Muito mais que uma iguaria culinária

É muito provável que você já tenha tido contato com um grupo de animais muito apreciado como alimento para um grande número de povos, o peixe. Com uma varinha, anzol e minhoca (e um pouco de paciência) você consegue ir em um riacho ou lago e fazer uma boa pescaria. Seja um pequeno lambari (ou piaba), um bagre ou até mesmo um surubim ou dourado, os peixes são uma boa fonte de proteínas e demais nutrientes importantes. Cada brasileiro consome em média cerca de 9 kg de peixe por ano. Parte destes peixes consumidos vem do extrativismo, direto da natureza, e uma parte considerável atualmente vem da aquacultura (ou aquicultura). A tilápia é um bom exemplo de peixe utilizado em aquicultura, embora não seja um peixe originalmente brasileiro, tampouco das Américas. Na verdade, é um peixe de origem africana que foi introduzido no Brasil através de cultivo e hoje pode ser encontrado habitando nossos lagos (seu habitat preferido é o de águas calmas ou lênticas, como o de açudes, lagoas e lagos).

Fonte: phontlife.blogspot.com.br/2012/08/tubaroes-baleia-fotografo-mostra.html

Mas além da pescaria, e daqueles belos peixes de aquariofilia, o que mais você sabe sobre os peixes?

Antes de mais nada, peixes são vertebrados aquáticos. Habitam todo tipo de ambiente aquático, desde corredeiras ou lagos de águas mornas até rios e lagos gelados de água doce; povoam desde recifes de corais até regiões abissais do fundo do mar. Alguns podem viver tanto em água doce quanto em água salgada, como os salmões e esturjões. São altamente dependentes do ambiente aquático, especialmente para reprodução. Apesar da maioria dos peixes respirar por brânquias, retirando oxigênio dissolvido da água, alguns possuem pulmões e precisam buscar oxigênio atmosférico, como a piramboia. Para ter uma ideia do tamanho da diversidade de espécies de peixes que encontramos na natureza, pense que é preciso juntar todos os demais vertebrados e mesmo assim, não teremos o número de espécies de peixes. São mais de 30 mil espécies já identificadas pelos cientistas e novas espécies são descritas todos os meses nas revistas científicas da área. Aliás, a área que estuda os peixes é a ictiologia. Dentre estas 30 mil espécies estão, por exemplo, os maiores peixes como o tubarão-baleia e o peixe-lua na água salgada e os esturjões na água doce. Na América do Sul, os maiores peixes de água doce são o pirarucu e a piraíba, que podem atingir mais de 2,5 metros e pesar cerca de 200 kg.

As áreas de pesquisa com peixes são tão vastas quanto sua diversidade. Há ictiólogos interessados em classificar e identificar as espécies existentes e verificar a sua distribuição, origem e as relações evolutivas entre elas utilizando aspectos de sua morfologia (formato do corpo, tipos de dentes, escamas, nadadeiras, entre outras características). Há também os que estudam os demais aspectos biológicos como a reprodução, fisiologia ou desenvolvimento embrionário. Também há pesquisadores interessados nos aspectos da produção e cultivo de peixes tanto para consumo humano quanto ornamentais.

O Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva do campus de Rio Paranaíba da Universidade Federal de Viçosa utiliza ferramentas da genética para avaliar características cromossômicas ou de sequências de DNA de peixes de populações naturais, para estimar variabilidade genética, distribuição, origem e evolução dos grupos. Um projeto financiado pela Fundação Grupo Boticário e outro complementar, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) permitiram realizar estudos de levantamento da Ictiofauna do rio Paranaíba, em seu trecho inicial desde a nascente, no município de Rio Paranaíba, até o município de Patos de Minas, além de riachos que são afluentes deste importante rio do Brasil. Até o momento, mais de 30 espécies foram identificadas. É um número pequeno perto do número de espécies da bacia do Alto rio Paraná (do qual o rio Paranaíba faz parte), embora a grande parte da biodiversidade de peixes esteja localizada em pequenos riachos. Uma questão preocupante foi a pequena quantidade de exemplares de espécies que têm sido utilizadas em repovoamentos (também conhecidos como peixamentos). Por outro lado, até o momento não foram coletadas espécies exóticas, como tilápia ou bagres africanos, cuja presença em rios brasileiros tem preocupado pesquisadores, pois podem interferir no balanço ecológico das espécies nativas, levando algumas à extinção local.

Estudos mais detalhados de características genéticas das espécies coletadas nestes projetos permitem, por exemplo, avaliar as diferenças entre espécies que são encontradas tanto na bacia do rio Paranaíba quanto na bacia do rio São Francisco. A região do Alto Paranaíba é um importante divisor das águas destas duas bacias hidrografias e o tempo de separação entre elas possibilita que os processos de diferenciação e desenvolvimento de novas espécies possa acontecer, principalmente em populações isoladas de pequenos riachos. Assim observamos, por exemplo, em uma espécie de pequenos peixes da família dos caracídeos, chamados de Piabina argentea. Através de sequências de DNA podemos observar que as populações da bacia do rio São Francisco diferem bastante das populações da bacia do rio Paranaíba, e que estas diferenças embora não tenham sido suficientes para grandes alterações na forma (o que geralmente é utilizado para definir uma espécie e dar novos nomes a elas), elas podem ser espécies diferentes. Além disso, pequenas alterações em medidas comparativas nestas populações reforçam este processo de especiação que está ocorrendo em nosso quintal. O mesmo já vimos com outras espécies nesta e em outras diferentes situações. Uma implicação importante destas descobertas pode ser observada quando se deseja fazer manejo e repovoamento em rios e lagos onde a sobrepesca ou outros fatores diminuíram as populações de peixes. Não respeitar as características genéticas e evolutivas das espécies pode implicar em problemas de fertilidade, diminuindo o sucesso de tais ações.

À medida em que os estudos avançam será possível responder a outras perguntas sobre a biodiversidade dos peixes, gerando informações que serão úteis desde em questões ambientais até em questões econômicas como a produção de peixes para consumo ou para aquariofilia.

Rubens Pazza é biólogo, mestre em Biologia Celular e doutor em Genética e Evolução. Atualmente é professor da Universidade Federal de Viçosa, Campus de Rio Paranaíba e atua na área de Genética Ecológica e Evolutiva.

Peixes e Educação Ambiental

A educação ambiental é um tema desafiante. Inúmeras são as questões ambientais que afetam nosso dia a dia. Poluição do ar e das águas, lixo e reciclagem, proteção da biodiversidade, desenvolvimento sustentável, são apenas alguns dos assuntos frequentemente debatidos e com ações efetivas.
Em relação a proteção da biodiversidade, os aspectos a serem abordados são inúmeros. Muitos deles dependem diretamente do conhecimento sobre a biodiversidade. Por exemplo, uma Unidade de Conservação pode ser proposta com a finalidade de proteger uma espécie ameaçada. No entanto, como conscientizar a população local de que
isto é necessário? Por outro lado, quanto da biodiversidade estamos perdendo por deixarmos
de estudar determinadas regiões que acabam por tornar-se fronteiras agrícolas, por exemplo? Planos de manejo e conservação de espécies só conseguem ser bem sucedidos quando envolvem completamente a comunidade da região, como por exemplo, o projeto TAMAR que envolve as comunidades de pescadores e suas famílias com o objetivo de proteger as
tartarugas marinhas.
O Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva (LaGEEvo) do Campus de Rio Paranaíba
da Universidade Federal de Viçosa iniciou nos últimos meses a etapa de Educação Ambiental de seu projeto “Biodiversidade da Ictiofauna do rio Paranaíba – Estratégias para a Educação Ambiental”. Financiado pela Fundação Grupo Boticário, o projeto consiste de duas etapas. A primeira visa realizar o levantamento da Ictiofauna do rio Paranaíba em seu trecho inicial,
desde as nascentes no município de Rio Paranaíba até o município de Patos de Minas. Na segunda etapa, a equipe do laboratório promove cursos para professores de Ensino Fundamental e Médio, palestras para estudantes e material didático a ser distribuído nas escolas.

Captura de tela de 2015-07-16 10:17:16

As palestras sobre diversidade de peixes, importância da água e poluição das águas tem sido ministradas para alunos de todas as idades. Divididos por faixas etárias, as atividades desenvolvidas passaram por dança e pintura com crianças de 1a à 3a série do Ensino Fundamental até palestras sobre a diversidade de peixes com os estudantes de Ensino Médio. O primeiro curso oferecido é o de Peixes do Alto Paranaíba, para professores de Ensino Médio. Informações sobre os cursos e palestras podem ser obtidos pelo site: http://www.biologianaweb.com.br/lageevo.


Como citar esse documento.

LaGEEvo (2013). Peixes e Educação Ambiental. Folha biológica 4: (1) 4

Os Peixes de Minas Gerais

Willian Lopes Silva

Patrícia Giongo

Wagner M. S. Sampaio

A América do Sul possui a mais rica fauna de peixes do mundo, e isso se deve ao fato de ela possuir os maiores sistemas fluviais. O Brasil, apresentando a maior parte desses sistemas, incorpora uma parcela significativa dessa biodiversidade. O nosso país concentra 20% de todas as espécies de peixes descritas no mundo, o que equivale, aproximadamente, a 3.000 espécies. Este número é subestimado e podem chegar até 8.000, segundo alguns especialistas. O mais importante é que uma parcela muito significativa dessa fauna é considerada endêmica, isto é, ocorre apenas em um lugar (no nosso país, neste caso). O estado de Minas Gerais apresenta aproximadamente 12% das espécies que ocorrem no Brasil.

 

Os Peixes de Minas Gerais

O assoreamento dos rios é um dos principais problemas no Estado de Minas Gerais, e falta de Mata Ripária ou Ciliar está diretamente ligada esse fenômeno.

Podemos destacar sete das 15 bacias mineiras em termos de riqueza: A bacia do rio São Francisco com 173 espécies, do rio Paranaíba com 103, do rio Grande com 88, do rio Doce com 64, do rio Paraíba do Sul com 55, do rio Mucuri com 51 e do rio Jequitinhonha com 35. As famílias de peixes com maior número de espécies descritas para Minas Gerais são a Loricariidae (sendo representada pelos populares cascudos), a Rivulidae (que possui os peixes temporários) e Characidae (que englobam os lambaris ou piabas), muitas das quais encontram-se em perigo de extinção. As principais ameaças aos peixes de Minas Gerais são a poluição, o assoreamento, o desmatamento, a mineração, a introdução de espécies exóticas, a pesca predatória e a construção de hidrelétricas.  Minas Gerais tem sido foco de usinas hidrelétricas nos últimos 50 anos, e atualmente estima-se em 600 o número de barragens para produção de energia no Estado. O principal foco dos impactos ambientais em rios barrados se direciona aos peixes comerciais que normalmente são as espécies migradoras. Como estes peixes de importância econômica, acabam sendo usados como espécies bandeiras (as que representam os esforços de preservação de determinada área), porém esse procedimento tem contribuído para o declínio de peixes nativos de pequeno porte que também requerem ambientes de cachoeiras ou com correnteza, mas não necessariamente realizam grandes migrações ou apresentam importância econômica. A introdução de espécies exóticas ocorre em todas as bacias mineiras e essa prática ameaça à diversidade de peixes. A aquicultura e os programas de peixamento (introdução de alevinos em rios e represas) são as principais fontes de introdução de espécies, práticas que não estão sendo fiscalizadas e coordenadas com a atenção necessária. Colocar uma espécie exótica (que não pertence naturalmente à bacia) em um sistema hídrico pode trazer sérias consequências ao equilíbrio ambiental. Atualmente existem 63 espécies de peixes introduzidas em Minas Gerais. A bacia com maior número de peixes exóticos é a do Paraíba do Sul com 41 espécies, seguida da bacia do rio Doce com 30 espécies e depois as bacias do Paranaíba e Grande com 20 espécies. O grande número de espécies exóticas na bacia do rio Paraíba do Sul está relacionada ao polo de criação de peixes ornamentais no rio Muriaé, o maior do continente. O Estado de Minas Gerais apresenta-se como uma das regiões chave para entendermos a fauna aquática Sul Americana e para traçamos modelos estratégicos de conservação da biodiversidade. Os motivos para essa consideração são:

  • Sua posição geográfica que incorpora alguns dos mais importantes domínios geohidrológicos onde se encontram os dois principais hotspots do continente (Cerrado e a Mata Atlântica);
  • Englobar a maior parte das bacias brasileiras, exceto a bacia Amazônica.

Estudos recentes levantaram áreas prioritárias de água doce para conservação da biodiversidade, considerando desde níveis de endemismo, estado de conservação do habitat e níveis de proteção desse habitat. A maioria dos peixes com áreas prioritárias de conservação se encontram dentro dos biomas do Cerrado e da Mata Atlântica.  O Brasil possui atualmente 819 espécies com área de vida restrita. Isto é, espécies que vivem em locais de ampla perda de habitat e que podem sofrer extinção se nenhuma medida de conservação for tomada. Dentre as regiões que englobam as bacias mineiras destacam-se a bacia do Paraná, Atlântico Sudeste e do São Francisco com 78%, 37% e 30% respectivamente das espécies com área de vida restrita.  Os problemas para a conservação da ictiofauna de Minas Gerais estão ligados a problemas desde socioeconômicos e políticos, como a questão da conservação de matas ripárias tão desvalorizadas no Projeto do Novo Código Florestal Brasileiro, até os processos de divulgação de inventários e das reais condições da fauna de peixe e das bacias hidrográficas pelas empresas que solicitam estudos e relatórios de impactos ambientais, pois estão atrelados aos licenciamentos do novo modelo energético brasileiro.  Outra questão é a falta de estratégias específicas para a conservação da fauna de peixes. Ictiólogos apontam que talvez a solução fosse pensar em estratégias direcionadas para as microbacias ou microrregiões, a criação de comissões interinstitucionais de cientistas para gerenciar a dinâmica em ambientes de água doce. Assim teríamos maiores condições de concentrar esforços em locais prioritários como riachos de cabeceiras, veredas e córregos intermitentes, conservando importantes sítios de manutenção da diversidade das grandes bacias. A verdade é que precisamos mudar nossas direções para o combate da perda de água doce e começar a pensar na dinâmica do ecossistema como um todo, mitigando os efeitos das influências antrópicas nas assembleias de peixes e na comunidade.

Willian Lopes Silva é acadêmico do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa, campus de Rio Paranaíba, e bolsista do Programa de Iniciação à Extensão-PIBEX.

Patrícia Giongo é bióloga, mestranda em Biologia Animal pela Universidade Federal de Viçosa, e atua na área de Ictiologia.

Wagner M. S. Sampaio é biólogo e mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Viçosa, e atua na área de Ictiologia.


 

Como citar esse documento:

Silva, W.L; Giongo, P; Sampaio, W.M.S. (2012). Os Peixes de Minas Gerais. Folha biológica 3 (1):2

Uma espécie nova na panela

Rubens Pazza

Vez por outra você lê nos jornais, revistas e websites que cientistas descobriram uma nova espécie disso ou daquilo, não lê? Saiba que o que é publicado no jornal não passa da ponta de um “iceberg”, pois nosso desconhecimento sobre a biodiversidade ainda é muito grande. Mas o que afinal significa dizer que os cientistas descobriram uma nova espécie? Será que eles se embrenharam na Mata Amazônica e de repente toparam com uma planta nova, um animal novo?

Nem sempre que se fala da descoberta de uma nova espécie é porque ela era totalmente desconhecida. Muitas vezes você já havia até topado com ela, mas não imaginava que era algo diferente. Embora a metodologia possa variar um pouco dependendo com que organismo estamos lidando, o exemplo que vou utilizar, com peixes, reflete bem o modo como tudo acontece até virar notícia. No ano passado, um dos gigantes portais da web nacional publicou uma notícia sobre a descoberta de uma nova espécie de peixe de água doce, um cascudo da família dos loricariídeos encontrado em um afluente do Amazonas na Colômbia. Será que a descoberta de novas espécies de peixes são furo de reportagem ou a agência de notícias estava sem notícias para divulgar?

Se for o primeiro caso, eles estão perdendo muita notícia, pois revistas especializadas publicam novas espécies de peixes em todos os números. Por exemplo, a revista Neotropical Ichthyology, publicada pela Sociedade Brasileira de Ictiologia, publicou no ano de 2008 nada menos que 44 novas espécies de peixes e no ano de 2009 foram mais 21. Ou seja, uma única revista especializada publicou cerca de 65 novas espécies de peixes apenas dos últimos dois anos. E esta não é nem a única revista do Brasil a publicar novas espécies de peixes todos os meses. Peixes representam a metade de todos os vertebrados da Terra. Somando todos os mamíferos, aves, répteis e anfíbios temos cerca de 24 mil espécies descritas, o que é aproximadamente o mesmo número de espécies descritas para peixes. Apenas no Brasil são cerca de cinco mil espécies em água doce. Entre o que muitos chamam popularmente de cascudos, os peixes que apresentam o corpo revestido por placas dérmicas que parece uma carapaça, existem cerca de 600 espécies. Assim, é muito provável que o cascudo que se pesca no Rio Grande do Sul não seja a mesma espécie que se pesca em Minas Gerais, por exemplo, e dificilmente será a mesma pescada na Amazônia. Com o aumento nos estudos deste grupo a cada dia, novas espécies podem ser identificadas e caracterizadas.

A caracterização de um peixe como uma espécie diferente, nova, se baseia num minucioso estudo de várias características morfológicas externas e internas, comparando-se com exemplares já descritos e mantidos em museus de zoologia do Brasil e do mundo. Para se ter uma ideia, muitas espécies de peixes foram coletadas no Brasil por Darwin e outros naturalistas, descritas por pesquisadores ingleses e atualmente se encontram no Museu de Londres. Quando precisamos saber se um determinado peixe que coletamos é a mesma espécie já descrita, precisamos recorrer a estas amostras nos museus para comparação. Se o que tivermos em mãos for diferente do que está descrito na literatura especializada e depositada no museu, temos uma espécie nova. O próximo passo é descrever detalhadamente todas as características que a diferem das demais espécies, publicar os resultados em uma revista especializada, e depositar os exemplares “tipo” em um museu. A característica de nossas bacias hidrográficas é propícia para processos de especiação, o que faz com que o avanço dos estudos, estimulados pela crescente conscientização acerca da importância da biodiversidade, leve à descrição de cada vez mais espécies novas.

Em alguns casos, no entanto, é possível que as pessoas já a “conheçam” e já a pesquem, pensando se tratar de uma espécie comum no Brasil inteiro até aos olhos dos mais experientes pescadores, quando na verdade se trata de uma espécie nova. Estima-se, inclusive, que muitas espécies de peixes ainda serão extintas antes mesmo que a conheçamos. Conhecer a biodiversidade é muito importante. É a única maneira de planejarmos sua conservação de modo consciente. Por isso, os estudos que levam à descrição de novas espécies são cruciais para processos como a exploração comercial e também para a elaboração de projetos de repovoamento.

Da próxima vez que for pescar, tente imaginar se o peixe que vai para sua panela é o mesmo que está lá no museu. Será que não está levando para a panela uma espécie nova, desconhecida da ciência? Isto sim é consumo consciente!

 

Rubens Pazza é biólogo, mestre em Biologia Celular e Doutor em Genética e Evolução. É docente do campus de Rio Paranaíba da UFV e atua na área de Genética Ecológica e Evolutiva.


 

Como citar esse documento:

Pazza, R. (2010). Uma Espécie nova na Panela. Folha Biológica 1 (1): 2.