Aquilo ali é um Bem-te-vi?

Provavelmente em algum momento de sua vida você já avistou um bem-te-vi em algum local, certo? Este bichinho carismático é facilmente reconhecido pelas cores e pelo seu canto. Você provavelmente já o observou ou ouviu, seja em uma viagem de acampamento, na praça de sua cidade ou mesmo no fio dos postes próximo a sua casa. Sua plumagem é característica: ventre amarelado, dorso castanho, garganta branca e cabeça preta com uma máscara branca.

Apesar de essas aves apresentarem muitas semelhanças elas também possuem particularidades que podem ser usadas para diferencia-las. Uma espécie que muitos acreditam ser “filhote de bem-te-vi”, devido ao seu tamanho e plumagem, é a Cambacica (Coereba flaveola). Apesar de possuir o padrão de cor parecido seu bico é bem mais fino e seus tarços menos compridos, além de possuir uma estatura menor.

O Neinei (Megarynchus pitangua), conhecido por bem-te-vi-bico-chato, é uma das espécies mais confundidas com o verdadeiro bem-te-vi. Sua principal diferença esta no tamanho do bico, que é bem mais robusto e mais achatado. Além disso, sua vocalização difere do conhecido “bem-te-viiii!” que ouvimos. Temos também o Suiriri (Tyrannus melancholicus), que embora tenha as mesmas cores que o bem-te-vi não apresenta as marcas brancas na face juntamente a cabeça preta.

Mas e quando as espécies são tão parecidas que não conseguimos identifica-las através da morfologia? É aqui que temos o conceito de Espécies crípticas!

Foto: Ilustração Tomas Sigrist/ Arte TG

Espécies crípticas são duas ou mais espécies que morfologicamente falando são, frequentemente, indistinguíveis. Porém, geneticamente possuem uma grande diferença, sendo assim consideradas espécies diferentes. Podem ser diferenciadas também, ecologicamente, através de alguns comportamentos distintos como, por exemplo, o padrão de canto ou do ninho.

O termo espécie críptica se aplica a unidades taxonômicas cujos componentes se confundem com outros de espécies distintas quando se utilizam caracteres “tradicionais”, geralmente morfológicos. Seu reconhecimento não é evidente e depende geralmente de comparações baseadas em biologia molecular.

Espécies crípticas tiveram sua origem de um ancestral comum e passaram por um processo de especiação relativamente recente, possuindo hábitos semelhantes e muitas das vezes compartilhando nichos, embora sejam isoladas reprodutivamente.

Graças a diversos estudos, hoje sabemos que essas espécies não são a mesma, e que podemos cada vez mais entender a particularidade de cada uma delas, que, apesar de serem semelhantes, possuem diferenças que as tornam únicas!

Guilherme Wince de Moura é Biólogo formado pela Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

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