Por que o azul é a cor mais rara da natureza?

Você já viu felinos azuis? Ratos azuis? Cachorros azuis? Quando penso em animais azuis consigo me lembrar de pouquíssimos animais que apresentam essa coloração. Até a chamada baleia azul não é realmente azul, né?

Animais no geral não produzem seus pigmentos do nada, eles são produzidos através dos alimentos que são consumidos. Os flamingos são um exemplo disso, pois a coloração rosa que apresentam é devido às concentrações de carotenoides encontrados nos crustáceos que eles ingerem. Então basicamente, você é o que você come, exceto quando se trata do azul. O fato é que embora essa cor seja uma das cores primárias, ela é a cor mais rara de se encontrar na natureza e quando encontrada, ela se destaca no meio de todas as outras.

Sobre esse tema vamos analisar as borboletas que, no geral, apresentam os padrões mais diversos que podem ser encontrados na natureza, como asas de todas as formas e cores. A razão pela qual essas estruturas são tão diferenciadas é justamente para mandar algumas mensagens para outros animais como “eu sou tóxica”. De acordo com o Doutor Bob Robins, curador de Lepidópteros no Museu Nacional de História Natural da Universidade de Washington D. C., as borboletas são seres incríveis cuja evolução permitiu que fossem ativos durante o dia possibilitando a grande vantagem da comunicação através da luz. Acontece que, podemos perceber nas asas das borboletas estruturas minúsculas que refletem a luz. Essas estruturas são escamas e podem apresentar diversas cores provenientes de pigmentos orgânicos que absorvem todas as cores, exceto aquelas que conseguimos ver.

Já o azul encontrado em suas asas é resultado da reflexão da luz em minúsculas estruturas contidas nas escamas, muito parecido com uma sala de espelhos, onde todas as cores ficam presas exceto a luz azul com seu comprimento de onda menor. Por isso geralmente a cor muda de acordo com a posição que estamos observando o animal. Nos pássaros azuis, a coloração também é resultado de como a luz branca é filtrada por minúsculas estruturas. Assim como os olhos azuis em humanos também são coloridos por estruturas e não pigmentos. O fato é que não existe nenhum animal que produza pigmento azul, exceto por uma borboleta específica, a Nessaea obrinus.

Se pararmos para analisar nem mesmo o céu é azul, ele também é resultado da luz que bate nas moléculas de oxigênio e nitrogênio da atmosfera onde apenas a luz com menor comprimento atravessa. O mar também é azul devido à absorção de todos os outros comprimentos de onda exceto a luz azul.

Mas porque essa cor é proveniente de estruturas da engenharia da natureza, e não de pigmentos? A teoria mais aceita é que há um grande tempo evolutivo atrás, pássaros e borboletas desenvolveram a habilidade de enxergar a luz azul, mas não havia uma maneira de fabricar a coloração em seus corpos. Contudo, se houvesse a coloração azul em seus corpos, seria uma tremenda vantagem de comunicação e sobrevivência. Para criar novos pigmentos azuis, seria necessária uma química totalmente diferente da existente naturalmente, então, como a evolução sempre pega o atalho, foi muito mais fácil modificar
algumas estruturas corporais para que a luz azul refletisse em seus corpos. Esses dilemas das cores, fascinam os seres humanos há muitos séculos.

Isaac Newton, um dos cientistas mais importantes do mundo, conhecido principalmente pelas leis de Newton no âmbito da mecânica, publicou um manuscrito em 1666 chamado Of Colours (Sobre as Cores, em português) onde apresentava ideias sobre a luz e cores dos corpos. Nesse mesmo trabalho, ele percebeu que havia algo diferente sobre a cor azul.
Cientistas estudam sobre isso desde então, sempre fascinados pela beleza do azul na natureza, que não é tão azul assim.

Créditos da imagem: Nessaea Obrinus, Pamsai //flickr.com/photos/39386629@N06

Gabriella Katlheen Leles é Bióloga formada pela Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba.

Curiosidade: por que os pandas são pretos e brancos?!

Cientistas resolveram estudar o porquê dos pandas (Ailuropoda melanoleuca) apresentarem o padrão de coloração preto e branco. Isso já foi descoberto para as zebras, que utilizam a distribuição de suas listras como uma maneira de repelir insetos voadores que as picam. Mas e nos pandas? Qual a finalidade?

“O nome em chinês para panda significa urso-gato, mas há registros históricos de que a grafia significa comedor de bambu”.

No estudo, os pesquisadores fizeram a comparação das partes separadas do corpo do panda com outras espécies de urso. Os resultados encontrados apontam que as marcações servem para camuflagem e comunicação entre a espécie. A mistura entre a coloração preta e branca permite que o animal consiga se camuflar tanto na época quente quando na frio, já que habitam ambientes de florestas tropicais e também montanhas nevadas. Além disso, o padrão de cores facilita o reconhecimento entre os indivíduos da população. Orelhas escuras podem indicar ferocidade, e o preto ao redor dos olhos pode auxiliar na identificação entre eles e até mesmo significar agressividade em momentos de competição.

A camuflagem é de extrema importância para esses animais. Mas por que? A alimentação dos pandas é baseada praticamente em bambus. Sendo assim, sua reserva energética é limitada, não permitindo que consiga hibernar por longos períodos, como várias outras espécies de ursos. Diante disso, precisam estar ativos durante todo o ano, variando de habitats para a busca de seu alimento.

Medidas de conservação são amplamente aplicadas nesses animais, já que sua caça acontece com certa frequência. A principal finalidade da caça está relacionada com a comercialização da pele do panda, já que é muito valorizada no mercado asiático pra fabricação de casacos e cobertores.

Como resultado de ações conservacionistas, a espécies, que antes era dada como ameaçada de extinção, agora se encontra na lista de espécies vulneráveis. A intensificação de sua proteção é imprescindível para a melhora na classificação da espécie de acordo com seu risco de extinção e manutenção de suas populações no ambiente.

Rosana Mesquita é bióloga e mestranda em Manejo e Conservação de Ecossistemas Naturais e Agrários na Universidade Federal de Viçosa – Campus Florestal.

Para que serve a coloração nas Aves?

Várias pessoas apresentam uma boa reação quando vem uma Arará Canindé, ou mesmo boquiabertos quando vem um majestoso urubu-rei sobrevoando suas cabeças. A imensa quantidade de aves que temos em nosso país possui uma incrível variedade cromática que enriquece as nossas paisagens. O belo padrão de coloração nas suas penas são o que levam a acharmos esses pássaros tão interessantes e bonitos, mas, afinal, quais são os benefícios de ter uma coloração tão chamativa?

O que podemos dizer, é que durante milhares de anos de evolução, mutações e diversos processos evolutivos, incluindo a adaptação a muitos habitats diferentes, proporcionaram à plumagem desses seres voadores uma incrível gama de variedade de cores e formas. Esse padrão de coloração pode ir desde os intensos vermelhos, azuis e verdes em que vemos nos grandes papagaios até tons de cinza e marrom que vemos em espécies de corujas, águias e falcões, que são chamadas de cores crípticas.

Esses padrões diversificados de cor são extremamente necessários para esses organismos, pois cumprem várias funções durante toda a vida do animal.

Camuflagem

As penas desse s animais não servem apenas para cobrir o corpo e facilitar o voo. O padrão de coloração em algumas espécies como o Urutau proporcionam uma incrível defesa contra predadores: quando em repouso e imóvel próximo a troncos, a coloração das penas faz com que ele fique parecido com o ambiente em que se encontra, ficando com o corpo camuflado e pouco visível aos predadores. Nas aves, normalmente as fêmeas e seus filhotes tendem a apresentar coloração que facilita tipo de comportamento.

Atração Sexual

Não só no mundo das aves, como no mundo animal, a coloração favorece de certa forma os processos de atração sexual e cortejo. Quando a época de acasalamento chega, os machos de várias espécies trocam suas penas e, essas penas novas, com padrões de coloração totalmente diferente das anteriores, são o que chamamos de penas nupciais. São as penas nupciais que tornam os machos exuberantes e chamativos para que as fêmeas os escolham e reproduzam. Nesse ponto, ter uma coloração mais chamativa, forte e vibrante, garante não só a parceira sexual como, consequentemente, a transmissão de informações genéticas aos seus descendentes, favorecendo assim a perpetuação da espécie.

Alerta e Repulsão de Predadores

Cores fortes e chamativas nem sempre servem só para atrair. Podem provocar repulsão e alerta aos predadores. Geralmente a cor vermelha representa um sinal de alerta, fazendo com que seus predadores não se arrisquem como é o caso do Pitohui kirhocephalus, a primeira espécie de pássaro venenoso descoberta.

Mimetismo

Há casos de mimetismo, em que o animal apresenta padrão de coloração das penas idêntico ou muito semelhante a indivíduos de espécie diferentes, que é o caso do gavião-de-rabo-barrado (Buteo albonatus), que se passa por urubus do gênero Cathartes para tentar se alimentar de suas presas.

Há casos de mimetismo, em que o animal apresenta padrão de coloração das penas idêntico ou muito semelhante a indivíduos de espécie diferentes, que é o caso do gavião-de-rabo-barrado (Buteo albonatus), que se passa por urubus do gênero Cathartes para tentar se alimentar de suas presas.

Por: Guilherme Wince de Moura