunt prohibitque contraria – a lei é a maior razão,  implantada na natureza, que manda as coisas que devem ser feitas e proíbe as contrárias. A natura  legitima a organização social pois esta também provém da ordem cósmica. E, assim como as regras cívicas são naturais, a própria Natureza tem suas leis. Lucrécio, que escreveu uma obra de divulgação  científica epicurista em latim, fala em foedera naturae – estipulações, regularidades que encontramos.  Encontrar simetria no funcionamento do Universo era como ter acesso a verdades encobertas: a partir  de analogias, conexões, sabia-se mais sobre o mundo em que se vivia.

Como espinha dorsal da educação romana, havia a retórica, a arte do discurso, do dizer bem através de manobras da linguagem. Ela  também moldou a forma de compreender a ciência. Sêneca, o filósofo, ao escrever as Questões Naturais,  não poupou construções que visavam conquistar o leitor, ao mesmo tempo em que transmitia informações a respeito dos rios, das estrelas etc. Lucrécio, em meio aos    átomos e às explicações físicas, utiliza ideias e argumentos moldados à maneira dos oradores, também    para trazer o leitor para perto de si e de suas teorias.

Quanto à ética, sabe-se que, como a ciência era feita por filósofos (lembremo-nos da grande interdisciplinaridade da Antiguidade), uma das perguntas   que se faziam era se havia – e quais seriam – as correspondências de seus atos no Universo. O poeta  estoico Lucano, em sua obra Farsália, a respeito da guerra civil entre César e Pompeu, aponta em diversos trechos a Natureza se manifestando de modo simétrico às atrocidades humanas: há  tempestades, eclipses, estrelas alterando o próprio curso, espelhando a barbaridade das batalhas.

Os  estudos científicos se relacionam profundamente com a cultura de cada época. Mas, apesar das grandes  diferenças na maneira de encarar a Natureza, é preciso reconhecer que o que fazia um romano olhar  para o céu e encontrar as constelações é o mesmo que nos faz desmontar um rádio velho para ver como  ele é por dentro. A curiosidade é uma constante humana e é o que nos move continuamente. É o que nos  iga tanto aos que já se foram quanto aos que virão: o mesmo fio evolutivo do amor pelo  conhecimento.

Flávia Fróes de Motta Budant é estudante de Graduação em Letras Português – Latim, na  Universidade Federal do Paraná, com ênfase em estudos da poesia latina.


Como Citar esse documento.

Budant. F. (2013).  A ciência na Roma antiga. Folha biológica 4: (4) 4

Alelopatia

Luciano Bueno dos Reis

Quando olhamos para um campo ou mata, diferentemente da aparente calma e convívio harmônico entre as plantas e outros componentes dos ecossistemas, grandes batalhas podem estar sendo travadas entre as plantas. Na competição por luz, água e nutrientes, as plantas podem lançar mão de diversas estratégias e armas para sobrepujar suas adversárias.
Dentre essas estratégias, as plantas podem usar um vasto arsenal bioquímico, com substâncias secretadas pelas raízes, volatilizadas pelas folhas ou mesmo resultantes da decomposição de partes mortas do vegetal. Tais compostos podem interferir no crescimento de outras plantas ou mesmo de microrganismos do solo. Essa interferência no crescimento de uma planta sobre a outra, por meio de uma substância química liberada, é conhecida como alelopatia.
Diversas classes de compostos podem agir como substâncias alelopáticas. Contudo,
o modo de ação de cada substância muitas vezes não é conhecido. Outras vezes, nem mesmo a substância responsável pelo efeito alelopático é identificada. Dessa forma, este é um campo que ainda demanda muita pesquisa científica básica.
Essas pesquisas na área de alelopatia podem ser bastante simples, já que os testes iniciais são realizados comumente verificando o efeito de extratos vegetais sobre a germinação de sementes como as de alface e tomate. E, identificada a ação alelopática, pode-se investir na identificação do composto responsável por esse efeito.
Tais estudos e a identificação de compostos que causam efeitos alelopáticos podem ser bastante úteis, não apenas para se conhecer melhor a ecologia vegetal, mas também porque essas substâncias têm potencialidade de uso na indústria farmacêutica (produção de remédios)e agroquímica (defensivos agrícolas).
No ambiente agrícola também há alelopatia e uma planta bastante conhecida pelos seus efeitos alelopáticos é o sorgo. Algumas culturas não se desenvolvem bem em solo onde sorgo estava plantado. Uma das substâncias alelopáticas produzidas pelo sorgo é a sorgoleona, que inibe a respiração mitocondrial. Dessa forma, o produtor deve tomar cuidado ao escolher a cultura que será plantada onde havia sorgo, pois isso pode interferir no crescimento de determinadas culturas e trazer prejuízos econômicos. A autotoxidez também pode contribuir para a redução da produtividade, como verificado para alguns cultivares de trigo e espécies da família Curcubitaceae, como o melão e pepino. Esses efeitos podem ser minimizados com a rotação de culturas. Em ambientes naturais essa ação autotóxica impede que sementes da mesma espécie germinem próximas das plantas que as produziram. Com isso, a planta “mãe” pode minimizar a competição com as plantas “filhas”. No campus de Rio Paranaíba, da Universidade Federal de Viçosa, alguns estudos sobre o efeito alelopático da macaúba têm sido realizados por estudantes do ensino médio da E. E. Adiron Gonçalves Boaventura, de Rio Paranaíba, vinculados ao programa de Iniciação Científica Júnior fomentado pelo CNPq, FAPEMIG e UFV. Atualmente, Rafaela Rocha e Amanda Mendes, ambas estudantes do 2º ano, trabalham no projeto coordenado pelo professor Luciano Bueno dos Reis.

Luciano Bueno dos Reis é biólogo formado pelaUniversidade Federal de Juiz de Fora, com mestrado e doutorado em Fisiologia Vegetal pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente é professor da Universidade Federal de Viçosa, campus de Rio Paranaíba, atuando nas áreas de Fisiologia Vegetal e Cultura de Tecidos de Plantas.


Como citar esse documento.

Reis. L. (2013). Alelopatia. Folha biológica 4: (3) 4.