Dúvidas comuns sobre Paleontologia

Os homens das cavernas caçavam dinossauros?

Os dinossauros foram extintos mais de 60 milhões de anos antes do surgimento dos primeiros hominídeos e portanto, não conviveram com eles.

Porém, outros animais pré-históricos foram contemporâneos dos humanos, como os mamutes, as preguiças gigantes, os tigres de dentes de sabre e muitos outros. Os humanos caçaram e inclusive pintaram alguns destes animais nas cavernas.

Se o ser humano evoluiu a partir do macaco, por que o macaco ainda existe?

O Homo sapiens não se originou de nenhum macaco existente na atualidade. O ser humano e os outros “macacos” compartilham um ancestral comum, e fazem parte do mesmo grupo, o dos primatas.

Nossos parentes mais próximos na atualidade são os chimpanzés e os bonobos, com os quais compartilhamos um mesmo ancestral que encontra-se extinto. Portanto o chimpanzé não deve ser visto como o nosso “avô” e sim como o nosso “primo”.

Qual foi a causa principal da extinção dos dinossauros?

Um meteoro de grandes proporções atingiu a Terra há 65 milhões de anos, no final da era dos dinossauros. A sua cratera ocupa parte da Península de Yucatán e o Golfo do México. Este impacto teria tido conseqüências catastróficas não apenas para os dinossauros, mas também para a muitos seres vivos na Terra, incluindo vários grupos de invertebrados, plantas e protistas que também se extinguiram. No entanto, no caso particular dos répteis, ao parecer mudanças na flora e no clima já afetavam a alguns grupos antes mesmo da queda do meteoro, pelo que a queda deste teria apenas acentuado os problemas que eles já tinham.

Os dinossauros deixaram algum descendente?

De acordo com a maioria dos cientistas na atualidade, as aves são descendentes diretos dos dinossauros, ou seja, podemos dizer que as aves são dinossauros.

Os crocodilianos são parentes próximos dos dinossauros, mas não seus descendentes. O dragão de Komodo, embora de aspecto terrível, não é um dinossauro e sim um lagarto.

Microorganismos também podem se fossilizar?

Alguns microorganismos possuem partes duras, que podem fossilizar-se. Um exemplo destes organismos o constituem os foraminíferos, um grupo de protistas marinhos, principalmente planctônicos, que existe até nossos dias.

Os foraminíferos possuem carapaças formadas por uma proteína chamada quitina e estas tem uma grande capacidade de preservação. Outros microorganismos que se preservam com certa facilidade são os ostracóides (pequenos crustáceos aquáticos) e o pólen de diversas plantas. Pela sua abundância, os microorganismos fósseis são muito úteis para datar rochas através da Bioestratigrafia.

Esqueleto fóssil e reconstituição de um Lystrosaurus sp. Fonte: Museu de Melbourne

Os continentes estiveram mesmo todos unidos no passado? Quais as provas disso?

Os continentes se movimentam. Este fenômeno é conhecido como Deriva Continental, e o mecanismo que o causa chama-se Tectônica de Placas.

Os continentes tem se unido e separado mais de uma vez. A última vez que os continentes uniram-se foi no início do período Triássico, há 250 milhões de anos. Este super continente é denominado Pangéa, e sua existência durou mais de 50 milhões de anos.

Muitas evidências geológicas corroboram o movimento dos continentes, mas os argumentos mais fortes em favor da Deriva Continental tem sido obtidos pela distribuição dos fósseis. Alguns grupos de répteis terrestres extintos são encontrados unicamente na América do Norte e na Europa, e outros unicamente na América do Sul e na África, o que só pode ser explicado satisfatoriamente pela deriva continental. O réptil terrestre do período Triássico Lystrosaurus tem sido encontrado em regiões tão distantes entre si tais como África, Rússia, China, Antártida e Índia.

O movimento dos continentes é muito lento e continua em nossos dias. Se Colombo chegasse hoje a América, a encontraria 30 metros mais longe do que em 1492.

Juan Carlos Cisneros Martínez é biólogo, mestre e doutor em Geociências. Atualmente é professor da Universidade Federal do Piauí e atua na área de Paleontologia.
Esqueleto

Descoberto o fóssil da ave mais antiga do Brasil

foto: Ismar Carvalho

A paleontologia brasileira passa por grandes novidades, e a mais recente é a descoberta de um pequeno fóssil de ave na Bacia do Araripe, no Ceará. A espécie, descrita por pesquisadores brasileiros e argentinos, foi dada como a ave mais antiga encontrada no Brasil. O fóssil foi encontrado em 2011, em rochas de calcário, material de excelente conservação durante milhares de anos.

Ainda sem nome científico, a ave pré-histórica, faz parte do grupo dos Enantiornithes, e possibilita estudos evolutivos a respeito das aves da América do Sul, já que o fóssil se encontra extremamente conservado, com grande parte da sua plumagem original.

As características detectáveis da espécie foram: um par de asas proeminentes, plumagem espessa, olhos grandes, cauda longa (8 cm), tamanho total de cerca de 14 cm. Supõe-se que se alimentava de insetos comuns na região encontrada e, pelas análises ósseas, o indivíduo encontrado era jovem. Pesquisadores destacam a importância da alegando que favorecerá para um maior entendimento acerca da origem das aves pertencentes ao grupo e posterior a evolução das mesmas, assim como sua total distribuição de forma paleobiogeográfica.

Por: Rosana Mesquita.