Árvores Filogenéticas: o que são e como interpretá-las?

Caso você queira seguir uma carreira dentro da grande área das Ciências biológicas é quase impossível que em algum momento você não se depare com o que nós chamamos de Árvore Filogenética. Mas afinal, o que é isso? Uma árvore filogenética é uma representação gráfica em forma de árvore que mostra as relações evolutivas entre indivíduos, linhagens, populações, espécies e etc. Para simplificar, essas representações se assemelham muito a uma que provavelmente todos conhecem muito bem: a Árvore Genealógica.

A árvore genealógica mostra as relações de parentesco entre diferentes pessoas de uma mesma família, partindo de um ancestral em comum (por exemplo: um bisavô), onde nas ramificações internas teríamos os descendentes intermediários (avôs, avós, pais e mães) e no final dos ramos os últimos descendentes (irmãos e primos). Neste caso, os ramos que originam os irmãos partem de uma mesma ramificação (que representa sua mãe ou pai) e que não inclui seus primos. A árvore filogenética pode ser considerada uma extrapolação da árvore genealógica de algumas décadas ou séculos para centenas de milhares ou milhões de anos. A árvore filogenética segue dois preceitos importantes da evolução darwiniana. O primeiro preceito é a ancestralidade em comum, neste caso a origem da árvore representaria o ancestral comum do grupo e, portanto, de todas as espécies (como o “bisavô” das espécies). Já as ramificações internas representam os ancestrais intermediários entre algumas espécies, mas não todas (seriam como os pais, mães, avôs e avós), e os ramos terminais as espécies atuais. O segundo preceito é a Cladogênese, onde uma espécie ancestral origina duas ou mais espécies descendentes, processo que chamamos de especiação.

A maioria das pessoas tem dificuldade de compreender a ancestralidade em comum de todas as espécies ou como a cladogênese funciona, mas para simplificar vamos novamente recorrer ao exemplo da árvore genealógica. Imagine que estamos acompanhando uma mesma família brasileira bem numerosa por alguns séculos que se originou a partir de uma decavó que existiu no ano 1700 no sul do país (esse seria o primeiro preceito, a ancestralidade em comum). Agora, se nós pegarmos primos distantes descendentes dessa ancestral (10º grau ou mais) eles seriam tão diferentes que nem os reconheceríamos como membros da mesma família.

As diferenças seriam ainda mais drásticas se estivessem em diferentes estados e regiões. Imagine que um dos ancestrais intermediários dessa família decidiu mudar para um estado no norte do país e construir sua família lá, seus descendentes ao se casarem e gerarem filhos(as) com as pessoas do novo estado teriam cultura, hábitos, sotaque e até mesmo aparência bem diferentes dos parentes do sul (esse seria o segundo preceito, a cladogênese). Se você entendeu imagine todo esse processo em milhões de anos e compreenderá como espécies muito diferentes se originaram de ancestrais comuns a partir de vários eventos de cladogênese.

Igor Henrique Rodrigues Oliveira é formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba e mestrando no programa de pós-graduação de Manejo e Conservação de Ecossistemas Naturais e Agrários da Universidade Federal de Viçosa – Campus Florestal

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