Hibernação e Estivação: mecanismos de sobrevivência!

Todo mundo que está lendo esse texto já deve ter ouvido falar sobre aquele “descanso” profundo que alguns animais fazem, como por exemplo os esquilos. Você sabe o nome? Sabe por que ele acontece? Ele acontece somente com animais que vivem em regiões muito frias?

Quando acontece com animais durante a época de inverno e escassez de comida, o fenômeno é chamado de “Hibernação”. Em períodos como esse, em que se alimentar na quantidade necessária é difícil, os animais caem num sono profundo que pode durar dias e dias, e até meses. Nesse tempo a temperatura corporal cai drasticamente, assim como os batimentos cardíacos, respiração e principalmente o metabolismo. O animal mantém a energia para sobrevivência através da queima de gordura acumulada no corpo, então antes de hibernar a alimentação dever ser bastante forte e rica em lipídios (células de gordura)! Alguns exemplos de animais que hibernam são morcegos, marmotas, ouriços, esquilos, entre outros.

Mas espere aí… e os ursos? Esses são ditos os mais “famosos” em casos de hibernação que você já ouviu falar, não é mesmo? Mas segundo estudos de alguns pesquisadores, essa informação não é 100% correta. Durante o período de hibernação, um dos pontos chave é a diminuição drástica da temperatura corporal, e isso não acontece com os ursos. Sua temperatura corporal se mantém relativamente alta! No caso do urso marrom, por exemplo, cai somente cerca de 4ºC (de 38ºC para 34ºC).

E quando essa pausa na atividade diária acontece em regiões de calor e seca, como por exemplo nos desertos? Aí recebe outro nome: estivação. Ela acontece quando as condições ambientais do meio se tornam excessivas em relação à altas temperaturas e baixa umidade. Geralmente nesse período os animais se enterram em buracos no solo, onde a temperatura se mantém mais amena, e lá ficam durante um tempo até que as condições climáticas exteriores sejam favoráveis à sua sobrevivência. Alguns exemplos de animais que praticam a estivação são algumas espécies de moluscos, anfíbios e répteis.

Na região da Caatinga, temos como exemplo alguns anfíbios que se enterram em buracos de quase 2m de profundidade durante o período de estivação. Nesse tempo o consumo de oxigênio do corpo diminui pela metade, o estômago desses animais fica vazio e o intestino diminui. Quando às condições do meio retornam ao normal, voltam à superfície para retomarem seus hábitos.

Esquilo em período de hibernação. Foto disponível em: https://www.estudopratico.com.br/ hibernacao/

Curioso né? Esses são alguns dos exemplos de mecanismos de sobrevivência que as espécies utilizam para driblar as alterações do meio. E você, conhece algum animal com que possui uma capacidade diferente dessas? Escreva pra nós e conte-nos um pouco sobre isso!.

Rosana de Mesquita Alves é Bióloga e Mestranda pela Universidade Federal de Viçosa.

Para que serve a coloração nas Aves?

Várias pessoas apresentam uma boa reação quando vem uma Arará Canindé, ou mesmo boquiabertos quando vem um majestoso urubu-rei sobrevoando suas cabeças. A imensa quantidade de aves que temos em nosso país possui uma incrível variedade cromática que enriquece as nossas paisagens. O belo padrão de coloração nas suas penas são o que levam a acharmos esses pássaros tão interessantes e bonitos, mas, afinal, quais são os benefícios de ter uma coloração tão chamativa?

O que podemos dizer, é que durante milhares de anos de evolução, mutações e diversos processos evolutivos, incluindo a adaptação a muitos habitats diferentes, proporcionaram à plumagem desses seres voadores uma incrível gama de variedade de cores e formas. Esse padrão de coloração pode ir desde os intensos vermelhos, azuis e verdes em que vemos nos grandes papagaios até tons de cinza e marrom que vemos em espécies de corujas, águias e falcões, que são chamadas de cores crípticas.

Esses padrões diversificados de cor são extremamente necessários para esses organismos, pois cumprem várias funções durante toda a vida do animal.

Camuflagem

As penas desse s animais não servem apenas para cobrir o corpo e facilitar o voo. O padrão de coloração em algumas espécies como o Urutau proporcionam uma incrível defesa contra predadores: quando em repouso e imóvel próximo a troncos, a coloração das penas faz com que ele fique parecido com o ambiente em que se encontra, ficando com o corpo camuflado e pouco visível aos predadores. Nas aves, normalmente as fêmeas e seus filhotes tendem a apresentar coloração que facilita tipo de comportamento.

Atração Sexual

Não só no mundo das aves, como no mundo animal, a coloração favorece de certa forma os processos de atração sexual e cortejo. Quando a época de acasalamento chega, os machos de várias espécies trocam suas penas e, essas penas novas, com padrões de coloração totalmente diferente das anteriores, são o que chamamos de penas nupciais. São as penas nupciais que tornam os machos exuberantes e chamativos para que as fêmeas os escolham e reproduzam. Nesse ponto, ter uma coloração mais chamativa, forte e vibrante, garante não só a parceira sexual como, consequentemente, a transmissão de informações genéticas aos seus descendentes, favorecendo assim a perpetuação da espécie.

Alerta e Repulsão de Predadores

Cores fortes e chamativas nem sempre servem só para atrair. Podem provocar repulsão e alerta aos predadores. Geralmente a cor vermelha representa um sinal de alerta, fazendo com que seus predadores não se arrisquem como é o caso do Pitohui kirhocephalus, a primeira espécie de pássaro venenoso descoberta.

Mimetismo

Há casos de mimetismo, em que o animal apresenta padrão de coloração das penas idêntico ou muito semelhante a indivíduos de espécie diferentes, que é o caso do gavião-de-rabo-barrado (Buteo albonatus), que se passa por urubus do gênero Cathartes para tentar se alimentar de suas presas.

Há casos de mimetismo, em que o animal apresenta padrão de coloração das penas idêntico ou muito semelhante a indivíduos de espécie diferentes, que é o caso do gavião-de-rabo-barrado (Buteo albonatus), que se passa por urubus do gênero Cathartes para tentar se alimentar de suas presas.

Por: Guilherme Wince de Moura