A falsa dualidade entre Criação e Evolução

A questão sobre as origens do homem e do mundo remete a um amplo debate, no qual filosofia, religião e ciência entram em cena para explicar, a seu modo, como foi que isso ocorreu. Desde as primeiras manifestações mítico-religiosas o homem busca resposta para essa questão. Neste âmbito, até hoje a teoria criacionista é a que tem maior aceitação. Ao mesmo tempo, ao contrário do que muitos pensam, as diferentes religiões do mundo elaboraram uma versão própria.

O cristianismo, uma das crenças religiosas mais adotadas no mundo e protagonista das principais discussões sobre o tema, adota a Bíblia como fonte explicativa sobre a criação do homem. Segundo a narrativa bíblica, o homem foi concebido depois que Deus criou céus e terra. Feito a partir do barro e a imagem e semelhança de Deus, o homem teria ganho vida quando Deus insuflou o hálito da vida em suas narinas (Gn 2,7). O fato é que o livro do Gênesis não tem a intenção de descrever como se deu a criação, mais sim, apenas demonstrar que tudo provém de Deus (CIC)*. Vê-se pois, criacionismo é a crença de que o mundo e tudo o que existe nele são potencialidades de um ato criador de um deus.

Em contrapartida ao criacionismo há a teoria do evolucionismo. A Evolução Biológica consiste na mudança das características hereditárias de grupos de organismos ao longo de gerações. Grupos de organismos, denominados populações e espécies são formados pelas divisões de populações e espécies ancestrais; posteriormente os grupos descendentes passam a se modificar de forma independente. Portanto, numa perspectiva de longo prazo a evolução é a descendência com modificações, de diferentes linhagens a partir de ancestrais comuns. A evolução não busca explicar a origem da vida, mas sim descrever as mudanças pelas quais ela passa.

A discussão sobre ter havido evolução ou não é uma questão que foi resolvida no século XIX. Hoje não se discute mais isso. Essas são dúvidas de religiosos e cientistas desatualizados e que plantam esta idéia na sociedade. . Deus e Evolução não são mutuamente excludentes.

A evolução de fato ocorre; isso não está sob discussão. Não se trata de acreditar nela ou não, mais sim de aceitar a realidade. O fato agora é: acreditar que tudo tenha provido da vontade de um ser transcendental ou não. Isso é questão de fé e depende de cada pessoa. Pela fé compreende-se que Deus teria criado o mundo e inserido nele todas as potencialidades para que chegassem ao que é hoje e o que será no futuro. A ciência não pode opinar se foi Deus ou não quem criou tudo, justamente por que este também não é o seu objetivo. Já à evolução cabe descrever como, por quê meios e leis o mundo chegou ao que é hoje.

*CIC: Catecismo da Igreja Católica. Tido pelos católicos “como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino de sua doutrina”.

Willian Silva Lopes é acadêmico do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa, campus de Rio Paranaíba e versado em filosofia religiosa/teológica pelo Seminário Maior Dom José André Coimbra.

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